quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A Crise de Sentido...



Há uma parábola Taoista de Chuang-Tzü, sábio chinês que ajudou a fusão do Taoísmo com o Budismo, através de Bodhidarma, fundando assim o Zen. Ele nos mostra através de um conto, a crise de sentido gerada por um ego carente em ocupar-se com algo que tenha grande importância e expresse finalidade, para poder sentir-se útil e recuperar a autoestima.
O Velho Carvalho...

Um carpinteiro ambulante chamado Stone viu ao decorrer de suas viagens, em um campo próximo de um lar rústico, um velho e gigantesco carvalho.. Comentou então com seu aprendiz que admirava o carvalho secular: Esta árvore não tem qualquer serventia, pois se quisermos fazer um barco com a sua madeira, ela apodreceria, se quiséssemos utilizá-la para construção de ferramentas e móveis de uso doméstico, elas logo se haviam de quebrar. Para nada serve esta árvore, por isso chegou a ficar assim tão velha.

Na mesma noite, numa hospedaria, o velho carvalho apareceu em sonho ao carpinteiro e disse: Por que você me compara às árvores cultivadas, como a pereira, a macieira, a laranjeira e todas as outras árvores frutíferas? Antes de amadurecerem seus frutos as pessoas já as atacam e violentam quebrando os seus galhos, arrancando os seus ramos e chamando isso de “poda”. As dádivas que trazem só lhes acarretam o mal, impedindo-as de viverem como são, integralmente, até o fim de suas existências de forma natural. É o que acontece em todos os lugares; por isso esforço-me há tantos anos em aceitar-me como sou aparentemente inútil aos interesses alheios. Pobre mortal!... Crês que se tivesse servido a algum propósito humano, teria chegado até aqui com essa altura e essa idade, vivendo tanto tempo? 

Além disso, tu e eu somos ambos criaturas, como pode , uma criatura erigir-se em juiz da outra? Mortal criatura, que sabes a respeito da inutilidade das árvores?

O carpinteiro acordou e pôs-se a meditar sobre o sonho arquetípico que tivera. Mais tarde, quando o aprendiz perguntou-lhe: porque só aquela árvore protege o altar rústico daquela aldeia, respondeu-lhe o carpinteiro: Cala-te! Não falemos mais nisso! A árvore nasceu aqui propositadamente, porque em qualquer outro lugar já teria sido derrubada. Aqui ela tem uma função junto ao altar rustico... “É um marco espiritual”.


O carpinteiro discerniu bem a respeito desse sonho, observando que realizar seu destino é o maior empreendimento do ser, e que o nosso utilitarismo deve ceder às exigências da nossa psique inconsciente.

Tentar traduzir esta parábola Zen em uma linguagem psicológica é considerar a árvore como símbolo do processo de individuação, de uma boa lição ao nosso ego, com tão curta visão.

Sob a árvore que cumpria o seu destino, havia um altar rústico, isto é, uma pedra bruta, sobre a qual eram oferecidos sacrifícios ao deus local, “proprietário” natural daquele pedaço de terra. O simbolismo desse altar significa que para realizarmos um processo de individuação e crescimento é preciso nos submeter conscientemente ao poder do inconsciente, como aconteceu com Jacó, em Gênesis 28:10, naquele inóspito deserto, ao invés de pensarmos no que “devemos fazer”, ou “o que se faz habitualmente”, ou “o que consideram melhor fazer”, etc. É preciso apenas saber ouvir-se para poder compreender o que a sua totalidade interior quer que façamos, aqui e agora, com essa qualidade-momento e determinada situação.

Nossa atitude deve ser como a do carvalho de que acima comentei: não se aborrece quando na sua germinação e crescimento depara-se com alguma pedra acima, nem faz planos para vencer os obstáculos. Tenta apenas sentir se deve crescer à direita ou à esquerda, em direção à encosta ou afastado dela. Assim, tal como a árvore, devemos nos entregar a esse impulso quase imperceptível e, no entanto, poderosamente dominador – um impulso que vem do âmago, um anseio por uma auto realização criadora e única. Talvez, você tenha a revelação que Jacó teve, que apesar das condições externas reinantes, Deus está exatamente ocupando o espaço interno, pouco considerado até aqui, onde os sentimentos e as emoções foram substituídos pela racionalidade unilateral, que apesar de terem sido colocados “para baixo do tapete”, nunca deixaram de carecer a atenção e a importância devida para que a vida tivesse um sentido e, não uma lógica, que é muito melhor ser feliz do que ter razão. Felizmente, tanto o jardineiro da parábola acima, como Jacó, consideraram conscientemente a mensagem que o inconsciente vos deu, pois Deus nos revela exatamente aí, e de forma muito pouco ortodoxa e racional os seus propósitos dentro das mais contraditórias situações aparentes... Não procure o “bem de difícil alcance” nos conceitos racionais, você é uma obra acabada, não há o que colocar e nem tirar, Ele não errou a mão... Ame-se em primeiro lugar, ame ao próximo como a si mesmo, pois isso substitui qualquer louvor ou oração que você possa fazer, pois Ele ama o seu amor, pois Ele está em você e você, n’Ele!

Quantas vezes julgamos pelo que achamos e não pelo que é? Isso se chama "projeção". O objeto julgado é apenas um espelho do que existe esquecido, escondido, desconsiderado ou reprimido em nós. Logo, quando julgamos algo ou alguém, apenas estamos nos revelando inconscientemente. Quando o ser se ama profundamente, não necessitando usar uma máscara coletiva para poder viver escondido de si próprio, ele jamais julga algo ou alguém. Revela-se neles!

