quinta-feira, 14 de março de 2019

Quando a Lava Jato perdeu a noção



Ao tentar, sorrateira, apropriar-se de recursos públicos, “força-tarefa” igualou-se aos corruptos que prometeu combater – com o agravante de entregar os segredos da Petrobrás aos EUA. É hora de trazer novos fatos à tona
OUTRASPALAVRAS
Publicado 13/03/2019 às 20:02 - Atualizado 13/03/2019 às 20:16

No final da tarde de ontem (12/3), nem a procuradora geral da República, Raquel Dodge, resistiu. Embora apoiadora constante da Operação Lava Jato, ela pediu ao Supremo Tribunal Federal que anule o acordo firmado em surdina, em janeiro, entre o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a direção nomeada pelo governo Bolsonaro para a Petrobrás e a força-tarefa da Lava Jato. Raquel considerou que tanto os procuradores da operação, que firmaram o acordo, quanto a juíza paranaense Gabriela Hardt, que o homologou, atentaram contra a Constituição. A ação da procuradora foi tardia. Antes dela, haviam manifestado assombro e repulsa ao compromisso autoridades como o governador do Maranhão, Flávio Dino, diversos meios de publicação alternativos, parlamentares e procuradores da República que mantêm espírito crítico. A mídia comercial tem tratado a assunto com notável mutismo. Que contém o acordo de tão grave?

O primeiro elemento é o desvio de recursos públicos. A Lava Jato tornou-se conhecida por revelar que diretores da Petrobrás transferiram, para seus partidos políticos e para suas próprias contas bancárias, bilhões de reais que pertenciam à estatal. Embora por caminhos distintos, os procuradores e juízes da operação fizeram exatamente o mesmo. Em setembro de 2018, o Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA aceitou devolver ao Estado brasileiro 80% da multa de US$ 853 milhões aplicada à estatal brasileira por, supostamente, ferir interesses de seus acionistas norte-americanos. Deveriam retornar ao país, portanto, US$ 682,4 milhões, ou R$ 2,88 bi. Em janeiro deste ano, contudo, a força-tarefa arranjou, com Petrobras e DoJ, que os recursos seriam apropriados por uma fundação privada, constituída pelos procuradores da Operação. A soma equivale quase nove vezes o orçamento do ministério da Cultura em 2018, último ano em que existiu. A alegação é que seria utilizada em… ações contra a corrupção – adotadas segundo critérios exclusivos dos procuradores e sem fiscalização alguma dos órgãos de controle brasileiros.

O mais grave está por vir. Por que o Estado norte-americano concordaria em transferir ao Brasil US$ 2,88 bi. Há cinco dias, o site Conjur encontrou a explicação, ao ter acesso ao acordo de setembro passado. Não se tratava de uma “doação”. Uma das cláusulas obriga a Petrobras a fornecer, ao Estado norte-americano, “relatórios” que “provavelmente incluirão informações financeiras, proprietárias (de patentes), confidenciais e competitivas sobre os negócios (da empresa)”. O documento reconhece, implicitamente, que se trata de dados estratégicos. Tanto que estabelece: ninguém, exceto as autoridades dos EUA, terão acesso a eles: “os relatórios e o conteúdo deles são destinados a permanecer e permanecerão sigilosos”. Resumo da história, nas palavras do Conjur: “Ao que tudo indica, a ‘Lava Jato’ tornou-se um canal para o governo dos Estados Unidos ter acesso aos negócios da Petrobras”.

Uma ação tão escandalosa abre brechas para chamar atenção da opinião pública a fatos que passaram despercebidos da maioria. Três dos textos que compõem nosso Dossiê Lava Jato procuram contribuir para isso. O primeiro é de Luís Nassif. Publicado em dezembro de 2016, traça um histórico pormenorizado das relações perigosas entre a Procuradoria Geral da República (à época chefiada por Rodrigo Janot) e o Departamento de Justiça dos EUA.

Ferindo conscientemente as atribuições de seu cargo, mostra o artigo, Janot estabeleceu com o DoJ uma canal por onde circularam informações muito sensíveis não apenas sobre a Petrobras e o Pré-Sal, mas também sobre o programa nuclear brasileiro. O DoJ agiu segundo um padrão de pressões e espionagem adotado em outros países e descrito de forma circunstanciada pelo historiador Moniz Bandeira, que faleceu pouco depois.

Uma segunda peça essencial para montar o quebra-cabeças da Lava Jato é uma entrevista feita pela repórter Amanda Audi, na Agência Pública com o cientista político Ricardo Costa de Oliveira da Universidade Federal do Paraná. Líder de um grupo de pesquisa chamado “República do Nepotismo”, Ricardo coordenou um perfil sociológico sobre os integrante da operação. Suas conclusões, após descrever, uma a uma, a origem dos personagens objeto de seu estudo: a) embora jovens, os membros da “força-tarefa” pertencem, todos, às famílias oligárquicas do Paraná e da Região Sul, em linhagens que remetem ao coronelismo e às oligarquias da República Velha ou do Império; b) ideologicamente, todos “vivem na mesma bolha”: “são extremamente conservadores e têm perfil à direita, semelhante aos seus parentes que faziam parte do sistema na ditadura. Naquela época, seus pais eram gente do establishment. E eles herdam a mesma visão de mundo”; c) embora herdeiros, os juízes e procuradores cuidam de ampliar seus patrimônios. Chamam a atenção, por exemplo, as relações que mantêm, por origem familiar ou casamentos, com “a indústria advocatícia, com os grandes escritórios jurídicos”.

