segunda-feira, 26 de maio de 2014

Faça uma análise sobre as manifestações

Ainda dá tempo!...

Aos 25.929 dias de existência nesse planeta, considero um milagre se considerar viver como se fosse... Uma modernidade líquida e descartável, que considera o imaginável e descarta o existente!... Acredito que seja o meio que o sistema arranjou para manipular a liberdade, considerando-se a segurança um bem primordial... Não há mais a necessidade de se expor, olhar ao redor, vivenciarmos a experiência, aguardarmos sermos lembrados, vivermos qualquer expectativa de futuro, e a qualidade-momento única do presente compartilhado a dois... Imagino que perdemos a nossa pérola mágica que nos trouxe a esse estágio, acreditando encontrá-la com os mesmos conceitos e ardis que nos trouxeram até aqui... Se a meta para o caminho nos deixou esse legado, imagino como será vivenciar o caminho como meta... Talvez não esteja mais por aqui para vivenciar essa mutação, - o caminho de volta!

Carta aos companheiros presos




José Genoíno, José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha foram

condenados sem provas porque fazem parte de uma história que

incomoda.

Por Hamilton Pereira (Pedro Tierra), na Carta Maior*

     (Para ser lida em voz alta com os companheiros que chegam à militância...)

                                       (Brasília, fevereiro / maio de 2014)

A aventura de construir um partido de base popular que viesse a representar de maneira

independente os interesses dos trabalhadores na sociedade brasileira, ainda sob a ditadura

empresarial-militar imposta ao país pelo golpe de abril de 1964, percorre a esta altura, cerca

de três décadas e meia. Se pensarmos bem, tempo relativamente curto, considerados os cinco

séculos desde o desembarque dos colonizadores portugueses nesses trópicos.


Depois das grandes mobilizações sociais catalisadas por S. Bernardo do Campo, no final dos

anos 70, e das históricas assembleias do Estádio de Vila Euclides, o 10 de fevereiro de 1980,

reuniu, no Colégio Sion, sob os olhos distraídos das velhas elites oligárquicas, vencedoras em

1964 e algum nervosismo das novas elites nutridas pela ditadura empresarial-militar, variadas

vertentes dos movimentos populares e sindicais que resistiram a ela para constituir sob a

liderança dos operários do ABC um instrumento que organizasse e unificasse sua ação.


Estavam amadurecidas as condições para dar forma a um organismo que representasse as

aspirações de uma classe social que estava incluída, como mão-de-obra, no setor de ponta

da economia – a indústria automobilística – mas excluída da arena política, que se revelou

capaz pelo instrumento das greves, das mobilizações de massas e da ação parlamentar de

estabelecer alianças com diferentes setores sociais para por abaixo uma tirania já em declínio.

A reforma política articulada para dividir as oposições à ditadura empresarial-militar percebeu

o PT como um acidente, um ovo indesejado na incubadora do general Golbery. O PT foi

diagnosticado inicialmente como um incômodo a ser digerido e eliminado pela repressão

pura e simples ou pela própria dinâmica do metabolismo institucional da transição pelo alto

engendrada por seu principal estrategista.


Ao forçar as portas daquele sistema político concebido para abrigar as disputas, sob estrito

controle da legislação emanada do regime ditatorial, entre os grandes senhores da indústria,

das finanças, do agronegócio nascente e dos antigos monopólios de comunicação nutridos

pelo regime, o Partido dos Trabalhadores cometeu um crime.


O crime original de ter nascido

Com voz própria, ainda que desafinada, mas vigorosa, por liberar uma polifonia, àquela altura

irreprimível, de reivindicações, desejos, esperanças, agredia com seu timbre dissonante os

ouvidos de uma sociedade alfabetizada pelo silêncio. A campanha pelas “Diretas Já”! mobilizou

milhões de vozes em torno da proposta do Deputado Dante de Oliveira. Se não venceu de

imediato, sacudiu irremediavelmente os alicerces do regime. Com os movimentos sociais em

ascensão, sua base primeira, o PT se consolidou como expressão política dos de baixo e como

projeto alternativo de desenvolvimento para o Brasil.


A vitória eleitoral de Collor de Melo sobre Lula e o PT, do ponto de vista dos setores

conservadores, no segundo turno de 1989, foi exatamente isso: uma vitória eleitoral. Olhando

desde o ponto de vista dos trabalhadores: a derrota eleitoral de Lula e do PT em 1989, foi uma

derrota eleitoral e, ao mesmo tempo, uma vitória política. Converteu o PT numa força capaz

de disputar de forma independente o projeto de desenvolvimento do país. Collor naufragou

um ano e nove meses depois de sua posse, sob o peso de forte mobilização popular,

particularmente da juventude, e abandonado por seus antigos apoiadores, particularmente

a mídia que fizera dele “O caçador de marajás” para fazer frente ao ímpeto das esquerdas

lideradas por Lula.


O advento do real no final do governo Itamar Franco, produziu uma reviravolta nas expectativas

das esquerdas, em 1994. Consolidou na sociedade a vertente conservadora da transição pelo

alto. Ampliou as condições sociais e políticas para o avanço do projeto neoliberal com a eleição

de Fernando Henrique Cardozo, uma liderança mais confiável para as forças conservadoras

do que o intempestivo Collor de Mello. O sinal político que definiu o duplo caráter do governo

FHC foi impresso por duas ações: a mobilização dos tanques contra a greve dos trabalhadores

da Petrobrás, em maio de 1995 e a largada para as privatizações do patrimônio público.