José Alfredo Bião Oberg




segunda-feira, 13 de abril de 2015

O discurso de Marco Antônio nos funerais de Cezar - Uma obra de Shakespeare.















Tão atual nos dias de hoje, que comentá-la nas ruas poderia suscitar a possibilidade de estarmos colocando carapuças nas cabecinhas de uns e outros desavisados quanto a possibilidade de terem acabado de dar um belo tiro nos pés...

Não será um déjà vu?

O que podemos tirar de útil dessa memorável obra do grande Shakespeare?



A cena é a seguinte:
                                                                    
Cezar está morto, e Brutus, o assassino, é chamado para dizer à população romana, junto ao cadáver, porque motivos matou Cezar.

Imaginem uma multidão ululante, pouco favorável a Cezar, que já acreditava que Brutus tivera um gesto nobre, matando-o.

Brutus sobe a tribuna e faz um breve e pragmático relato das razões que o levaram a suprimir Cezar. Conhecido e querido por se identificar com os anseios populares, não viu nenhum motivo para preocupar-se com o clamor das ruas, pois essas eram as mais favoráveis possíveis. Convencido que havia dito aquilo que era esperado, sentou-se sob aplausos. A sua atitude refletia aquele que julga que a sua palavra vai ser aceita sem discussão; era uma atitude altiva, de quem está acostumado com as vozes das ruas e o clamor popular.

Como era de se esperar, Marco Antônio teria que subir à tribuna, sabendo que a multidão é contra ele, por ser amigo do arrogante e reativo Cezar.
Num tom de voz humilde, baixo, porém firme, Marco Antônio começou a falar:
Povo de Roma, venho vos falar em nome de Brutus!

Alguém mais cético na multidão pergunta o que era esperado: O que dirá ele sobre Brutus?

Alguém ao lado, responde: Diz ele, que é em nome de Brutus que se encontra aqui para falar. Acho melhor que não venha falar mal de Brutus aqui.

Um cidadão comum, diz: Esse Cezar era um tirano, distante do povo.

Ao lado, um cidadão: Certamente. É uma felicidade o ocorrido, Roma assim se verá livre dele.

Alguém na multidão grita: Silêncio! Ouçamos o que Marco Antônio vai nos dizer...

Obs. Vamos observar agora como se neutraliza as mentes daqueles que estão arrebanhados por um inconsciente coletivo apaixonado...

Marco Antônio: Amáveis romanos!

Todos: Silêncio! Ouçam!

Marco Antônio: Amigos, concidadãos, romanos, prestai-me atenção: aqui estou para enterrar Cezar, não para louvá-lo.

Obs. Acabara de aliar-se ao estado de espírito dos ouvintes.

O mal que os homens praticam lhes sobrevive; o bem, porém, é sempre enterrado com seus ossos... O mesmo acontece com Cezar. O nobre Brutus vos afirmou aqui nessa tribuna que Cezar era um ambicioso, um reativo, perseguidor, um incapaz de ouvir o clamor das ruas. Se assim era, ele cometeu uma falta muito grave, mas já passou por ela...

Aqui, com a permissão de Brutus e de seus companheiros, - porque Brutus é um homem respeitável e assim, são todos os homens de bem, - venho falar-vos nos funerais de Cezar.

Era meu amigo; foi justo e leal comigo; Brutus, porém, disse que ele é um homem ambicioso, e Brutus é um homem respeitável. Todos vós vistes como nas Lupercais, por três vezes lhe apresentei uma coroa de rei e três vezes ele a recusou. Seria isso ambição? Entretanto Brutus disse que ele era ambicioso, e sem dúvida alguma Brutus é um homem respeitável. Falo aqui, não para desaprovar Brutus, mas para dizer o que sei...

Outrora, vós o elegestes e não sem um motivo justo. Agora, que motivos impedem de chorá-lo? Ó razão! Fugistes para as feras e os homens não raciocinam. Perdoai-me. O meu coração está na esfinge com Cezar. Devo parar até que ele volte para mim.

Obs. Esta é uma parada obrigatória e estratégica, para dar tempo aos ouvintes de discernir às pressas, entre si, as suas afirmativas claras.
O objetivo aqui era observar o efeito que suas palavras produziam, ajudado por alguns desconhecidos amigos infiltrados na multidão.

Um amigo na multidão disse: Parece-me que há muita coisa nas suas palavras que precisamos ouvir para saber...

Um ouvinte cético comentou assim: Se considerares devidamente o assunto, verás que César cometeu grandes erros.

Outro amigo retruca: Verdade, amigo? Temo que o seu substituto seja muito pior!

Outro amigo infiltrado diz: Prestastes bem atenção às palavras dele? Cezar não quis aceitar a coroa. Isso prova que ele não era ambicioso.

O primeiro amigo acrescenta: Se for assim, alguém pagará caro por essa possível substituição...

Outro amigo diz: coitado do Antônio! Chorou tanto que tem os olhos vermelhos.

O primeiro amigo diz: Não há em Roma homem mais nobre que Marco Antônio.

Alguém do povo: Atenção, ele vai começar a falar novamente.

Marco Antônio: Ontem, a palavra de Cezar podia dominar o  mundo; hoje ele jaz aqui e uma parte dos homens não o venera. Senhores! Se quisesse disputar, inflamar os vossos corações e as vossas mentes com a revolta e a cólera, acusaria Brutus, acusaria Cássio, que todos vós sabeis, são homens respeitáveis.