O terceiro texto, político-psicanalítico, é da escritora e poeta Priscila Figueiredo, nossa colaboradora. Mordaz, ela traça um paralelo entre a Lava Jato e o DSM — o famigerado Manual de Distúrbios Mentais que, criado nos Estados Unidos, espalhou-se pelo mundo ocidental. Entre diversas características comuns, provoca Priscila, “um vai fazendo réus onde lhe convém, o outro, doentes em toda parte e idade (de criança de menos de 3 anos a gente cujo luto passa do 16º dia), pois é o que lhe convém”. Mais importante: “ambos têm muitas convicções e poucas provas científicas, e fizeram como fazem estragos ainda insuficientemente mensurados”. Porém, se é assim, sugere a escritora, “tenho esperança que o próximo DSM, que seria o DSM-6, venha a incluir entre as patologias listadas o messianismo Jurídico e o Transtorno de Acumulação”…

Os poderosos perdem-se, frequentemente, por não compreenderem que suas próprias forças têm limites. Bolsonaro escorrega de degrau em degrau, nos dois primeiros meses de governo, por julgar que foi eleito devido a seus próprios méritos – não por circunstâncias dificilmente repetíveis. A Lava Jato quis formar seu “caixa 2 institucional” de R$ 2,88 bi e achou que seria aplaudida. Será um alívio – e um enorme passo adiante – se a sociedade tornar-se consciente destes dois contos do vigário.


segunda-feira, 4 de março de 2019

Vivenciando a assimetria entre o verdadeiro e o falso, concluo...


Continuando...

 ...que seria melhor começar dando um exemplo para melhor tentar definir. Vamos imaginar que você pegue uma afirmação de que todo cisne é branco.  Aí você viu um cisne, dez cisnes, cinquenta cisnes, todos brancos, mas, você ainda assim não consegue fazer a afirmação de que todos os cisnes são brancos. Por quê? Porque sempre haverá a possibilidade do quinquagésimo primeiro não ser; se for o milionésimo, o milionésimo primeiro pode não ser também. Sempre haverá a possibilidade da água não ferver aos cem graus. Logo, você percebe que o falso é muito mais presente, saltitante, visível e fácil de encontrar do que o verdadeiro, pois sempre pairará a suspeita da falseabilidade.

 Essa assimetria entre o verdadeiro e o falso você encontra entre o bem e o mal. Vou dar um pequeno exemplo: vamos imaginar que você saia e dê cinco reais a um mendigo e várias pessoas o observem nesta ação. Alguém dirá: fez o bem? Discutível, afirmará outro. Está patrocinando a mendicância e contribuindo para que essas coisas não mudem. Essa generosidade é egoísta, porque de certa forma você está se libertando de alguma culpa que é sua. Percebeu como o bem é delicado, difícil de ser concebido, que é algo que está sempre sob suspeita? Agora, experimente ir até um grupo de mendigos e retirar da cuia de um deles os cinco reais que você dias atrás deu. Isso será considerado um mal indiscutível, ninguém terá nenhuma dúvida. Isso é cristalino, pois o mal está presente em todo lugar. Está na notícia de favorecimento de alguém em detrimento de outro, nas ações premeditadas, está no jornalismo, nos meios de comunicação e em toda parte. O mal é claríssimo. Já o bem é de uma fragilidade indiscutível, exatamente por ser discutível a intenção de quem o faz. Ou seja, é suspeito e raro.

Pascal diz: “o mal eu conheço bem, já o bem, tenho uma vaga ideia do que possa ser”.

Outro dia eu escrevi sobre a transparência e o cinismo. Hoje, farei a assimetria entre ambos. A transparência é quase um ato heroico, já o cinismo é a regra, está em todo canto, presente em todos os lugares, constatado em todas as relações sociais, absolutamente consagrado até como uma virtude contemporânea, até como polidez, como algo politicamente correto, como generosidade... É ou não é? Ela faz parte da nossa educação. Observem que muitos pais dizem para seus filhos: se ligarem para mim, diga que eu não estou. Se baterem á porta, diga que eu já saí, etc. Lembro-me quando eu tinha uns dez anos. Passei uns tempos com meus pais biológicos aqui no Rio, eles não iam muito com a cara de uma tia que morava na ilha e sempre falavam muito mal dela, até que um dia foram convidados a um almoço por ela. A primeira recomendação que eu ouvi foi: “olha lá o que você vai dizer para a sua tia sobre o que comentamos aqui sobre ela”. Acho que apesar da nossa pouca convivência e da minha tenra idade eles já sabiam com quem estavam falando. Chegamos lá e eles já foram dizendo: “cumprimente a sua tia, menino”. Cumprimentei o cachorro dela em primeiro lugar, considerando-o hierarquicamente superior, já que o que tinha ouvido em casa sobre ela me dava esse direito de escolha. Almocei e passei a tarde inteira sem falar com a velha tia. Quando cheguei a nossa casa, apanhei até cansar. O meu pai não curtia essa de pedagogia moderna, e a desobediência estava acima de qualquer aproximação familiar e transparência que eu pudesse ter. No entanto, uma dose de cinismo era recomendável para eles naquela circunstância, para que todos tivessem se sentidos confortáveis. “Entornei o caldo” e “desmanchei aquela igrejinha” de recomendações politicamente corretas. Eu não conseguia entender com aquela idade que teria de ser cínico para agradar aqueles que não gostavam daquela tia. Que contradição para a cabeça de um menino de dez anos! Eu não entendia ainda que o esquema está montado para você mentir, está montado pra dizer o que não pretende, está montado para você falsear a verdade, de tal maneira que quando você diz coisas que te ocorre dizer, quando existe um alinhamento entre a comunicação intrapessoal e a comunicação interpessoal, sinal máximo da transparência é possível que você desperte tanta incompreensão, que o mundo se volte contra você, porque estamos habituados a nos relacionar com ideias distantes da vida, ideias higienizadas, ideias que poupam as mazelas existenciais. É por isso que toda transparência surpreende...