Esse duplo caráter marcou a passagem do sociólogo ao longo dos oito anos do seu governo:


Repressão econômica contra os sindicatos nos moldes de Margareth Thatcher – e nos

momentos de crise, o uso da força simplesmente – e privatizações de empresas públicas.

Cavalgando o discurso do êxito do Real e da estabilidade da economia, FHC, utilizando-se de

uma vasta operação de compra de votos de parlamentares, emendou a Constituição em seu

próprio benefício e obteve facilmente a reeleição para um segundo mandato.


Passados vinte e dois anos de batalhas ganhas e perdidas, mas, sobretudo ganhas, o Partido

dos Trabalhadores liderou a ampla aliança que venceu as eleições de 2002. Levou à chefia

do governo central o operário metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, tendo como Vice um

empresário outsider bem sucedido, José Alencar.


O PT cometeu aí um crime derivado:


Alcançou algo surpreendente. Inconcebível para os de cima e por isso mesmo imperdoável

pelas instituições moldadas à sua semelhança: venceu as eleições dentro das regras

estabelecidas por seus adversários, os senhores do agronegócio, da indústria, das finanças,

dos meios de comunicação e seus partidos. E pôs à frente do país um homem que encarna

tudo que aquelas elites políticas tradicionais, herdeiras da cultura da Casa Grande, rejeitam:

ele vem do nordeste do país, região identificada pelos de cima, como paradigma do atraso e

da dependência; ele vem do mundo do trabalho num país em que as elites descendentes dos

senhores de escravos rejeitam o trabalho como coisa para negros e inferiores; ele vem do chão

da fábrica, das ruas e não das universidades nem da caserna que produziram os principais

dirigentes da nação. Trata-se, portanto de um despreparado, voluntarista, incapaz de perceber

a complexidade da tarefa de conduzir um país das dimensões do Brasil e os condicionamentos

impostos à sua inserção no contexto internacional.


Desmentindo os vaticínios dos pretensos ‘formadores de opinião’, esse homem conduziu o

país, sob o fogo quotidiano e implacável da mídia de direita, por dois mandatos à frente de

um governo que incorporou no seu percurso, além dos seus aliados tradicionais no campo da

esquerda, parcela do centro do espectro político do país (PMDB) e mesmo setores de direita

pulverizados em representações partidárias de menor relevância. Um governo complexo que

produziu modificações profundas no perfil da distribuição de renda do Brasil, combateu a fome

e as desigualdades regionais, deu os passos necessários para consolidar um mercado interno

de massas, imprimiu um novo ritmo e uma nova qualidade ao nosso desenvolvimento.


E, a partir daí, renovou o rosto da diplomacia brasileira e afirmou a imagem do Brasil diante do

mundo como nunca na história. Reorientou as relações internacionais para uma perspectiva

Sul-Sul, sem deixar as parcerias anteriores, Europa e EUA e ampliou-as firmando novas em

extensão e qualidade. Apresentou o país como destino seguro para investimentos, afirmou a

soberania pagando as dívidas com o FMI libertando-se da condição humilhante, subalterna de

nação tutelada.


Chegou ao fim do segundo mandato apoiado pela maioria esmagadora da população,

independentemente do extrato social, do credo religioso ou da filiação partidária. As

descobertas das jazidas do Pré-Sal e a adoção do Sistema de Partilha para sua exploração,

liquidaram naquele momento as tentativas de privatização da empresa símbolo da soberania

nacional, a Petrobrás estabelecendo um sólido vínculo programático entre o PT e a tradição

trabalhista anterior, vigente no período Vargas. Ao encerrar o segundo mandato do Presidente

Lula, o PT cometeu um terceiro crime:


Elegeu uma mulher pra dirigir o Brasil


No país herdeiro da cultura política do patriarcalismo dos coronéis de rebenque, espora e

chapelão, do machismo explícito ou dissimulado, elegeu pela primeira vez na história uma

mulher para a Presidência da República: Dilma Rousseff. Militante da resistência à ditadura

desde a juventude e da reconstrução da democracia depois de cumprir pena nas prisões do

regime. Trouxe consigo os sonhos da geração que se lançou à vida pública para enfrentar a

tirania e devolver à nação sua perspectiva de retomada do desenvolvimento democrático e

soberano, interrompido pelo golpe empresarial-militar de 1o de abril de 1964.


Os setores sociais conservadores vêm sucessivamente perdendo terreno em todas as frentes

onde se trava a disputa política democrática na sociedade. Os partidos que representam

esses segmentos reduziram dramaticamente sua representação parlamentar em três pleitos

seguidos. E ambos são partidos de atuação caracteristicamente parlamentar. O PSDB que

elegeu 99 deputados em 1998 quando foi reeleito FHC, viu reduzida sua bancada a 54

deputados em 2010; e o PFL (Democratas) que em 1998 elegeu 105 deputados ficou reduzido

a uma bancada de 43 deputados em 2010.