Obs. Se Marco Antônio tivesse começado seu discurso com ataques, a história teria sido outra... Observem quantas vezes Marco Antônio repete o termo “respeitável”. Vejam com que inteligência ele sugere que Brutus e Cássio não são tão respeitáveis assim, como julga a população romana. Esta sugestão é levada a efeito nas palavras “revoltas”, “cólera”, “se eu quisesse despertar” e “acusaria”...

Vai ele agora construindo sutilmente frases que gerarão um novo estado de ânimo nos ouvintes. Apelou para a curiosidade da multidão em saber que “acusações seriam essas”...

Marco Antônio: Aqui está um pergaminho com o sinete de Cezar, que encontrei no seu gabinete; é o seu testamento, aquilo que ele deixa para o povo de Roma. Se ouvísseis a leitura deste testamento, o que, - perdoai-me, não pretendo fazer aqui, tenho a certeza que todos vós beijaríeis as feridas de Cezar assassinado, molharíeis os vossos lenços no sangue sagrado, imploraríeis fios de seus cabelos como lembrança.

Obs. Agora, resolve aguçar mais ainda a curiosidade da população, pois a natureza humana sempre deseja aquilo que é difícil de conseguir ou daquilo que vai ser privado. Observe que essas coisas uma vez obtidas perdem o seu valor... Assim, Marco Antônio despertou o interesse e a cobiça pelo Testamento de Cezar, preparando-os para o escutarem com um “espírito aberto”.

Todos gritavam: O Testamento! O Testamento! Queremos ouvir o que nos deixou Cezar.

Marco Antônio: Tende paciência, generosos amigos; não o devo ler. Não é bom que saibas agora o quanto Cezar os amou e fez por Roma. Não sois feito de pedra; sois humanos! E sendo humanos, ao ouvir poderíeis ficar furiosos.

Não, não é bom saberdes nesta hora que sois herdeiros de Cezar, pois, se souberdes que poderá acontecer? É imprevisível!...

Um amigo na multidão grita: Queremos ouvir a leitura do testamento! Marco Antônio lê agora o Testamento de Cezar!

Marco Antônio: Quereis ser pacientes? Quereis esperar um pouco? Fui muito longe falando nisso... Temo ter acusado homens respeitáveis que cravaram seus punhais no coração de Cezar.

Obs.: Sugeriu aqui um assassinato, chamando-os de assassinos.

O amigo na multidão aproveita e grita acompanhado de muitos: Estes homens respeitáveis são uns traidores!

Todos: O testamento! O testamento!

O amigo na multidão volta à carga: São uns vilões, uns assassinos! O testamento!

Marco Antônio: Exigis de mim a leitura do testamento? Então formai um círculo em torno do corpo de Cezar, para que vos possa mostrar o autor do testamento. Posso descer? Permitis isso?

Obs. Nesse ponto, Brutus deveria segui o meu conselho: Pegar uma biga com uma ótima parelha de cavalos e cair fora!

Todos: Vinde!

Um cidadão: Descei!

Um desconhecido: Lugar, lugar para Antônio, o nobilíssimo Antônio.
Marco Antônio: Não fiqueis tão próximos de mim. Afastai-vos um pouco.

Obs. Ele sabia que dando essa ordem ainda os aproximaria mais, e era justamente o que desejava.

Todos: Para trás, para trás.

Marco Antônio: Se tendes lágrimas preparai-vos para derramá-las! Todos vós conheceis este manto. Lembro-me da primeira vez que Cezar o vestiu. Foi numa noite de verão, na sua tenda, no dia em que bateu os Nérvios. Olhai: aqui penetrou o punhal de Cássio. Vede o rasgão que fez o invejoso. Foi aqui também, que o bem amado Brutus cravou o seu punhal. E, ao ser retirado este, como que o sangue de Cezar seguiu a lâmina para se certificar de que era Brutus, quem o ferira tão impiedosamente, pois Brutus, como sabeis, era o anjo de Cezar. Chorais agora, pois percebo que vos sentis comovidos; derramai as lágrimas da compaixão. Olhai aqui; vede o próprio Cezar dilacerado pelos seus traidores.

Obs.: Observem que aqui, Marco Antônio emprega a palavra “traidores” porque sabe que as mesmas estão em harmonia com o que domina as mentes da população.

Um simples cidadão: Que triste espetáculo!

Outro cidadão: Que dia fatal!

Um amigo oculto: Havemos de vingá-lo!

Todos: Vingança! Vingança! Vamos buscá-los! Não deixemos vivo um só traidor!

Marco Antônio: Parai concidadãos!

Um cidadão: Calma! Ouçamos o nobre Antônio!

O amigo oculto: Escutemo-lo, sigamo-lo, morramos com ele!

Obs. Pronto!... A certeza agora era que a multidão estava com ele, Marco Antônio.

Marco Antônio: Generosos amigos! Não desejo incitá-los de maneira alguma à revolta. Os autores desse feito tinham seus motivos e eram homens respeitáveis. Que motivos os tinham para agirem assim? Acredito que diante de tal tragédia, tenham motivos justificáveis. Não vim roubar vossos corações. Não sou um orador como Brutus, mas, como sabeis um homem simples, franco; amava o meu amigo; eles sabiam disso muito bem, por isso me deram autorização para falar do meu grande amigo. Digo-vos apenas o que todos sabeis: se eu fosse Brutus e Brutus fosse eu, talvez pudesse inflamar os vossos espíritos.

Todos: Estamos revoltados!

Um amigo; Incendiaremos a casa de Brutus.