Alfredo Bião

O Outro vem antes do eu...


Respondendo...

Jean Paul Sartre consagra esta proposta acima com uma historinha do “buraco da fechadura”. Segundo ele, para que melhor você possa entender o que ele reflete.
A historinha é a seguinte: tem um casal fazendo uma sacanagem gostosa dentro de um quarto. Você está fora do quarto, ouve os gemidos e olha pelo buraco da fechadura para ver melhor o que está acontecendo. Por um momento, a cena que você vê galvaniza toda a sua atenção. Agora, a sua consciência está completamente plasmada na cena. 

Isso quer dizer o que? Isso quer dizer que nesse momento a sua consciência não tem espaço para mais nada, a não ser para a cena. Para entender isso melhor, procure lembrar-se dos melhores filmes que já assistiu.

Alguns foram tão bons que você não se deu conta de forma consciente de que estava no cinema. O fato de você estar no cinema não entra na sua consciência porque você esta 100% no filme. Tanto que quando o filme acaba, acende a luz e você leva um tempo para voltar a si. Voltar a incluir o eu na consciência. Ficou claro?

Pois você está no buraco da fechadura, mas a sua mente está plasmada na cena, quando de repente outro se aproxima fora do quarto e você ouve seus passos, nesse momento você é obrigado a considerar-se presente naquele episódio. A sua consciência tem que abrir mão do que está vendo e incluir você no buraco da fechadura, passando agora a ter consciência de si, percebendo agora que não é legal ser flagrado ali. Disfarçando você sai do local da cena como se não estivesse vendo nada, pois agora você está incluído no processo por que o outro apareceu.

O que Sartre quis dizer com essa alegoria? Que você só precisou ter consciência de si porque o outro apareceu. Isso, você pode estender amplamente. Se não houvesse o outro, não haveria a consciência de um eu, se não houvesse o outro, não haveria o cogito que se contempla em quanto ser pensante. Se não houvesse o outro, a nossa consciência seria simplesmente plasmada no universo. E é porque o outro existe que temos a consciência de nós mesmos com relação a ele.

De um lado, o surgimento do paradigma da subjetividade e de outro lado, a desconstrução do sujeito. Agora, o outro assumiu a primazia de que precisamos. Ficou mais fácil, né? Melhor do que tentar através de um eu, como fizeram tantos filósofos.

Só que a partir de agora, a transparência torna-se um valor de relevância evidente. O outro é tão importante agora, que se não for ele, o eu claudica.

Agora, o cuidado com o outro se justifica, pois graças a ele poderei saber quem sou. Portanto, é normal que em relação ao outro eu tenha cuidados especiais, que este até hoje não precisou ter. Porque, dentro da evolução do pensamento filosófico desde os gregos, antes era eu e o universo, depois era eu e Deus, depois era eu e eu, só agora é você e eu. Agora eu preciso ter os cuidados que durante vinte séculos eu não precisei ter. E é por isso que a transparência aparece como assunto filosófico contemporâneo, porque é agora que ela faz sentido, é agora que você não é um mero instrumento da soberania do eu, mas ao contrário, você é o soberano que permite a um bastardo ter a noção de quem possa ser.

Porque, afinal de contas, se cada um de nós precisa saber quem é e entende quem é a partir de uma ideia. Se cada um de nós tem uma ideia de si, se cada um de nós tem uma definição de si, se cada um de nós tem uma identidade, se cada um de nós tem um discurso que o identifica, não foi cada um de nós que inventou, porque o eu não é fundamento, não é princípio. E, se eu tenho coisas a dizer sobre você, saiba tudo o que eu disser sobre você, eu aprendi com você. Graças a você, que eu tenho uma vaga ideia para que eu possa me definir. É em você que eu encontro a gênese do que eu entendo por mim mesmo. Entendimento esse, que durante muito tempo eu não tinha. Você, portanto é a origem do eu.

Vamos imaginar, que eu depois de ter sido informado sobre quem eu sou resolva aloprar a própria identidade. Eu chego e digo: eu sou o melhor cara desse mundo. Coisa que até eu acho. Você rirá na minha cara. E o que significa essa risada sua?