Os conservadores se refugiaram nas áreas do Estado que não se submetem ao crivo da

cidadania: os órgãos de controle concebidos e constituídos num período em que o país se

encontrava estagnado ou com taxas de crescimento inexpressivas, ou no Judiciário, um poder

paralítico e oligarquizado. No Brasil, quando um delito é flagrado no exercício de um mandato

no Poder Legislativo ou no Executivo, a sociedade já demonstrou a capacidade de removê-

lo pelo voto, cassá-lo quando for o caso ou promover o impeachment dos responsáveis, para

que sigam vigentes as regras do jogo democrático. Quando acontece um delito no exercício

de um poder que só presta contas a si mesmo, o que ocorre? Nada. O judiciário brasileiro se

assemelha nesse aspecto a um anacronismo monárquico que subsiste dentro da instituição

supostamente republicana. Protegido pela toga de toda e qualquer aspiração de controle da

sociedade.


No Brasil o cargo de Presidente da Suprema Corte e de Presidente do Conselho Nacional de

Justiça, órgão que deveria fiscalizar as ações do Judiciário, são ocupados pela mesma pessoa.

Ou seja, ele é fiscal e fiscalizado ao mesmo tempo. Essa distorção produz absurdos jurídicos

como foram identificados vários ao longo da Ação Penal 470. Sem um eficaz controle da

cidadania abre-se aí um espaço que deriva para o exercício do arbítrio como testemunhamos

hoje no tratamento dos prisioneiros condenados naquela ação. O melhor do Brasil ofereceu ao

jurista Joaquim Barbosa, a oportunidade de se tornar Ministro e mais tarde Presidente do STF.

Conquistou, por seus méritos pessoais, a oportunidade de se afirmar como um Magistrado,

escolheu entrar para a história como carcereiro.


A campanha para arrecadar fundos com o objetivo de pagar as multas impostas pelo STF, no

final de 2013, aos companheiros José Genoíno, José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo

Cunha em função da sentença proferida na ação 470 impressiona por vários aspectos: a

solidariedade, a generosidade, a rapidez da resposta, a transparência e revela a extensa rede

de apoios que o Partido dos Trabalhadores teceu na sociedade brasileira. Para avançarmos

é necessário estabelecer vínculos com os novos Movimentos Sociais, oxigenar as direções

nos três níveis: nos Municípios, nos Estados e em nível Nacional. O Partido deve estar atento

à transição geracional inevitável que nos alcança. Para que sejamos capazes de manter a

necessária sintonia com os novos atores sociais que emergiram a partir das transformações

conduzidas pelo próprio PT, ao consolidar sua presença na cena política do país. Aquela

campanha de solidariedade aos nossos companheiros foi uma campanha bela como outras

belas mobilizações que a militância do PT ofereceu como testemunho ao país nesses 34 anos.

Bela e insuficiente. Porque não basta reagir com grandeza, solidariedade e presteza a uma

condenação injusta, sem provas e às provocações de um escroque togado que mede as

instituições pelo metro de sua própria conduta mercantil. É necessário para avançar na

construção da sociedade democrática que desejamos estabelecer o debate em torno das

relações entre as instituições do Estado que construímos e pactuamos na Constituição de 1988

e sua fonte legitimadora: a cidadania.


As elites conservadoras brasileiras, herdeiras dos senhores de escravos, cultivam ao longo

de 500 anos de História um surpreendente – macabro – costume no tratamento daqueles que

ousam se levantar contra elas: o esquartejamento. A cabeça de Zumbi, líder dos escravos

aquilombados em Palmares, foi exposta no Largo do Carmo, no Recife, no final do século XVII;

em 1720, Felipe dos Santos teve o corpo atado às patas dos cavalos que o despedaçaram

por se recusar a pagar impostos à coroa portuguesa; em 1792 o corpo do Tiradentes foi

esquartejado e exposto em postes na estrada que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais; a

cabeça de Antônio Conselheiro, durante quase um século, foi exposta à curiosidade pública

num museu da Bahia; o mesmo ocorreu com Lampião, Maria Bonita e seus cangaceiros

emboscados nos Angicos, em 1938; mais recentemente, durante os anos da Ditadura Militar

registram-se casos de esquartejamento e decapitação na Casa da Morte, em Petrópolis e em

São Geraldo do Araguaia, no sul do Pará.


Impedidas pela reconstrução da Democracia de dedicar-se a esse exercício bizarro para

calar seus adversários, as elites conservadoras se entregam nessa etapa da História

ao esquartejamento moral dos opositores, servindo-se do machado cego de uma mídia

corporativa que escapa a qualquer tipo de prestação de contas à sociedade...


O Partido dos Trabalhadores não tem avaliado adequadamente a extensão e a profundidade

do estrago que sua presença produziu no cenário político, ao longo desses 34 anos, aos

interesses dos setores conservadores e – com a projeção que o país adquiriu no cenário

internacional – aos interesses dos setores econômico-financeiros dos países capitalistas

centrais. Sob a liderança do Presidente Lula, convertemos o Brasil numa das mais importantes

economias do mundo. Esse fato determina que os processos sociais e políticos no Brasil

deixaram de ser assunto doméstico e que o PT tenha se tornado alvo permanente dos ataques

dos setores ligados àqueles interesses. É daí que deriva a fúria com que a mídia conservadora,

incapaz de nos derrotar pelo voto, bombardeia o PT, bombardeia a atividade parlamentar,

bombardeia a atividade política e seus agentes, os Partidos, buscando criminaliza-los para

provocar a repulsa da sociedade e adere a uma perspectiva fascista historicamente conhecida

que, ao fim e ao cabo, defende a abolição da Política como forma de resolver os conflitos

sociais.