Outro: Vamos! Vamos!

Marco Antônio: Então amigos, não sabeis ainda o que fazer... Em que Cezar vos mereceu tanta dedicação nesta hora? Esquecestes o testamento...
Todos: O testamento! O testamento!

Marco Antônio: Aqui está o testamento e com o sinete de Cezar. Para cada um de vós deixa setenta e cinco dracmas.

Um cidadão romano: Nobilíssimo Cezar! Vingaremos a tua morte!

Marco Antônio: Ouvi-me com paciência.

Todos: Silêncio!

Marco Antônio: Além disso, deixou para vós todos os jardins, todo seu parque e os novos pomares que ficam deste lado do Tibre. Este era o verdadeiro Cezar! Quando surgirá outro igual?

Um cidadão: Nunca, nunca. Venham! Vamos queimar o seu corpo no lugar sagrado e com as mesmas tochas incendiaremos as casas dos traidores.

Levem o corpo!

Um dos cidadãos: Vão buscar o fogo!

E foi esse o fim de Brutus. O mais forte candidato a ser o sucessor de Cezar.

Obs.  Perdeu, apenas porque lhe faltou personalidade e bom senso para sugerir com bons argumentos e seguir de acordo com a receptividade da população romana, como fez Marco Antônio. Ao se julgar uma grande personalidade; inflacionou o seu ego, ficando obcecado e orgulhoso com seu feito. Achou que a realidade dos fatos podia falar por ele e assim bastavam para impor decisões e justificá-las...

Caso Marco Antônio tivesse subido à tribuna com a mesma empáfia e arrogância, teria dito: “Agora, povo romano, permiti que vos diga uma incontestável realidade sobre Brutus... ele é um verdadeiro assassino”!...

Decerto não teria continuado, pois a populaça o teria apupado... Hábil, usou de psicologia apresentando seu parecer e a realidade dos fatos, de tal modo, como não fosse uma ideia sua, mas da própria população de Roma. Basta observarmos como no seu discurso foi acentuado o “vós e não o “eu”“.

Toda e qualquer situação pode ser revertida... Depende unicamente da forma e do conteúdo da comunicação.





























quarta-feira, 1 de abril de 2015

"Farinha pouca, meu pirão primeiro"!

A turma do "farinha pouca, meu pirão primeiro" estava muito intocada... Soube que andaram legislando em causa própria, aproveitando-se do sofrimento de famílias que perderam seus empregos para pressionarem o governo a atender os seus próprios interesses. A piada é a pretensa auto denominação de representantes dos "interesses da população", coisa que já o são por direito e decreto, ficando em falta apenas com o de fato. O que mudou? A marca do veículo que leva alguns eleitores aos arredores para o tratamento de doenças? O único serviço que ainda não caiu em desuso, apesar da crise. Tem gente trocando voto por essa serventia, batendo no peito que quem o deu é merecedor de voto.

Numa hora dessas em que a população já tomou conhecimento através de reportagens oficiais que outras cidades importantes da região se encontram em situação idêntica, que foram tomadas medidas em conjunto para tentar contorná-las, esses ancestrais da política estão tentando travestir-se de guardiões sociais das necessidades alheias, enquanto vivem a "síndrome da hiena", ou seja, alimentam-se com o que sobrou das vítimas, negociando com o Estado uma permeabilidade conveniente. Um divórcio fica estabelecido...

Fica a pergunta: já deram a partida para a campanha de 2016?

Se eu fosse um deles, nem falaria nisso agora. Iria ficar mostrando o crescimento das flores, a lua na serra, como se nada estivesse acontecendo...

O que está acontecendo? Nada, por definição! Ou seja: ninguém fazendo nada é objeto da agenda pública. Porque? Estão se promovendo num espaço público como os guardiões do interesse geral de uma população que está atenta e consciente que não se toma medidas duras e necessárias para se reverter infortúnios, com "abracadabras"! A temática pessoal a respeito de qualquer coisa não representa nada para esses, pois eles dizem pra você que já disseram aquilo que você ainda não sabe ao certo o que dizer... Você fala como se ainda houvesse algum eco ou ressonância e é ouvido como se fosse um inocente útil. Que mico!

Assim, como nesse caso, você já percebeu que para interagir é preciso compartilhar temas que nunca foram temáticas definidas por nenhum de nós, opinião pública, mas sim por eles. Nós apenas polarizamos entre a turma que diz amém e a que desconfia. 

Dessa manobra desafortunada, o passo seguinte foi digladiar-se entre si, procurando um "boi de piranha" entre eles para segurar a rebarba daquilo que foi compartilhado conscientemente por todos, com grande expectativa, e que fosse compreendido por osmose pela populaça. Esqueceram eles que a populaça não conclui nada de per si, depende somente da agenda pública pra saber o que deve ser deduzido e discutido, logo, deduziram que nada foi deduzido. Será que eles imaginaram que esse golpe representaria uma intervenção do legislativo em favor dos demitidos? Não só trariam de volta os seus apadrinhados, como também isso se reverteria em votos nas próximas eleições. Uma jogada supimpa! Como digo: melhor do que essa turma pra fazer oposição a um governo, só essa turma mesmo, ninguém melhor!  Sem nenhuma pesquisa de opinião, saíram "dando tiro adoidado"! Como a turma do executivo das regiões prejudicadas possui um QI melhor, uniram-se, falando a mesma língua e postando entre si as mesmas soluções nas mídias. 

Uma injeção de morfina no inconsciente coletivo das massas.