 Significa que: não só, que você deu origem ao que eu penso a meu respeito, mas continuas vigilante, evitando que eu possa me definir do jeito que eu quero. Porque você é quem define as condições da minha definição, controlando-me. Logo, quando eu por acaso ofereço de mim uma definição desautorizada, você reage: baixe a sua bola, Bião! Mas eu sou esperto amigo, direi. Você dirá: se liga... Tire esse atributo da sua identidade, você não está autorizado a definir-se. E, pouco a pouco você vai percebendo que toda heresia tem um preço a pagar, pois esse tal de eu é uma eterna e interminável negociação, e essa negociação é uma parte muito mais forte que você.

 Portanto amigo, não adianta continuar resistindo a ela para definir o seu eu a partir de você. A sua identidade é um discurso que circula em toda a parte, onde você não controla. Circula por espaços onde você não tem acesso. Portanto, o que falam de você, e a construção de uma definição sua, vão muito além da sua interferência. E é por isso, que por mais que você se esforce, sempre o resultado provisório dessa definição de identidade transcenderá os seus interesses pessoais, à sua valorização máxima de si, - para tua tristeza. É possível, que o que o outro pensa de você é o que você não gostaria que pensasse. E é por isso que é melhor tratar muito bem o outro.

Quando nos relacionamos, cabe a pergunta: quando A se relaciona com B, o que exatamente está em relação? Quando alguém diz pra você: eu te amo. O que é que ele ama? Será que o objeto das nossas relações teve que ser exatamente o outro? Não.

 Porque o outro é um objeto difícil de acessar. Por mais que ele tenha primazia, por mais que eu exista em relação a ele, por mais que eu exista graças a ele, ele continua difícil para mim. E, é exatamente por isso que nos vamos dando conta que quando nós dizemos: eu te amo, o objeto do nosso amor não é o outro, mas o que achamos o que o outro seja, o que representa pra nós, a ideia do outro, a imagem do outro, pois essa é mais fácil de ser amada. Ela é sua e está em você. O outro é apenas o objeto dessa projeção pessoal. Um espelho que reflete você e os seus valores, nunca quem ele é. Por isso, acho muita graça quando alguém necessita que um partido politico acabe com a sua ideologia que o atinge, dizendo por causa disso que segue agora um determinado candidato da extrema direita que o representa. Talvez ele nem seja para ele isso que diz, mas precisa ser para abocanhar uma legião carente de uma referência como essa, para justificar aquilo que esse alguém é. Atrás de uma sigla existem bons e maus, porém atrás de uma única pessoa não se pode colocar a sua projeção de sagrado, daquilo que você considera o certo, o melhor, o que deve servir de referência para todos, pois se ele se mostrar fora dessa sua expectativa, ou se ela mudar por que hoje as suas preferências mudaram devido ao seu amadurecimento, tudo virá a baixo para seu desespero.

Vamos viajar num exemplo: vamos imaginar que João ame Maria e por isso, João pense que Maria lhe seja sexualmente fiel. João descobre com o passar dos dias que Maria entretém alguns rapazes sexualmente. João que ama Maria deveria amar mais a partir de agora, por que agora ele sabe mais sobre ela, sobre sua sexualidade, passando a ser mais amplo, mais profundo e mais rico de conhecimento este relacionamento.

 Você acabou de rir, pois sabe que “não é assim que a banda toca”, porque João não ama Maria. Porque, João ama quem ele acha que Maria é. E Maria desmente o amor de João, desmente a ideia, faz sangrar o objeto do amor. Por isso, João mata Maria para proteger o objeto do seu amor, a ideia que ele sempre teve dela.

Outro dia, um amigo que é divulgador do meu livro, um cara de uma gentileza e amabilidade espetacular chegou pra mim e disse: sabe que eu gosto muito de você? Com uma sinceridade vinda do âmago. Caberia perguntar a ele: qual é o objeto desse apreço? A impressão que tenho é que se ele ficasse mais de dez minutos próximo de mim, quando eu estivesse escrevendo algo para colocar no blog, esse apreço iria diminuir rapidamente. E em dez minutos apenas eu teria corroído o apreço do amigo para sempre. É óbvio que nossas perspectivas são opostas, que os argumentos não coincidem que as perspectivas de vida são diferentes. Tudo isso, porque aprofundando nossos conhecimentos descobriríamos que vivemos expectativas de vida diametralmente opostas. Essa ideia amável de mim, foi ele quem fez, é uma produção dele. E eu, fico feliz com o que ele pensa de mim, mas procuro esclarecer que eu não correspondo. Essa é a correspondência. Do mesmo jeito que você acha quem eu sou, eu acho quem você é. E de onde você tira esse seu parecer sobre mim?

Diante de tantas fontes, você tira do meu comportamento. Esse comportamento é a matéria prima privilegiada da ideia que você tem de mim. E, conforme a forma como ajo e manifesto-me é que você se relaciona comigo. Logo, a transparência é o valor fundamental que preside o sucesso das nossas relações. Pelo menos, assim deveria ser. E por quê? Porque, toda vez que eu manifesto-me diferente da minha verdade pessoal, isso deixa de ser transparência pessoal para ser cinismo.

