segunda-feira, 30 de março de 2015

Aquilo que está no contexto não é considerado no texto, como pretexto...

Estava no facebook
O Walter Sobral escreve criticando a opinião de alguns que apoiam o atual governo, aqueles que defendem a Petrobrás e os que desconsideram a nota dada pela agência de risco MOODYS.

Walter Sobral escreve:
"VEJA ESTÁ ERRADA, A GLOBO ESTÁ ERRADA, TB A ISTO É, A ÉPOCA, O FINANCIAL TIMES, A FORBES, O NEW YORK TIMES, A MOODYS E TODAS AS DEMAIS AGENCIAS DE RISCO... ENFIM: É UM COMPLÔ MUNDIAL CONTRA A GANG DO PT"...

Walter,
 O fato de existirem vários meios de comunicação não significa que sejam independentes de quem precisa veicular em massa na mídia uma nova imagem de um partido ou de um governo. Assim fizeram com o governo de Fidel Castro, Salvador Alhende, João Goulart, Sadan Hussein, Hugo Chaves e outros tantos conhecidos. Todos de certa forma chegaram ao poder com a ajuda dos mesmos que os derrubaram, só que havia interesses comuns numa determinada qualidade momento, que se tornaram antagônicos em outra.

Quando criaram alianças para manterem os seus vínculos comerciais intactos, com a possibilidade de associarem-se, foram armados e ajudados a assumirem a chefia em seus países, porém, para se manterem no poder precisaram ouvir o povo e unir-se a ele, tornando-se assim, um governo popular. Isso, não faz parte dos planos de nenhum país capitalista e imperialista, que gosta de impor a sua forma de governar e manter intacto os seus acordos comerciais. Logo, amigo Walter, a história se repete com o mesmo modelo: polarizando a política em apenas dois partidos, o que apóia o governo, com inclinação popular e a oposição a esse, comprometido com a elite e os meios de comunicação comprados pelo país interessado em mudar o controle governamental. Isso está acontecendo na Venezuela, na Argentina e no Brasil. Por isso, eu digo: não se trata de contarem verdades, apenas de atenderem aos interesses dos grandes oligopólios que os bancam. Logo, toda a versão com intenção foge a verdade, por isso, deve ser sempre questionada por ser apenas uma informação refutável, como qualquer outra.

Transmitir conhecimento esbarra num problema conceitual grave: o conhecimento é uma faculdade intelectiva, logo, ele não se transmite. Ele é uma produção individual de cada ser racional. O que você transmite é apenas informação, nunca conhecimento. E essa, só serve para os outros refutarem sempre. O científico não é o verdadeiro, mas, o refutável! É aquilo que alguém pode demonstrar que está errado. A postura será correta quando a investigação crítica for permanente, assim, toda a crítica pressupõe o conhecimento profundo do objeto criticado.

Atualmente, a "menor idade" coletiva não precisa mais se dar ao trabalho de pensar, pois outros já se encarregaram disso, dessa tarefa desagradável. Todos que possuem a "maior idade", sempre em grande minoria, advertirão ao maior número o quão perigoso é o passo em direção a "maior idade"... Hoje são os "Personal Training" da psique, dos de "menor idade", que costumam dizer: não diga isso sem ler aquilo, não faça isso sem a orientação de um desses ou daqueles... Ou seja, todos falarão sobre os riscos que se corre em se ter uma opinião baseada na sua própria experiência de vida. A sua autonomia de pensamento tem que descer pelo ralo para dar lugar a uma genérica e midiática opinião coletiva do rebanho. É a agenda pública, que através do espaço público midiático nos informa o que devemos pensar e como devemos pensar nos deixando apenas a possibilidade de sermos a favor ou contra. Criar algo novo, através de alguém que tenha uma opinião digna de ser considerada, nem pensar...

Passar dessa "menor idade" para a "maior idade" não poderá ser sem quedas, é o que tento advertir. Com tantos tutores midiáticos, sei o quanto fica difícil aceder à “maior idade”. A "menor idade" converte-se então em uma natureza, numa obviedade, incapaz de se servir por conta própria, pelo entendimento, porque nunca te deixaram tentar e se possível, nunca deixarão.

Vivenciar o processo do crescimento democrático que atualmente estamos vivenciando, requer uma liberdade de se querer em primeiro lugar, para então ter a liberdade de fazer o que já se quer. Logo, a vontade é a única condição! Pois, se eu preciso querer para então ser livre, é óbvio que eu não posso ser livre para querer. É por ai que somos conduzidos, pois os desejos e as vontades não estão subjugados ao racionalismo intelectual, logo o desejo pelo o que te falta é parte da estratégia midiática de venda para gerar uma vontade de se obter. Uma vez obtido o objeto do desejo, ele morre de forma suicidaria, dando lugar para colocarem outro no espaço deixado por ele. No passado, na época dos meus avôs, a mídia filosófica era mais aristotélica, pois contemplava amarmos aquilo o que já possuímos e não aquilo que nos faltava, - platônica.