Depois de um "Dóminus vobíscum", só restara um "Miserére nobis", coisa que foi respondida em uníssono pela populaça. Não havia outra saída, senão dizer: Tende piedade de nós! De calça arriada, ninguém discute destino. É ou não é?

Como se pode ver, o passo seguinte foi passar de "cavalo pra burro", pois essa turma não sabia que uma maciça campanha de esclarecimento daquilo que só pode e deve ser esclarecido estava saindo do forno quentinha e prontinha em todas as mídias nacionais para "inglês ver"...  

Se vierem com aquela conversa que suas ações decorrem das opiniões pessoais manifestas nas ruas, desconfie! Estão querendo que você pense que a opinião que está na pauta das discussões é sua. São os famosos tutores da "livre manifestação alheia", ou melhor dizendo, "Personal Training" das manifestações populares. 

Estamos todos na mesma caravela. Se alguém gritar terra a vista, não corra para o convés. Deve ser um desses devotos, que trocou a culpa neurótica de pecado pela psicose da salvação, ou pior: alguém que ao perder as suas expectativas, aumentou os seus esforços... Malucos beleza! 

Aqui é a terra onde os ETs prometeram descer! A turma está esperando até hoje...

José Alfredo Bião Oberg






segunda-feira, 30 de março de 2015

Aquilo que está no contexto não é considerado no texto, como pretexto...

Estava no facebook
O Walter Sobral escreve criticando a opinião de alguns que apoiam o atual governo, aqueles que defendem a Petrobrás e os que desconsideram a nota dada pela agência de risco MOODYS.

Walter Sobral escreve:
"VEJA ESTÁ ERRADA, A GLOBO ESTÁ ERRADA, TB A ISTO É, A ÉPOCA, O FINANCIAL TIMES, A FORBES, O NEW YORK TIMES, A MOODYS E TODAS AS DEMAIS AGENCIAS DE RISCO... ENFIM: É UM COMPLÔ MUNDIAL CONTRA A GANG DO PT"...

Walter,
 O fato de existirem vários meios de comunicação não significa que sejam independentes de quem precisa veicular em massa na mídia uma nova imagem de um partido ou de um governo. Assim fizeram com o governo de Fidel Castro, Salvador Alhende, João Goulart, Sadan Hussein, Hugo Chaves e outros tantos conhecidos. Todos de certa forma chegaram ao poder com a ajuda dos mesmos que os derrubaram, só que havia interesses comuns numa determinada qualidade momento, que se tornaram antagônicos em outra.

Quando criaram alianças para manterem os seus vínculos comerciais intactos, com a possibilidade de associarem-se, foram armados e ajudados a assumirem a chefia em seus países, porém, para se manterem no poder precisaram ouvir o povo e unir-se a ele, tornando-se assim, um governo popular. Isso, não faz parte dos planos de nenhum país capitalista e imperialista, que gosta de impor a sua forma de governar e manter intacto os seus acordos comerciais. Logo, amigo Walter, a história se repete com o mesmo modelo: polarizando a política em apenas dois partidos, o que apóia o governo, com inclinação popular e a oposição a esse, comprometido com a elite e os meios de comunicação comprados pelo país interessado em mudar o controle governamental. Isso está acontecendo na Venezuela, na Argentina e no Brasil. Por isso, eu digo: não se trata de contarem verdades, apenas de atenderem aos interesses dos grandes oligopólios que os bancam. Logo, toda a versão com intenção foge a verdade, por isso, deve ser sempre questionada por ser apenas uma informação refutável, como qualquer outra.

Transmitir conhecimento esbarra num problema conceitual grave: o conhecimento é uma faculdade intelectiva, logo, ele não se transmite. Ele é uma produção individual de cada ser racional. O que você transmite é apenas informação, nunca conhecimento. E essa, só serve para os outros refutarem sempre. O científico não é o verdadeiro, mas, o refutável! É aquilo que alguém pode demonstrar que está errado. A postura será correta quando a investigação crítica for permanente, assim, toda a crítica pressupõe o conhecimento profundo do objeto criticado.

Atualmente, a "menor idade" coletiva não precisa mais se dar ao trabalho de pensar, pois outros já se encarregaram disso, dessa tarefa desagradável. Todos que possuem a "maior idade", sempre em grande minoria, advertirão ao maior número o quão perigoso é o passo em direção a "maior idade"... Hoje são os "Personal Training" da psique, dos de "menor idade", que costumam dizer: não diga isso sem ler aquilo, não faça isso sem a orientação de um desses ou daqueles... Ou seja, todos falarão sobre os riscos que se corre em se ter uma opinião baseada na sua própria experiência de vida. A sua autonomia de pensamento tem que descer pelo ralo para dar lugar a uma genérica e midiática opinião coletiva do rebanho. É a agenda pública, que através do espaço público midiático nos informa o que devemos pensar e como devemos pensar nos deixando apenas a possibilidade de sermos a favor ou contra. Criar algo novo, através de alguém que tenha uma opinião digna de ser considerada, nem pensar...

Passar dessa "menor idade" para a "maior idade" não poderá ser sem quedas, é o que tento advertir. Com tantos tutores midiáticos, sei o quanto fica difícil aceder à “maior idade”. A "menor idade" converte-se então em uma natureza, numa obviedade, incapaz de se servir por conta própria, pelo entendimento, porque nunca te deixaram tentar e se possível, nunca deixarão.