A mídia de direita se oferece como substituta da falência programática e política dos partidos

de direita que sequer têm coragem de se apresentar como tais. Sacrifica dessa forma um dos

elementos essenciais do exercício democrático: o direito do cidadão à informação. Se afasta

de qualquer vínculo com a verdade factual. O que importa é a versão, não é o fato. Vende

opinião como se fosse informação. Em síntese defende de forma implícita – não poucas vezes

explícita – a ditadura do grande capital como único mecanismo viável para o desenvolvimento

do país.


O Partido dos Trabalhadores depois de três décadas e meia de protagonismo nas lutas

contra a Ditadura empresarial-militar e pela reconstrução da Democracia se encontra numa

encruzilhada. Ou aprofundamos o processo de transformação que desencadeamos na

sociedade brasileira, produzindo alterações relevantes no sistema político partidário do

país e que resultou nos governos Lula e Dilma, nos afirmando como um partido socialista

ou sucumbimos a uma espécie de síndrome que acometeu um partido liberal democrático

como o PMDB desde a morte do Dr. Ulisses Guimarães: um partido sem projeto nacional,

um aglomerado de mandatos incapaz de se por à altura da tradição que construímos e dos

desafios para conduzir uma das maiores economias do mundo.


As eleições de 2014 reúnem, quem sabe, pela primeira vez, as condições de amadurecimento

dos novos interesses de classe até agora difusos que vieram ganhando contorno ao longo

do período de transição e foram acentuados pela emergência social da última década: para

os setores ligados ao capital financeiro, indústria automotiva e segmentos do agronegócio,

cujos interesses são expressos no discurso organizado pela mídia de direita, está esgotado o

modelo de crescimento com distribuição de renda, inclusão social e combate às desigualdades

regionais. Esses setores que ampliaram exponencialmente seus ganhos com a estratégia de

crescimento adotada nos últimos doze anos e com a maneira como o Brasil enfrentou a crise

de 2008, se inclinam agora, mirando o exemplo europeu, para a radicalização do programa

neoliberal de acumulação baseado na redução dos investimentos públicos, no desemprego em

massa, na anulação das conquistas alcançadas pelos trabalhadores ao longo do século XX,

que alcançaram seu ápice com o “Estado de Bem Estar Social”, sobretudo no pós-guerra.

Para o Partido dos Trabalhadores o desafio é dar um passo adiante no sentido de não se

contentar apenas com o modelo de distribuição de renda em curso. É necessário superar a

condição de refém das atuais alianças sociais e eleitorais, ampliar seu diálogo com os setores

de classe que emergiram na última década, para por o país em marcha na direção de um

modelo que radicalize a democracia, enfrente o problema da distribuição da riqueza como

forma de combater as criminosas desigualdades da sociedade brasileira e inclua a agenda da

sustentabilidade socioambiental ao novo ciclo de desenvolvimento.


A radicalização da democracia hoje, no Brasil, se traduz em duas bandeiras: em primeiro lugar

a garantia do direito à liberdade informação, negada pelos monopólios da mídia corporativa,

constitucionalizando as relações entre a mídia e a sociedade. Apenas isso: pondo em prática o

que está assegurado na Constituição de 88; e, em segundo lugar, uma Constituinte Exclusiva

capaz de realizar uma Reforma Política assentada no financiamento público de campanha,

no voto em lista, que rompa o controle do poder econômico sobre as campanhas eleitorais,

principal fonte alimentadora da corrupção do sistema político-eleitoral brasileiro.


Essa nova etapa exigirá o aprofundamento da política de valorização do Salário Mínimo,

pautar o debate e aprovar o Imposto Sobre Grandes Fortunas; implantar o Regime de Partilha

na exploração do Pré-sal, que assegure o investimento em educação, portanto, defender a

integridade da Petrobrás como garantia de um novo ciclo de desenvolvimento que assegure as

condições para o ingresso definitivo do Brasil na sociedade do conhecimento.


Voltamos para as ruas para encarar a batalha para reeleger Dilma Rousseff, sem esquecer

que os companheiros José Genoíno, José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo Cunha foram

condenados sem provas porque fazem parte dessa História que lhes contei aqui. Entre as

novas tarefas que o Partido dos Trabalhadores deverá cumprir nessa campanha está a

recuperação da autoestima dos brasileiros e de sua própria autoestima sistematicamente

demolidas pela mídia de direita. Ela não suporta a altivez que conquistamos com os

governos Lula e Dilma, diante do mundo. A direita brasileira, à falta de um projeto próprio de

desenvolvimento para o país, cultiva a subserviência, herdeira de uma visão colonizada e

provinciana do mundo. E retomar nossas bandeiras de compromisso com os trabalhadores

e os mais pobres para que as elites conservadoras que há alguns anos expressaram

publicamente o desejo de “acabar com essa raça”, entendam, três décadas e meia depois, que

viemos para ficar. E lembra-los inspirados em Neruda “Para nascer, nascemos”.


(*) Hamilton Pereira (o Poeta Pedro Tierra) é militante do Partido dos Trabalhadores.

**Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

Postado por JÚLIO GARCIA



JÚLIO GARCIA

*Júlio César Schmitt Garcia é Advogado, inscrito na OAB/RS sob o nº 91.182. - É Pós-graduado em Direito do Estado pelo UniRitter Canoas/

RS. - Consultor. - Piloto Privado. - Articulista, blogueiro, twiteiro... - Este blog traz: notícias, comentários, artigos, poemas... uma alternativa

para quem busca informações que fujam do 'lugar comum' da chamada 'grande mídia' (com suas contumazes distorções e hipocrisias.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mãe Stella faz uma reflexão sobre a religião Yorubá

21 de maio de 2014
Mãe Stella lança novo livro. Foto: Margarida Neide/Ag. A TARDE/ 29.11.2012
Mãe Stella faz bela reflexão sobre religião. Foto: Margarida Neide/Ag. A TARDE/ 29.11.2012
Maria Stella de Azevedo Santos
Mais uma polêmica para que possamos refletir e dar um passo rumo a um estágio evolutivo elevado que ajude a construir uma sociedade harmônica e equilibrada. O noticiário televisivo deu a seguinte manchete: “Juiz não reconhece manifestações afro-brasileiras como religiões. A decisão gerou polêmica e surpreendeu líderes do candomblé e da umbanda e o Ministério Público Federal.” Sou uma líder do candomblé e confesso que eu não fiquei nem um pouco surpreendida.
Venho de um tempo em que a referida religião era perseguida pela polícia, em virtude de na época o Brasil ter uma religião oficial – o catolicismo. A atitude do juiz precisa ser compreendida, porém jamais pode ser aceita. Optei por não dizer seu nome, pois o nome de uma pessoa é tão sagrado que não deve ser pronunciado quando o dono dele comete atos impensados e infelizes.
Um belo e significativo ensinamento da Ordem Rosa Cruz diz: “Eu te compreendo, mas em nome do verdadeiro amor não posso aceitar.” Podemos compreender uma atitude que tem por base o preconceito, que é fruto da ignorância sobre o tema que o juiz ousou julgar. O ignorante é assim mesmo: é insolente, “grosseiro nos gestos, nas palavras ou nas ações.”
Não fiquei surpresa, fiquei indignada. Senti repulsa, não pelo cidadão em si, mas pelo seu ato vergonhoso. Quanto a meu irmão que praticou tal ato, verdadeiramente, senti pena e, consequentemente, desejo de ajudá-lo. Afinal, ele é meu irmão, somos filhos de uma única energia, que para o candomblé é chamada de Olorum – o Deus Supremo, que vive no céu (no orum), o qual se expandiu e Dele fez surgir todos os seres vivos que habitam a Terra.
Essa é uma explicação que dou para ajudar meu irmão a entender que as religiões de matriz africana têm, sim, um texto base no qual se baseiam para realizar seus rituais, mas principalmente para ajudar seus adeptos a se tornarem cidadãos “assentados” no bem e na verdade. Esse texto base nos ensina que não basta sentir pena. O Código de Ifá, conjunto de ensinamentos no qual se baseia o candomblé, ensina a seus adeptos que a ignorância precisa ser perdoada, compreendida, mas nunca aceita, e que cabe àquele que conhece os mistérios, instruir aqueles que não os conhecem. Obedecendo, portanto, às orientações dadas pelos seres superiores, esclareço a meu irmão alguns detalhes do candomblé sobre o qual ele demonstra não ter o conhecimento necessário para realizar um julgamento.
A religião trazida para o Brasil por um povo possuidor de dignidade e generosidade inigualáveis tem um texto base, o qual é inclusive codificado através de códigos matemáticos. Não podemos, nem devemos esquecer-nos que um texto, em seu sentido amplo, é um conjunto de palavras expressas de maneira oral ou escrita, que pode ser longo ou breve, antigo ou moderno. Preciso pacientemente repetir que o texto base do candomblé é o Código de Ifá, pois um educador é educado para ser paciente. E nós, sacerdotes de qualquer religião, somos educadores de almas. Explicando ainda mais um pouco, o Código de Ifá é um sistema longo e antigo, considerado axiomático por revelar verdades universalmente dignas e válidas, ditas de maneira simples para expressar a complexa realidade da vida.
Também pacientemente repito que o candomblé possui um Deus Supremo, sendo os orixás divindades que servem como intermediárias entre Olorum e os humanos. Quanto à hierarquia, este é um dos grandes e fortes pilares dessa religião milenar, tanto no que se refere ao mundo das divindades quanto à comunidade dos “terreiros”.
No mundo sagrado se tem: Olorum, orixás funfun (descendente direto do hálito do Deus Supremo), orixás vinculados ao ar, água, fogo e terra, seres humanos, animais, vegetais e minerais. Nas comunidades do candomblé a hierarquia está em tudo: nos cargos (iyalorixá, iyakekere egbomi, yaô, abian); no respeito à idade de nascimento do corpo (os “nossos mais velhos”) e à idade de nascimento, na Terra, da essência divina de cada um. Encerrarei este texto com um provérbio contido no Código de ifá: “O tempo pode ser longo, mas uma mentira não cai em esquecimento.”
Maria Stella de Azevedo Santos é Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá. Quinzenalmente, ela escreve para o jornal A TARDE, sempre às quartas-feiras.
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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Meia, Meia, Meia, Meia ou Meia?