Por isso não faço parte de nenhuma turma do compulsório “amém”. A minha transparência é o material que posso oferecer para que você tenha a ideia mais aproximada de mim. A mais próxima! Ou seja, eu te abasteço de informações e você atualiza a ideia que tem de mim. Isso é um exercício de transparência, um relacionamento verdadeiro. Qualquer coisa pode ser questionada para que as dúvidas possam ser dirimidas e ser mantida a transparência. Só nele eu acredito, pois, correspondência absoluta é impossível! Essa aproximação sempre será tendencial, nunca absoluta entre o que pretendo e acho e o que você imagina que eu sou. Quando dessa forma procedo, eu te dou a chance de me ver da forma mais real e aproximada possível, a mais transparente possível. Agora, se eu pelo contrário, me manifesto na contra mão, de forma opaca, você não terá alternativa senão se submeter a minha falsidade e cinismo. Dessa forma, talvez você tenha uma ideia auspiciosa de mim, mais generosa do que a minha vida é, condenando você a se relacionar com alguém que não existe. Por que essa condição é inferior diante de uma mais real? Por quê?

A resposta é irrefutável. Por que quando você tem uma ideia clara de quem eu sou, tem melhores condições de descontinuar o relacionamento.

De optar em não dar prosseguimento. E essa escolha que optou você deve a minha transparência. Graças a ela, pois tudo contribui para o cinismo.

Muitos preferem mentir e manter uma amizade baseada nas falsas informações.

Se algum dia, solitário de verdadeiros amigos você se abrir e perguntar: que achas quem sou? Já estarás em Júpiter! Eu estou aqui e direi: deixa eu te buscar... Por isso, pequenas tristezas de percurso evitam grandes dramas. O verdadeiro tem dessas coisas... Continuarei jogando luz nas coisas exuberantes e jogando luz nas miseráveis e existenciais, em nome da transparência e da independência interior.
O outro

Alfredo Bião

A Parábola Taoista do Turista Próspero



“Um dia, num velho mosteiro da China apareceu um turista milionário a procura de dar um sentido a sua invejada vida de prosperidade material.

 Ao bater a porta do mosteiro, mestre Sheng veio abri-la com um sorriso, dizendo: em que posso ser útil, amigo? O forasteiro foi logo, de forma pragmática dizendo: - vim iniciar-me, pois soube da sua fama de mestre iluminado, capaz de dar-me um sentido que preencha o meu interior, mas que não esteja fora de mim mesmo. Sheng ao ouvi-lo, sorriu dizendo:- entre, esteja de conformidade com a sua vontade, tentarei orientá-lo a encontrar o que nunca se perdeu. Ouvindo isso, o forasteiro foi logo mostrando uma carroça com uma parelha de cavalos, trazendo uma quantidade enorme de ouro que conseguira conquistar durante a sua jornada até o presente momento. Vendo que o mestre não dera a devida atenção, retrucou dizendo: é ouro suficiente para que o senhor possa ampliar o seu mosteiro, modernizá-lo e viver o resto da sua vida sem o menor tipo de problema que possa preocupa-lo. Mestre Sheng, ao perceber a insistência do turista milionário, sorriu dizendo: - pode deixar em algum canto que esteja desocupado. Para surpresa do visitante, o mestre não dera a verdadeira importância o que fora entregue de presente. – Foi uma vida inteira de economias, disse o forasteiro, enaltecendo a sua doação mais uma vez. – Então, já que você me deu, agora é minha, por isso posso fazer o que quiser com ela, disse o mestre.

 Sugiro que vá até as margens do rio com ela, alugue um barco e vá até o meio do rio para descartar-se dela de uma vez. Pode jogá-la fora, pois para mim não tem nenhuma utilidade. Constrangido e ao mesmo tempo aborrecido fez o que o mestre o orientara a fazer. Passadas algumas horas, o mestre deu-se conta que pelo tempo o forasteiro já deveria estar de volta para a primeira aula. - Que demora, considerou o mestre. Pediu a um dos iniciados então, para ir até a margem do rio e ver o que acontecera com o visitante. O iniciado, logo apareceu no mosteiro relatando que o tal visitante estava há horas colocando peça por peça dentro do rio, o que segundo seus cálculos, não terminaria tão cedo.

Ouvindo com paciência tal relato, mestre Sheng resolveu intervir, dizendo; - levem-me lá! O que foi imediatamente providenciado. Ao chegar à margem, o mestre pediu um barco para que pudesse encostar e saltar para o barco do forasteiro e resolver aquele impasse. Dito e feito, assim que chegou foi logo dizendo: - que pensas que estás fazendo, ao jogar peça por peça fora? Passastes a vida todas as juntando, uma a uma e não conseguistes ser feliz, encontrar um sentido para viver. Agora que precisas abandonar aquilo que não te trouxe a paz e a felicidade, o fazes com apego à aquilo que te aprisionou durante uma vida inteira? Deu-lhe uma tapa na cara, para a surpresa de todos, insistindo para que jogasse todos os bens de uma só vez no rio. Essa fora a sua primeira lição. Desapego por aquilo que não passara de um fragmento, aquilo que não trazia nenhum sentido que pudesse ser considerado libertário e sábio. “Havia agora a necessidade de peregrinar um caminho de volta, onde a meta fosse um encontro consigo, ao invés de conquistas materiais exteriores, tão fragmentadas de valores profundos e persistentes”.