Vivenciar o processo do crescimento democrático que atualmente estamos vivenciando, requer uma liberdade de se querer em primeiro lugar, para então ter a liberdade de fazer o que já se quer. Logo, a vontade é a única condição! Pois, se eu preciso querer para então ser livre, é óbvio que eu não posso ser livre para querer. É por ai que somos conduzidos, pois os desejos e as vontades não estão subjugados ao racionalismo intelectual, logo o desejo pelo o que te falta é parte da estratégia midiática de venda para gerar uma vontade de se obter. Uma vez obtido o objeto do desejo, ele morre de forma suicidaria, dando lugar para colocarem outro no espaço deixado por ele. No passado, na época dos meus avôs, a mídia filosófica era mais aristotélica, pois contemplava amarmos aquilo o que já possuímos e não aquilo que nos faltava, - platônica.

Hoje, estamos tão descartáveis que abdicamos de planejar algo para um determinado futuro com os mesmos conceitos e instrumentos para isso, pois em um dado momento aquilo que era objeto do seu desejo futuro já se encontra obsoleto e não serve de referencial ao seu propósito. A meta para um caminho projetado antes, transformou-se em caminhos que são as únicas metas que possuímos ainda, de forma líquida, devido a sua falta de concretude e cristalização conceitual. Condenados pela falta de um passado, como acervo de referência vivenciamos hoje a orfandade psicológica e solitária de propósitos futuros. Acrescentaram aos terapeutas e psicólogos pessoais, mais uma cadeira: psicólogos sociais, que possuem a função específica de orientar a opinião pública a favor de algo, alguém ou algum propósito através dos meios de comunicação de massa. Estes são pagos pelos grandes veículos de comunicação. Essa é apenas uma observação que não pode ser considerada, pois os motivos já foram explicados anteriormente acima. Está no texto, só não consta do contexto, sob pretexto...

José Alfredo Bião Oberg


sábado, 28 de março de 2015

Amor em Eros, Philia e Ágape, na “crise dos royalties”

Acabaram de perguntar: Quem é esse maluco que circula livremente pelas redes sociais questionando o trilhar alheio com um ar irônico? Um cara ao lado, respondeu de pronto: Uns dizem que é um “sem noção”, metido a pós-moderno, com aquela mania de elucubrar sobre o nada. Coisa de velho, naturalmente.

Não é que o cara tem razão? Mas, e daí?

É isso ai mesmo... Precisamos “cair dentro” de algumas questões quando elas caem no nosso colo sem perguntar: posso?... É o que ando ouvindo pelos que falam e escutando o silêncio dos que preferem calar-se por uma conveniência herdada como “síndrome de Pilatos”.

Fui até a Grécia, andei por Athenas, escutei alguns filósofos e acabei em Jerusalém, numa viagem de mais de 350 a.c, tudo isso para tentar retirar o nosso famoso “Véu de Isis”. O que vi e ouvi, só dá em gente...  As reações variam de acordo com o comprometimento dos que torcem a favor de “dar um tiro no pé” por conta da utópica possibilidade de ver o mundo idealizado se tornar realidade. Outros, menos arrogantes, especulam sobre a vantagem de “lavar o que deve ser lavado" sem comprometerem”, por causa de meia dúzia...

Antes, brigávamos pela distribuição dos royalties, indiscriminadamente para todos estados e municípios, depois, junto com o falecido “mensalão”, hibernava na mesma cova um “lava Jato”, que está tão midiático que não se fala mais em outra coisa interessante. Só que a cultura do "quanto pior melhor" está fora de controle, pois uma crise criada pelos EEUU. e pela Opep, baixando demasiadamente o preço do barril de petróleo está entrando e sentando no colo dessa turma sem pedir licença. Aquilo que antes arrecadávamos estava dimensionado para os investimentos no pré – sal entre outros, como o compartilhamento com os municípios responsáveis por sua produção. Com essa queda de arrecadação, um tsunami tupiniquim chegou mostrando que a realidade se impõe, que a brincadeira de se criar CPIs para derrubar presidentes e ex-presidentes está para quem ainda não viu a ficha cair ou não aceitou que perdeu uma eleição feita nos moldes democráticos, onde uma maioria de pessoas vota, seu voto vale um, independente quanto ele seja mais instruído ou mais rico. Se com isso estamos nivelando por baixo o critério de escolha, a culpa não é minha, é do próprio sistema democrático. Contudo isso, enquanto a "caravana passa" com essa qualidade-momento, a população aturdida não sabe se aperta “enter” ou se “deleta”... Alguns não tem tempo nem de olhar pro lado, andam a mercê das consequências, sem avaliarem nem as suas próprias reações. Vivem de acordo com a agenda pública dos meios de comunicação de massa, achando o que eles acham...

Porque digo isso?


Vamos analisar a filosofia Platônica- Socrática no inconsciente coletivo de certo grupo que está comprometida com Eros como forma de viver e de amar, desejando aquilo que não possui... Por consequência, ao possuírem e realizarem os seus desejos, já não desejam mais. É o cara que quando está desempregado, o fato de poder trabalhar é o seu maior desejo, aquilo que o dignifica. Ele fará qualquer coisa para atingir esse seu desejo. Logo que esse desejo se realiza, deixa de existir, fazendo com que ele passe a fazer exigências compensatórias para que o ato de trabalhar continue sendo um ato de amor. Muitas vezes, reclama do salário, um aumento seria o objeto de desejo ou uma promoção de cargo, assim por diante. Nos relacionamentos afetivos é o que mais acontece, pois aquela mulher ideal que ainda não foi encontrada será a que o fará feliz, sendo assim algo que ainda não possui e por isso é desejada. Quando encontrada, sabemos perfeitamente o que acontece, o objeto do seu desejo deixou de existir. Na psicologia chamamos de projeção. Idealizamos aquilo que em nós é melhor, projetamos em alguém essa qualidade como um reflexo, depois que descobrimos que o reflexo no espelho não é o outro, mas sim, nós. Deixamos de considerar o outro como objeto da nossa projeção sagrada. O outro, é apenas humano... Nos ambientes de trabalho esse fato é corriqueiro, pois muitos estão carentes e impacientes com as furtivas possibilidades de aumentarem os seus ganhos, aonde outros nem ai chegaram por uma questão de oportunidade. Questionar os valores alheios, seus ganhos e suas oportunidades, passa a ser uma premissa.