A língua portuguesa é uma das mais difíceis do mundo, até para nós.
O português praticado no Brasil ... 

*Na recepção dum salão de convenções, em Fortaleza*

- Por favor, gostaria de fazer minha inscrição para o Congresso.
- Pelo seu sotaque vejo que o senhor não é brasileiro. O senhor é de onde?
- Sou de Maputo, Moçambique.
- Da África, né?
- Sim, sim, da África.
- Aqui está cheio de africanos, vindos de toda parte do mundo. O mundo está cheio de africanos.
- É verdade. Mas se pensar bem, veremos que todos somos africanos, pois a África é o berço antropológico da humanidade...
- Pronto, tem uma palestra agora na sala meia oito.
- Desculpe, qual sala?
Meia oito.
- Podes escrever?
- Não sabe o que é meia oito? Sessenta e oito, assim, veja: 68.
- Ah, entendi, *meia* é *seis*.
- Isso mesmo, meia é seis. Mas não vá embora, só mais uma informação: A organização do Congresso está cobrando uma pequena taxa para quem quiser ficar com o material: DVD, apostilas, etc., gostaria de encomendar?
- Quanto tenho que pagar?
- Dez reais. Mas estrangeiros e estudantes pagam *meia*.
- Hmmm! que bom. Ai está: *seis* reais.
- Não, o senhor paga meia. Só cinco, entende?
- Pago meia? Só cinco? *Meia* é *cinco*?
- Isso, meia é cinco.
- Tá bom, *meia* é *cinco*.
- Cuidado para não se atrasar, a palestra começa às nove e meia.
- Então já começou há quinze minutos, são nove e vinte.
- Não, ainda faltam dez minutos. Como falei, só começa às nove e meia.
- Pensei que fosse as 9:05, pois *meia* não é *cinco*? Você pode escrever aqui a hora que começa?
- Nove e meia, assim, veja: 9:30
- Ah, entendi, *meia* é *trinta*.
- Isso, mesmo, nove e trinta. Mais uma coisa senhor, tenho aqui um folder de um hotel que está fazendo um preço especial para os congressistas, o senhor já está hospedado?
- Sim, já estou na casa de um amigo.
- Em que bairro?
- No Trinta Bocas.
Trinta bocas? Não existe esse bairro em Fortaleza, não seria no Seis Bocas?
- Isso mesmo, no bairro *Meia* Boca.
Não é meia boca, é um bairro nobre.
- Então deve ser *cinco* bocas.
- Não, Seis Bocas, entende, Seis Bocas. Chamam assim porque há um encontro de seis ruas, por isso seis bocas. Entendeu?
- Acabou?
- Não. Senhor é proibido entrar no evento de sandálias. Coloque uma meia e um sapato...

O africano enfartou...


domingo, 18 de maio de 2014

Velha mídia, maior partido de oposição



Publicado em 18 de maio de 2014 por Inês Castilho


Governo foi tímido na questão da comunicação, e talvez Dilma esteja pagando um preço 

alto por isso. Mas quem perde é sociedade brasileira.

Por Luís Vita


Não é novidade pra ninguém habituado a consultar mídias alternativas que a 

grande imprensa é anti esquerdista por princípio e antigovernista por opção política. 

O apelido PIG – Partido da Imprensa Golpista, uma referência a porco, em inglês 

– não é só uma alusão à atuação conspiratória da mídia contra o governo e as 

demandas populares, mas também uma acusação ao papel partidário que adota.

Desde pelo menos o golpe de 1964 a mídia se tornou ator central da opinião 

pública nacional, trabalhou para fundamentar o golpe, e até hoje expressões 

como dita branda podem ser encontradas em editoriais. Obviamente as redações 

dos órgãos de imprensa não eram formadas apenas por apoiadores do golpe, 

mas a pressão exercida sobre editores e jornalistas adestrou o comportamento 

da opinião pública. A velha mídia é constituída por empresas, e as empresas 

tratam as questões políticas como uma questão econômica – não exatamente 

macroeconomia, mas microeconomia, as contas domésticas. Nacionais e 

internacionais.

Joseph Nye, um consultor do departamento de Estado travestido de intelectual 

orgânico, define muito bem o poder norte-americano. Aponta suas duas 

origens: Hard Power e Soft Power (em má tradução, poder duro e poder brando; 

poder militar e poder ideológico seria mais exato). O que melhor traduziria 

o poder ideológico que o poder midiático? A proposta de leitura do contexto 

internacional criado pela Guerra Fria, na mídia periférica – entre elas a brasileira 

– foi a necessidade de se alinhar partidarização política em defesa de regimes 

opressores e aliados aos interesses do grande capital em troca de propaganda e 

financiamento.

Corporações compravam – e compram – propaganda. Em troca, querem as 

notícias certas. Corporações internacionais norte-americanas sempre financiaram 

ações da política externa naquele país. Nessa estratégia, buscaram oligarquias 

locais para sustentar internamente suas políticas. Aliado a isso, regimes ilegítimos 

colocaram suas estatais e órgãos de comunicação para comprar propaganda. Soft 

Power e Hard Power significam isso.