Por que escrevi essa parábola?

Por causa de uma abordagem com um simpático vereador dessa cidade, que ao brincar com ele, eu disse: - vamos até a Convenção política de Paulo Dames! No que ele retrucou, rapidamente: - tá doido?  - Eu quero o progresso! Fomos cada qual pro seu lado após esse momento.

Como ele tem um nome bíblico, que para mim trás o significado de renascimento, gostaria de fazer merecer essa oportunidade de contemplá-lo com uma reflexão sobre a qualidade momento que vivenciamos.

Acho que agora que ele perdeu a possibilidade de se reeleger como vereador, considere  trocarmos  algumas experiências e esclarecimentos sobre a experiência vivenciada por mim versus suas informações.

Pergunto: você é um ser turista ou peregrino?

O sociólogo polonês Zigmunt Bauman apresentou-a sob a forma de metáfora essa questão acima, sobre o modo de existir dentro dessa modernidade líquida do pós-modernismo.

Um pensador e autor, Benjamim Disraeli possui uma frase bem significativa para sintetizar um modus vivendi atual: “a vida é curta demais para ser pequena”.

Perguntei pra mim mesmo: que tipo de vida vive esse moço?

Hoje, nós somos mais peregrinos ou turistas? Qual a diferença entre ambos? Para mim, o peregrino vivencia o caminho como meta, enquanto o turista cria metas para o caminho. Qual a diferença e as suas implicações?

Acredito que eles passam algo em comum, que é a ideia de viagem, porém existem diferenças significativas entre eles. Uma delas é a utilidade dessa viagem, sua meta.

Qual será a meta da viagem de um peregrino? Bem, ela relaciona-se com a sua vida interior, seu crescimento como indivíduo, enquanto a do turista nada tem a ver com tal coisa. É apenas um intervalo que acontece de ano em ano na sua rotineira e cotidiana vida, um intervalo para relaxar. No peregrino, a viagem é motivada por uma busca de si mesmo no trajeto da vida, uma busca de identidade, enquanto o turista busca a alteridade.

No peregrino, o percurso é tão importante quanto à meta, sua chegada. Já para o turista, a chegada ao destino é a meta, e para isso, quanto mais rápida for essa locomoção, melhor. Uma viagem de avião seria o ideal.

O peregrino prefere ir a pé, de bicicleta, ou quando muito, de moto, pois o tempo não importa, mas sim a experiência vivenciada no percurso, que lhe dará o conhecimento através da experiência vivida para a busca do si mesmo. Para o turista a viagem é negada, é tempo perdido entre a cronologia de saída e chegada ao destino meta.

Qual será o medo do peregrino? Não ter sido enriquecido o suficiente com a experiência vivida, o medo de não se sentir preenchido pelo significado da experiência. Já o turista, o medo é com a qualidade da meta em si, aquilo que é com relação com aquilo que deveria ser ou ter sido.


A grande maioria de nós vive o turista nesse mundo, principalmente nos dias de hoje. Consideramos atraso, aquilo que nos falta materialmente. Quando passamos a possuí-lo, já não nos falta mais, e isso significa um vazio de expectativas que precisa ser preenchido. Observemos que a depressão é a doença do pós-modernismo. Para fugir a esse caos interior, só um medicamento moderno como um Prozac, ou se imaginar perseguindo outro ideal maior, que dê sentido a sua rotineira e reativa vida pouco criativa de existir e de agir a favor de algo que dê sentido a sua existência como um todo, sem nenhuma muleta mística espiritual transcendente.

Qual o conceito central para nos considerarmos turistas, hoje? O conceito de fragmento.

Hoje vivemos uma vida de fragmentos, pois não há um contínuo, não há mais um todo, só ações desvinculadas entre si, como se fosse um caleidoscópio cheio de pedaços disformes entre si que podem configurar a cada momento coisas diferentes, sem uma referência com o passado ou uma proposta futura palpável.  Segundo Bauman, é a modernidade líquida. Nada de concretude ética conceitual, vivemos o devir, a disrupção dos modelos sociais que nos trouxeram até aqui.

Como exemplo desses fragmentos que habitam no nosso cotidiano, temos como exemplo, um jornal de noticiários de TV. Logo aparece um pouco de esporte, um pouco de política nacional, um pouca de variedades culturais, um pouco de violência policial, e para finalizar, um pouco das notícias do mundo, todas contadas com uma postura profissional jornalística, que quase não se mostra envolvida pelo assunto em pauta que está sendo relatado, com o mesmo diapasão vocal, do início ao fim do noticiário. Ou seja, são tantos relatos fragmentados que não tem tempo de se envolver e refletir sobre quase nenhum deles em particular, pois são colocados de forma impessoal e dentro de uma cronologia curta. Logo, é assim que vive o nosso turista naquilo que ele rotula como progresso. Uma vida fragmentada.  Vou dar outro exemplo que caracteriza o modus vivendi do nosso turista quando ele sai de férias. Digamos que ele seja um personagem chic, culto e com bom poder aquisitivo. Ele passará no máximo uma semana em Paris, depois, uns três dias em Londres, outros tantos em Roma, dará uma esticada até a Grécia, visitará Veneza, voará até Berlim e estará visando o seu passaporte de volta. O nosso amigo só vivenciou fragmentos de tempo, guardando na memória da sua Nikon apenas fotos de lugares e eventos passageiros. Aí vem uma questão que ainda não fora pensada por ele: o que é mais importante para a sua vida? Conhecimentos ou informações?