 Diante da atual situação que hoje os envolve, seria mais prudente trocar Platão por Aristóteles com o seu amor baseado num conceito que ele denominou de Philia. Amar aquilo que se tem, não aquilo que se deseja. O real obtido, conquistado ou ganho com alegria. O amor pelo que é.
Pedir que  se ame o objeto desejado, aquilo que nos faz falta, é “chover no molhado” numa sociedade que viveu intensamente as mensagens subliminares do marketing de consumo moderno. Difícil é amarmos aquilo que realmente possuímos. Vamos fazer um teste? Qual foi o prefeito que construiu o aterro do Flamengo no governo do Carlos Lacerda? Qual foi o prefeito que construiu o elevado Paulo de Frontain, que caiu? Qual foi o prefeito que fez o túnel Rebouças, ligando a Lagoa Rodrigo de Freitas a zona norte? Todas, obras fantásticas, que continuam nos prestando uma enorme serventia. Só que foram coisas desejadas, que uma vez obtidas não carecem de desejos, mais. 

Quantos agora fizeram essa troca mais de uma vês? Observem, que muitos estavam com seus trabalhos, porém não os valorizavam, aí vem uma crise como realidade, se impondo de forma avassaladora e constrangedora e, da noite pro dia, aquilo que era objeto de queixume passa a ser aquilo que nos falta... Voltamos a desejá-lo como tábua da nossa salvação. E, assim vivemos na gangorra da nossa pequena alma carente .

Existem segundo Heigel, dois desejos: um sobre coisas e o outro sobre pessoas. Porque são diferentes? Porque, o desejo por alguma coisa é um desejo de apropriação, um desejo de posse, já o desejo por uma pessoa, é um desejo de reconhecimento. Nós desejamos ser reconhecidos pelos outros, aceitos, precisamos que o outro aceite a nossa existência, o que não acontece com coisas... Por isso, todo desejo que se manifesta pelo outro, se manifesta em conflito. 

Se formos colocar em pauta o amor Ágape que Jesus praticou e nos ensinou diante das dificuldades reinantes que a qualidade-momento nos apresenta, tenho que concluir que daríamos uma guinada de 180º, pois estaríamos considerando não mais a nossa expectativa de desejo e nem mais o nosso apego com aquilo de nossas posses, porém, em procurarmos ver e compartilharmos essa alegria com aqueles que temos conhecimento que não foram favorecidos com essas benesses, o os desfavorecidos.

Somos uma sociedade cristã no rótulo, o conteúdo é outra coisa.... Há uma liquidez de valores, pois essa proposta acima não passa de um ideal utópico, foge aos valores mutáveis numa sociedade pós-moderna como a nossa.

Há quantos milhares de anos essa mensagem nos foi passada, e por incrível que pareça ainda estamos praticando em sua maioria o amor no primeiro conceito filosófico, - em Eros, para os carentes de valores materiais e em Philia, para aqueles que estão muito apegados aos seus bens transitórios. Concluo então, equilibrarmos o amor em Eros, Fhilia e pelo próximo, para então termos aquilo que nos falta, considerando aquilo que temos e sendo reconhecidos por quem fomos necessários.
Fica o recado.


José Alfredo Bião Oberg










sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Apontaram uma saída e a turma que só olhou pro dedo não viu o caminho.



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Do mito da caverna, de Platão ao iluminismo, de Kant...
O mito da caverna conta que alguns prisioneiros vivem, desde o nascimento, acorrentados numa caverna, passando todo o tempo a olhar para a parede do fundo da caverna, que é iluminada pela luz duma fogueira. Nesta parede aparecem as sombras de estátuas de pessoas, de animais, de plantas e de objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros dão nomes a essas sombras e ficam analisando e julgando as situações.

Se um desses prisioneiros se desvencilhasse das correntes para explorar a caverna por dentro e o mundo por fora, conheceria a realidade e perceberia que passou a vida analisando e julgando apenas sombras, imagens projetadas por estátuas. Quando saísse da caverna e entrasse em contato com o mundo real, se encantaria com os seres de verdade, com a natureza real. Ao voltar para a caverna, ansioso pra passar o seu conhecimento adquirido fora da caverna para os outros prisioneiros, seria ridicularizado.


Os prisioneiros que não conheciam a realidade não acreditariam no que ele viu e sentiu, pois só eram capazes de acreditar na realidade que enxergavam na parede iluminada da caverna, só acreditavam nas sombras. Eles iriam chamá-lo de louco. Eles iriam ameaçá-lo de morte se ele não parasse de falar daquelas idéias que pareciam tão absurdas.
Transmitir conhecimento esbarra num problema conceitual grave: pra Kant, o conhecimento é uma atividade intelectiva, ele não se transmite. Ele é a produção individual de cada ser racional.

O que você transmite é apenas informação, nunca conhecimento. 