Nem sempre a força militar é suficiente para impor o silêncio à sociedade civil. A 

inovação do departamento de Estado dos Estados Unidos é que eles passaram a 

oprimir opositores internacionais e comprar silêncios. Os regimes das oligarquias 

locais e seus apoiadores internacionais financiavam e ainda financiam a grande 

imprensa. E a grande imprensa não tem mais condições de descolar-se disso. Boa 

parte da literatura em Ciência Política – José Luis Fiori, Emir Sader, Boaventura de 

Sousa Santos etc – define o neoliberalismo como a invasão estrangeira sobre os 

países periféricos, mas sugiro que, como estratégia, isso tenha surgido já nos anos 

1950 do macarthismo.

Quando houve o processo de transição para as democracias na América Latina, 

os governos democráticos assumem ou mantém o mecanismo de financiamento 

da mídia, entre outras coisas porque não vai conseguir apoio e legitimidade 

dos veículos de imprensa sem a manutenção do esquema que inevitavelmente 

concentrou a imprensa. Vejam o que aconteceu com Cristina Kirchner e o Clarín, 

na Argentina, e o que aconteceu com Hugo Chaves e a PDV, na Venezuela. Não 

por acaso, cada país da América Latina tem seu grupo midiático hegemônico. E 

neste caso não se trata simplesmente de manter a propaganda governamental e 

das empresas estatais nas páginas dos jornais e revistas, mas também de manter 

o acesso dos interesses do grande capital nos governos e o acesso privilegiado à 

informação dos âncoras dos principais órgãos de imprensa. São essas as fontes 

que fazem com que a mídia tenha sua capacidade de financiamento ativa e seu 

poder de influência perpetuado. O capital midiático nacional está comprometido, 

associado e dependente do capital corporativo internacional.

Mas, fica a pergunta: por que a mídia brasileira tornou-se praticamente o principal 

partido de oposição? Obviamente porque o governo tem trabalhado, consciente 

ou inconscientemente, na contramão das três principais fontes do poder da mídia 

brasileira.

Os governos que assumiram após 2002, primeiro, fizeram uma tentativa de 

ressuscitar interesses nacionais e corporações nacionais para concorrer no 

mercado interno e externo. Segundo, reduziram o financiamento público e da 

propaganda governamental na grande mídia e tentaram pulverizar o financiamento 

da comunicação governamental (mesmo que timidamente). Terceiro, e talvez mais 

impactante, não mostraram a necessidade de se legitimar na mídia e dar a ela 

acesso privilegiado à informação.

Esta terceira ação do governo, ainda que bastante modesta, talvez seja a principal 

mudança conjuntural das comunicações no Brasil desde o golpe de 1964. O fato 

de o governo Lula e a sua posse não ter se legitimado na grande mídia e até 

mesmo a ausência de necessidade de Lula falar com seus apoiadores via mídias 

foi um grande golpe naquela imprensa ligada à legitimação dos governos e ativa 

como Soft Power.

Lula não teve apoio dos grandes veículos de comunicação, e mesmo que não 

tenha agido sistematicamente para multiplicar e descentralizar o acesso e os 

meios de comunicação, agiu no sentido de não se pautar ou se legitimar pelos 

meios de comunicação. Isso, por si só, é uma mudança que compõe uma ruptura 

fundamental em relação a pelo menos o regime de 1964. Mudança que Dilma 

aparenta dificuldade em manter…

Desde 1964 todos os governos precisavam de legitimidade institucional porque 

não dispunham de nenhum canal de comunicação popular que os legitimasse. Ao 

derrubar Jango, os presidentes militares precisavam de todo aparelho ideológico 

de que dispusessem para manter o poder, diante da fissura que realizaram nas 

instituições da sociedade civil. A mídia era personagem central. Sarney idem, 

herdou o trono de Tancredo e não podia se dar ao luxo de não se apoiar em 

propaganda midiática. Collor, então, foi a expressão cabal da importância e 

influência da mídia. Forjado nas redes de televisão e jornais, foi também o maior 

exemplo dessa esquizofrenia brasileira. Itamar não teve força para agir e FHC foi 

o que melhor contemplou os interesses que se manifestavam desde os militares, 

porque reforçou a presença das corporações internacionais no país, promoveu 

privatizações e conseguiu aliar os interesses internacionais em pauta com boa 

circulação na imprensa.

Lula chega ao poder com um projeto próprio de governo. Um verdadeiro escândalo 

àqueles que caminhavam soberanos nos corredores dos palácios, dizendo quais 

informações eram relevantes e quais não eram. Concordemos ou não com Lula, 

seu estilo próprio de comunicação é novidade. Uma enorme novidade. Os projetos 

de poder, até então, não eram representados pelos partidos, mas pela aliança 

entre capital internacional e empresas nacionais dependentes – incluindo a grande 

mídia com seus empresários conservadores, associados ao capital internacional 

em negócios dependentes do financiamento externo. Lula e os governos petistas 

romperam com isso?

Seria ingênuo dizer que sim, mas, ao não alimentar as engrenagens desses 

mecanismos, criaram muitos ruídos e falhas de funcionamento na velha estrutura.

Para os jornalistas da grande mídia é um escândalo – repito, um escândalo – o 

PT ter um projeto de poder, uma estratégia para ganhar cada vez mais eleições. 