Hoje, estamos tão descartáveis que abdicamos de planejar algo para um determinado futuro com os mesmos conceitos e instrumentos para isso, pois em um dado momento aquilo que era objeto do seu desejo futuro já se encontra obsoleto e não serve de referencial ao seu propósito. A meta para um caminho projetado antes, transformou-se em caminhos que são as únicas metas que possuímos ainda, de forma líquida, devido a sua falta de concretude e cristalização conceitual. Condenados pela falta de um passado, como acervo de referência vivenciamos hoje a orfandade psicológica e solitária de propósitos futuros. Acrescentaram aos terapeutas e psicólogos pessoais, mais uma cadeira: psicólogos sociais, que possuem a função específica de orientar a opinião pública a favor de algo, alguém ou algum propósito através dos meios de comunicação de massa. Estes são pagos pelos grandes veículos de comunicação. Essa é apenas uma observação que não pode ser considerada, pois os motivos já foram explicados anteriormente acima. Está no texto, só não consta do contexto, sob pretexto...

José Alfredo Bião Oberg


sábado, 28 de março de 2015

Amor em Eros, Philia e Ágape, na “crise dos royalties”

Acabaram de perguntar: Quem é esse maluco que circula livremente pelas redes sociais questionando o trilhar alheio com um ar irônico? Um cara ao lado, respondeu de pronto: Uns dizem que é um “sem noção”, metido a pós-moderno, com aquela mania de elucubrar sobre o nada. Coisa de velho, naturalmente.

Não é que o cara tem razão? Mas, e daí?

É isso ai mesmo... Precisamos “cair dentro” de algumas questões quando elas caem no nosso colo sem perguntar: posso?... É o que ando ouvindo pelos que falam e escutando o silêncio dos que preferem calar-se por uma conveniência herdada como “síndrome de Pilatos”.

Fui até a Grécia, andei por Athenas, escutei alguns filósofos e acabei em Jerusalém, numa viagem de mais de 350 a.c, tudo isso para tentar retirar o nosso famoso “Véu de Isis”. O que vi e ouvi, só dá em gente...  As reações variam de acordo com o comprometimento dos que torcem a favor de “dar um tiro no pé” por conta da utópica possibilidade de ver o mundo idealizado se tornar realidade. Outros, menos arrogantes, especulam sobre a vantagem de “lavar o que deve ser lavado" sem comprometerem”, por causa de meia dúzia...

Antes, brigávamos pela distribuição dos royalties, indiscriminadamente para todos estados e municípios, depois, junto com o falecido “mensalão”, hibernava na mesma cova um “lava Jato”, que está tão midiático que não se fala mais em outra coisa interessante. Só que a cultura do "quanto pior melhor" está fora de controle, pois uma crise criada pelos EEUU. e pela Opep, baixando demasiadamente o preço do barril de petróleo está entrando e sentando no colo dessa turma sem pedir licença. Aquilo que antes arrecadávamos estava dimensionado para os investimentos no pré – sal entre outros, como o compartilhamento com os municípios responsáveis por sua produção. Com essa queda de arrecadação, um tsunami tupiniquim chegou mostrando que a realidade se impõe, que a brincadeira de se criar CPIs para derrubar presidentes e ex-presidentes está para quem ainda não viu a ficha cair ou não aceitou que perdeu uma eleição feita nos moldes democráticos, onde uma maioria de pessoas vota, seu voto vale um, independente quanto ele seja mais instruído ou mais rico. Se com isso estamos nivelando por baixo o critério de escolha, a culpa não é minha, é do próprio sistema democrático. Contudo isso, enquanto a "caravana passa" com essa qualidade-momento, a população aturdida não sabe se aperta “enter” ou se “deleta”... Alguns não tem tempo nem de olhar pro lado, andam a mercê das consequências, sem avaliarem nem as suas próprias reações. Vivem de acordo com a agenda pública dos meios de comunicação de massa, achando o que eles acham...

Porque digo isso?