Hoje vivemos no mundo da informação globalizada, sem limites imaginários, seja através de revistas, jornais, televisão e principalmente, através da Internet, com o Google e as Redes Sociais. E o que são todas essas informações a não serem fragmentos? Informação é fragmento. Já o conhecimento é a experiência vivida ou vivenciada de um evento, uma ação ou um fato.

A diferença de vida entre o turista e o peregrino é que o primeiro vive de criar metas para o seu percurso na vida, enquanto o peregrino considera o percurso como meta em sua vida, podendo assim conceituar a sua criativa viagem como parte importante do acervo de experiências que geraram em si uma temática própria a respeito do que foi vivenciado. Muito diferente do turista, que ao concluir a sua falta de tempo e oportunidade para formular conceitos a partir de uma experiência, prefere tomar as informações que os meios de comunicação lhes conferem, sentindo-se atualizado pelos “Personal Training” midiáticos, que acham o que você deve achar.

Como podemos ver considerar progresso àquilo que não pode ser avaliado, não é permanente, não merece uma conceituação em virtude da sua liquidez, não merece realmente ser assim chamado.
 Alfredo Bião

sábado, 2 de março de 2019

O Mais Belo Poema de Charlie Chaplin





Quando comecei a amar-me,
eu entendi que em qualquer momento da vida,
estou sempre no lugar certo na hora certa.
Compreendi que tudo o que acontece está correto.
Desde então, eu fiquei mais calmo.
Hoje eu sei que isso se chama CONFIANÇA.
Quando eu comecei a me amar,
entendi o quanto pode ofender alguém
quando eu tento impôr minha vontade sobre esta pessoa,
mesmo sabendo que não é o momento certo e a pessoa não
está preparada para isso,
e que, muitas vezes, essa pessoa era eu mesmo.
Hoje, sei que isto significa DESAPEGO.

Quando comecei a amar-me
eu pude compreender que dor emocional e tristeza
são apenas avisos para que eu não viva contra minha própria verdade.
Hoje, sei que a isso se dá o nome de AUTENTICIDADE.
Quando comecei a amar-me,
eu parei de ansiar por outra vida
e percebi que tudo ao meu redor é um convite ao crescimento.
Hoje eu sei que isso se chama MATURIDADE.
Quando comecei a amar-me,
parei de privar-me do meu tempo livre
e parei de traçar magníficos projetos para o futuro.
Hoje faço apenas o que é diversão e alegria para mim,
o que eu amo e o que deixa meu coração contente,
do meu jeito e no meu tempo.
Hoje eu sei que isso se chama HONESTIDADE.
Quando comecei a amar-me,
tratei de  fugir de tudo o que não é saudável para mim,
de alimentos, coisas, pessoas, situações
e de tudo que me puxava para baixo e para longe de mim mesmo.
No início, pensava ser "egoísmo saudável",
mas hoje eu sei que trata-se de de AMOR PRÓPRIO.
Quando comecei a amar-me
parei de querer  ter sempre razão.
Dessa forma, cometi menos enganos.
Hoje, eu reconheço que isso se chama HUMILDADE.
Quando comecei a amar-me,
recusei-me a viver no passado
e preocupar-me com meu futuro.
Agora eu vivo somente  este momento onde tudo acontece.
Assim que eu vivo todos os dias e isto se chama CONSCIÊNCIA.

Quando comecei a amar-me,
reconheci que meus pensamentos
podem me fazer infeliz e doente.
Quando eu precisei da minha força interior,
minha mente encontrou um importante parceiro.
Hoje eu chamo esta conexão de SABEDORIA DO CORAÇÃO.
Não preciso mais temer discussões,
conflitos e problemas comigo mesmo e com os outros,
pois até as estrelas às vezes chocam-se umas contra as outras
e criam novos mundos.
Hoje eu sei que isso é a VIDA!


sexta-feira, 1 de março de 2019

O Espírito e o Caos - Caio Fábio.