Essas informações só servem para ser refutáveis! O científico não é o verdadeiro, por ser refutável. É aquilo que alguém pode demonstrar que está errado. A postura é a de investigação permanente. Assim, toda a critica pressupõe o conhecimento profundo do objeto da crítica. Deixo isso como uma pista... Longe de tentar desenhar!

Hoje, não nos é facultado mais pensar, pois os psicólogos sociais trabalham para que outros se encarreguem dessa desagradável tarefa. Todos esses advertirão ao maior número possível o quão perigoso seria o seu passo à "maior idade", pois cada charlatão tem o seu jeito de intimidá-lo de forma subjetiva através dos meios de comunicação. Não faça isso sem a orientação desses ou daqueles, lhes dirão. Todos eles falarão sobre os riscos da sua autonomia e liberdade de pensar, como todo bom tirano manipulador. Só que não se poderá passar de uma "menor idade" para a "maior idade", sem quedas...

Com tantos "tutores midiáticos" fica dificílimo aceder à "maior idade", pois as suas mensagens são quase sempre subliminares... Com isso, a maioria com a sua mantida "menor idade" converte-se numa natureza, numa obviedade. Ou seja, você imagina desde sempre que as coisas são assim.

Incapazes de se servirem por conta própria, por seu entendimento e experiência, porque nunca os deixaram tentar, todos os da "menor idade" acomodaram-se em suas zonas de conforto, estabelecidas convenientemente por uma minoria da "maior idade" manipuladora, através dos meios de comunicação.

Vou fazer uma analogia com o que se passa aqui, no Reino, onde os Ufos se arriscaram a descer...

Observemos que todos os dias o Jornal Nacional da emissora de televisão Globo nos passa informações massificadas e sem nenhum respaldo investigativo e comprobatório sobre o que disse alguém quando interpelado sobre o escândalo do "Lava Jato" na Petrobrás. Assim, imaginamos que os fatos se superpõem uns aos outros, somando-se. Quando no dia seguinte a justiça indefere aquele depoimento por não possuir o respaldo jurídico necessário para constar nos autos do processo, o Jornal Nacional não nos informa em contra partida. Isso significa que ele atende como meio de comunicação a algum grupo interessado em manter a imagem da empresa, seus responsáveis e do governo, denegrida. Restaria a nós perguntar, caso tivéssemos a "maior idade": qual o interesse de um meio de comunicação informar de forma intencional sobre uma investigação ainda em faze preliminar, não julgada ou condenada uma empresa ou um governo? A quem serve esse modelo de enfoque sobre a pseudo- realidade ainda não averiguada a luz da justiça?Facilita-nos ter um parecer a partir daí? Porque não aguardamos o desenrolar das investigações feitas de forma isenta pela polícia federal, para que constem nos autos do processo, montado pelo procurador e julgado por um juiz do Supremo? Incomoda-nos a verdade ou a demora?Por quê? Porque somos os de "menor idade", acostumados desde pequenos a possuir um "Personal Training" que nos diga o que achar e o que fazer, quando fazer, como fazer, o que valorizar e o que desconsiderar. Tudo isso, de preferência dentro de associações, sindicatos, redes sociais, etc. Por quê? Por que precisamos nos opor aos de "maior idade" como objetivo comum, sem fazer o menor esforço possível.

 Observem que os de "maior idade" não se associam. Por quê? Suas conclusões são singulares e independentes, são motivadas pela força dos seus desejos de agir, do seu poder, nunca de reagir. Nunca se viu um sindicato dos ativos, só dos reativos. 

Isso é apenas uma analogia do que acontece com você dentro da nossa política conservadora, cheia de ovelhas arrebanhadas e tosquiadas, onde o cabresto tem mão e contra mão.

Você é um ser que busca a sua individuação e a integralidade das suas contrapartes ou é um ser arrebanhado pelo inconsciente coletivo, sujeito a vivenciar o que os meios de comunicação manipuladores oferecem para você pensar que é você que pensa?

Por último eu pergunto: quem teve a ideia de definir o justo do injusto, o forte do fraco? O ativo de "maior idade" ou o reativo de "menor idade"? Faça uma reflexão sobre o que se passa em torno de você, como faz um iogue. Observe-se!

Se não conseguir chegar a um insight, não se desespere...  Se você só usou o dedo na hora de votar, se negociou essa oportunidade na campanha, se acha que o seu voto vale muito, apesar de só valer um, tanto quanto o daquele que nunca leu nada, sobre nada,  considerando tudo isso injusto.

Que se há de fazer? Isso, é o que se chama democracia! Deve ter sido inventada pelos desfavorecidos e arrebanhados, uma turma reativa e da "menor idade". Fazer o que?

Venderam pra você que o modelo humano que você procura encontra-se nos currículos, em rótulos que justifiquem antecipadamente o valor dos conteúdos, nas obras de impacto visual, em valores estritamente profissionais, onde o conteúdo humano foi empurrado para baixo pela "persona" politicamente correta e de valor coletivo. Só que o inconsciente coletivo é sábio e não se deixa enganar pelas arrogâncias disfarçadas em competência, impermeáveis aos sentimentos e as necessidades humanas. É nessa hora que ouvimos o silêncio e o tempo, quando nenhum argumento persuasivo nos engana mais, é nessa hora que o dedo nas urnas revela o que o íntimo deseja.

Uma boa viagem fora dessa caverna que te colocaram nesses oito anos, vamos viver a vida que merece ser vivida e compartilhada. Estamos juntos, apesar dos percalços. 

José Alfredo Bião Oberg