Vamos analisar a filosofia Platônica- Socrática no inconsciente coletivo de certo grupo que está comprometida com Eros como forma de viver e de amar, desejando aquilo que não possui... Por consequência, ao possuírem e realizarem os seus desejos, já não desejam mais. É o cara que quando está desempregado, o fato de poder trabalhar é o seu maior desejo, aquilo que o dignifica. Ele fará qualquer coisa para atingir esse seu desejo. Logo que esse desejo se realiza, deixa de existir, fazendo com que ele passe a fazer exigências compensatórias para que o ato de trabalhar continue sendo um ato de amor. Muitas vezes, reclama do salário, um aumento seria o objeto de desejo ou uma promoção de cargo, assim por diante. Nos relacionamentos afetivos é o que mais acontece, pois aquela mulher ideal que ainda não foi encontrada será a que o fará feliz, sendo assim algo que ainda não possui e por isso é desejada. Quando encontrada, sabemos perfeitamente o que acontece, o objeto do seu desejo deixou de existir. Na psicologia chamamos de projeção. Idealizamos aquilo que em nós é melhor, projetamos em alguém essa qualidade como um reflexo, depois que descobrimos que o reflexo no espelho não é o outro, mas sim, nós. Deixamos de considerar o outro como objeto da nossa projeção sagrada. O outro, é apenas humano... Nos ambientes de trabalho esse fato é corriqueiro, pois muitos estão carentes e impacientes com as furtivas possibilidades de aumentarem os seus ganhos, aonde outros nem ai chegaram por uma questão de oportunidade. Questionar os valores alheios, seus ganhos e suas oportunidades, passa a ser uma premissa.

 Diante da atual situação que hoje os envolve, seria mais prudente trocar Platão por Aristóteles com o seu amor baseado num conceito que ele denominou de Philia. Amar aquilo que se tem, não aquilo que se deseja. O real obtido, conquistado ou ganho com alegria. O amor pelo que é.
Pedir que  se ame o objeto desejado, aquilo que nos faz falta, é “chover no molhado” numa sociedade que viveu intensamente as mensagens subliminares do marketing de consumo moderno. Difícil é amarmos aquilo que realmente possuímos. Vamos fazer um teste? Qual foi o prefeito que construiu o aterro do Flamengo no governo do Carlos Lacerda? Qual foi o prefeito que construiu o elevado Paulo de Frontain, que caiu? Qual foi o prefeito que fez o túnel Rebouças, ligando a Lagoa Rodrigo de Freitas a zona norte? Todas, obras fantásticas, que continuam nos prestando uma enorme serventia. Só que foram coisas desejadas, que uma vez obtidas não carecem de desejos, mais. 

Quantos agora fizeram essa troca mais de uma vês? Observem, que muitos estavam com seus trabalhos, porém não os valorizavam, aí vem uma crise como realidade, se impondo de forma avassaladora e constrangedora e, da noite pro dia, aquilo que era objeto de queixume passa a ser aquilo que nos falta... Voltamos a desejá-lo como tábua da nossa salvação. E, assim vivemos na gangorra da nossa pequena alma carente .

Existem segundo Heigel, dois desejos: um sobre coisas e o outro sobre pessoas. Porque são diferentes? Porque, o desejo por alguma coisa é um desejo de apropriação, um desejo de posse, já o desejo por uma pessoa, é um desejo de reconhecimento. Nós desejamos ser reconhecidos pelos outros, aceitos, precisamos que o outro aceite a nossa existência, o que não acontece com coisas... Por isso, todo desejo que se manifesta pelo outro, se manifesta em conflito. 

Se formos colocar em pauta o amor Ágape que Jesus praticou e nos ensinou diante das dificuldades reinantes que a qualidade-momento nos apresenta, tenho que concluir que daríamos uma guinada de 180º, pois estaríamos considerando não mais a nossa expectativa de desejo e nem mais o nosso apego com aquilo de nossas posses, porém, em procurarmos ver e compartilharmos essa alegria com aqueles que temos conhecimento que não foram favorecidos com essas benesses, o os desfavorecidos.

Somos uma sociedade cristã no rótulo, o conteúdo é outra coisa.... Há uma liquidez de valores, pois essa proposta acima não passa de um ideal utópico, foge aos valores mutáveis numa sociedade pós-moderna como a nossa.

Há quantos milhares de anos essa mensagem nos foi passada, e por incrível que pareça ainda estamos praticando em sua maioria o amor no primeiro conceito filosófico, - em Eros, para os carentes de valores materiais e em Philia, para aqueles que estão muito apegados aos seus bens transitórios. Concluo então, equilibrarmos o amor em Eros, Fhilia e pelo próximo, para então termos aquilo que nos falta, considerando aquilo que temos e sendo reconhecidos por quem fomos necessários.
Fica o recado.


José Alfredo Bião Oberg