Quando o fogo, a fumaça, o enxofre e o cheiro do caos se espalharem sobre a terra, o Espírito se derramará como nunca antes...
Quando o sol escurecer e a lua se tornar vermelha como sangue, então o Espírito se derramará sobre toda carne...
Quando todas as ordens no céu e na terra se inverterem, e a humanidade não souber mais o que seja dia ou noite, quando paz e guerra já nem forem mais sentidos ante o estado de calamidade normal do mundo, então, o Espírito se derramará sobre toda carne.
Quando os que forem velhos estranhamente sonharem sonhos de futuro; quando os jovens sem presente profetizarem amanhãs; quando os escravos da desesperança falarem de um Novo Mundo... — então, é porque, apesar de tudo, o Espírito estará se derramando sobre todos os homens.
Quando todas as certezas humanas acabarem, e quando todas as ordens se subverterem, e quando tudo o que for fato simples e certo da existência passar a não ser, então, o Espírito se derramará sobre toda vida.
Sim, quando a prepotência, que é sempre pré-potência [um surto antecipado de poder], for dissolvida pelo esmagamento da realidade, pela falência de todos os “pré”... qualquer definições dos homens, e pela substituição de todo “pré” por todo “pós” sem nada — então, creia, o Espírito se derramará sobre toda carne.
A carne será despojada de todas as suas ilusões nos céus e na terra antes que o Espírito se derrame sobre toda carne.
Ora, assim como é no Princípio Geral da Profecia de Joel, assim também na sua aplicação existência e individual, pois, hoje mesmo, enquanto escrevo, sei que a fim de que o Espírito se derrame sobre a minha carne, a minha vida, a minha história..., antes todas as minhas ilusões e seguranças humanas têm que me ser arrancadas...; seja de fato, seja apenas como fato da sua desconstrução em importância dentro de mim.
A terra estava sem forma e vazia..., mas o Espírito pairava em vibração criadora sobre as águas do caos...
É assim desde sempre...
É assim hoje...
Será assim amanhã...
O Espírito mantém os jardins desta vida, mas em geral Suas grandes criações acontecem na impossibilidade de qualquer coisa acontecer.
O caos e a impotência são os ambientes mais adequados para as grandes manifestações e derramamentos do Espírito Santo, do Espírito da Vida.
Se seu mundo está assim, sem forma, vazio, com o sol escuro em cima, e a luz pingando sangue à noite..., enquanto você sente o cheiro da fumaça e do enxofre do fogaréu dos enganos deste mundo — creia: é o tempo ideal para o Espírito se derramar sobre você.
Nele, que age quando parece que nenhuma ação será possível,
Caio
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Há algumas décadas eu escrevi um livro chamado "Viver: Desespero ou Esperança?". Apesar da idade, ele continua tão atual quanto quando eu o escrevi.
Nele eu tento responder a questão: "há esperança para o cristão que vive nesse mundo decadente?"
Por um tempo limitado eu estou disponibilizando esse livro como download 100% gratuito. Para garantir a sua cópia, é só clicar aqui: https://goo.gl/4qhfRc

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Pepe Escobar:"o Brasil já é uma colônia dos EUA"


De Moscou, o jornalista Pepe Escobar analisa o tenso cenário na Venezuela e expõe, com exclusividade à TV 247, informações sobre como a Rússia observa a ingerência estadunidense no país vizinho e também quais serão as consequências caso as ameaças de invasão militar se consolidem; em sua análise política, Pepe também dispara que "o Brasil já é uma colônia dos EUA", tamanho o alinhamento do País com Washington; assista 
23 DE FEVEREIRO DE 2019 ÀS 08:21 // INSCREVA-SE NA TV 247 

247 - O jornalista Pepe Escobar analisa o delicado cenário na Venezuela e expõe, com exclusividade à TV 247, informações sobre como a Rússia observa a ingerência estadunidense no país vizinho, e também quais serão as consequências futuras caso as ameaças de invasão militar se consolidem. Em sua análise geopolítica, Pepe também dispara que "o Brasil já é uma colônia dos EUA", tamanho o alinhamento do governo brasileiro com Washington. 
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De Moscou, ele revela informações exclusivas vindas da inteligência militar russa, que aponta a narrativa construída pela Casa Branca. "Os EUA continuarão a colocar Maduro [presidente da Venezuela] como um ditador maluco, a mesma estratégia que fizeram com Saddam Hussein [Iraque] e Muammar Gaddafi [Líbia], assim como Juan Guaidó [opositor de Maduro, atual presidente interino da Assembleia Nacional da Venezuela, que se autoproclamou presidente do país] será o herói".
Ele informa que o exército russo fez outra projeção, comparando a situação atual da Venezuela com a ocorrida na guerra de Kosovo, na província da Sérvia, entre 1989 e 1999. 
"Se centenas de milhares de refugiados venezuelanos saírem do País, será a história perfeita para uma intervenção mais pesada, que será realizada através do exército Colômbia, que é uma sucursal do Pentágono", aponta Pepe.
Pepe diz ainda que o exército russo aponta um segundo cenário mais destrutivo, porém, remoto de acontecer. "Poderá ocorrer ataques, bombardeios aéreos de madrugada. Uma espécie de guerra psicológica para encurralar o exército venezuelano".
Brasil
Nesta segunda-feira (25), o Brasil participará de um encontro no Grupo de Lima, composto pelos países Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru. O grupo possui consonância à política externa estadunidense e irá, durante o encontro, pensar em estratégias de ingerência na Venezuela.
O jornalista revela que não ocorrerá pressão dos EUA com o Brasil durante o encontro do grupo de Lima, tendo em vista que o "país já é uma colônia dos EUA". 
Pepe acredita que "o próximo passo dos EUA é transformar o Brasil numa colônia bélica" e que tal postura "seria uma gota d'água para o Exército brasileiro".