Mas, o que é um partido político se não uma associação que organiza um projeto 

de tomada do poder e governo? É pra isso que se constitui um partido político. E, 

neste sentido, ao ter uma pauta própria de governo, a maior ruptura realizada foi a 

retomada (pelo menos em parte) da agenda de governo. Sim, aconteceu o óbvio, 

mas um óbvio que não ocorria no Brasil desde 1964, ao menos. Agora, veja só que 

escândalo: o próprio governo reivindica fazer a pauta de governo.

Quem se acostumou a dizer o que deve ser prioritário? O que é emergencial, se é 

a inflação ou o emprego, se é a política interna ou externa, se é a copa do mundo 

ou a saúde pública? Quem dizia qual pauta deveria ser seguida era a mídia. 

Editores tinham poder em relação a vários temas. Obviamente, no regime militar 

o limite era não falar mal do governo, não acusá-lo diretamente, mas, entre os 

temas discutidos, a mídia tinha papel de representar interesses incorporados ao 

governo. E depois, na redemocratização, e até o final do século XX, foi crescente a 

influência da mídia.

Talvez porque os elementos não estavam postos, ou porque não havia maturidade 

política, ou porque faltou apoio popular, ou porque faltou uma análise mais 

aprofundada, mas devemos reconhecer que o governo negligenciou essa área. 

Poderia avançar muito mais em questões como a descentralização e multiplicação 

dos espaços midiáticos, a pulverização dos recursos e a abertura da pauta e da 

informação.

As ações do governo tiveram que enfrentar momentos de crise instigados por 

uma imprensa não só tendenciosa, mas raivosa. Na ausência de uma oposição 

com base social, ela é hoje a principal oposição organizada. Nas suas constantes 

tentativas de deslegitimar as políticas do governo e tentar conseguir apoio popular, 

substitui qualquer liderança partidária.

O governo foi tímido na questão da comunicação, e talvez Dilma esteja pagando 

um preço alto por isso. Mas quem perde é a sociedade brasileira. Não temos um 

grande veículo de esquerda circulando entre os maiores editoriais, são esparsas 

e cada vez mais esmagadas as posições progressistas. Agora não se trata mais 

de uma visão distorcida da realidade, porque só apresenta um lado da questão – 

passamos para as visões tendenciosas, que se apoiam na ladainha da oposição 

cega dos veículos de comunicação. Só isso explica a nova moda de quem acha 

que questionar a Copa do Mundo é um ato de cidadania.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Artista de Casimiro de Abreu é selecionado para participar de Mostra Cultural no Rio de Janeiro



Raimundo de Carira vai expor três telas inspiradas em suas histórias de vida


Com 73 anos, o artista plástico Raimundo de Carira, morador de Casimiro de Abreu, acumula histórias conquistadas pelas diversas cidades brasileiras por onde passou. São estas vivências que ele coloca em seus quadros. Três de seus trabalhos poderão ser vistos na Mostra Cultural, que faz parte do Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro e será realizada na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, na capital. O evento acontece entre os dias 9 e 11 de maio.

Dos quadros que poderão ser observados pelo público, um deles faz alusão ao carnaval, outro mostra a zona meretriz do Maranhão e o terceiro traz o aspecto de uma área urbana repleta de casas. Em todas as telas uma característica é bem clara: as cores vivas e vibrantes. “São obras que coloco o meu passado. Às vezes me pego dando risadas dos fatos acontecidos”, comentou.



 O trabalho de Carira é bem singular, mas remete bastante ao cubismo com suas figuras geométricas e, em alguns momentos, usa imagens características do Barroco. As pinturas são feitas somente sobre telas e a tinta utilizada é a plástica. “Muitas referências vêm das casas e dos azulejos  que observamos nas visitas feitas ao Maranhão”, disse o artista.




 O ARTISTA - Raimundo de Carira nasceu no Estado do Sergipe. Começou a pintar aos cinco anos de idade dentro do armazém do pai. Veio para o Rio de Janeiro com 13 anos, mas viajou pelo Brasil mostrando a sua arte. Atualmente, é morador de Casimiro de Abreu e a casa onde mora é repleta de quadros em todos os cômodos. Segundo ele, se dedica à pintura aproximadamente seis horas por dia.

 
 O EVENTO - Com curadoria de Rafael Dragaud, também diretor artístico do evento, a Mostra Cultural reunirá apresentações de música, dança, teatro, caxambu, circo, folia de reis, mais artes visuais, gastronomia e artesanato. Na sexta-feira, dia 9, ela acontecerá das 15h às 23h. No sábado, dia 10, e no domingo, dia 11, irá das 11h às 23h. A entrada é franca. “Nosso objetivo, com o prêmio e a Mostra Cultural, é mostrar a diversidade artística dos nossos municípios para todo o universo do estado, proporcionando um encontro rico e potente”, diz Eva Doris Rosental, superintendente de Artes.

Fonte: Secretaria Municipal de Comunicação Social - SECOM



Um momento inesquecível ao lado desse amigo e artista

Alfredo Oberg 




Fotos: Juliana Guzzo





terça-feira, 6 de maio de 2014

O Gato e a Espiritualidade


O Gato e a Espiritualidade.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não topa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento. 

O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. 
Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir. O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.
 O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. 
Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo.
 O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências. O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem."
 O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa, -- normalmente onde o gato deita com frequência, significa que não tem boa energia-- caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali. Observe que do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, poi ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele. O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta.
 No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos. "O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final."
Fonte: The Mythology Of Cats, Gerald & Loretta Hausman