Julgamento caso FIFA: 

 
Jornal GGN - A Rede Globo não apenas pagou propina diretamente pelos direitos de transmissão de jogos da FIFA no Brasil, como também o próprio diretor da Globo Esporte da época, Marcelo Campos Pinto, teria se encontrado, em 2012, com cartolas do esquema - Julio Humberto Grondona, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Alejandro Burzaco - acertando o repasse de $ 600 mil a Marín e Del Nero.
 
A informação é do jornalista do BuzzFeed, Ken Bensinger, que acompanha de perto o julgamento sobre os escândalos envolvendo a corrupção internacional no futebol, que teve início nesta segunda-feira (13). Desde ontem, ele vem divulgando, ao vivo, pelas redes sociais, as acusações e as respostas das defesas no caso envolvendo cartolas brasileiros e de todo o mundo e como grandes redes de televisão fizeram parte dos esquemas, incluindo a Rede Globo.
 
O primeiro a ser chamado como testemunha de acusação no caso FIFA, neste segundo dia de audiências, foi Burzaco, empresário argentino da Torneos y Competencias (ex TyC) e o responsável por uma das maiores acusações envolvendo, desta vez diretamente, a Globo.
 
"A TV Globo é controlada por O Globo, a maior empresa de mídia brasileira. Televisa é um conglomerado de mídia mexicana enorme. Fox Sports é a emissora de esportes de Rupert Murdoch. Estas são empresas de pesos-pesados, sendo acusadas de um crime grave no Brooklyn hoje", informou Bensinger, na tarde de hoje.
 
 
"Burzaco é uma testemunha 'estrela' inicial para os EUA neste caso de corrupção do futebol. Ele foi CEO da Torneos de 2006 até 2015 e se declarou culpado no final de 2015 por conspiração para cometer fraude, lavagem de dinheiro e extorsão", iniciou explicando o jornalista.
 
De acordo com o repórter, que foi noticiando o caso pelo Twitter no mesmo momento em que a audiência ocorria, Burzaco confessou que propinas foram pagas, pelo menos, de 2010 a 2015, tornando-se uma testemunha contra os cartolas Juan Angel Napout, do Paraguai, Manuel Burga, do Peru, e José Maria Marin, do Brasil.
 
Por volta das 14h da tarde de hoje, Ken Bensinger publicou o tweet que chamou a maior atenção para a impresa que acompanhava o caso aqui no Brasil: "GRANDE NOTÍCIA DA FIFA da audiência de hoje: Alejandro Burzaco disse que a Fox Sports, a Televisa, a Media Pro, a TV Globo, a Fill Play e a Traffic, todas as emissoras pagaram propinas em troca de direitos [para a transmissão] do futebol". 
 
 
Em seguida, completou: "Burzaco, uma testemunha para o governo dos EUA, disse que sua empresa teve parceirias com todas estas companhias [que pagaram propinas pelos direitos de transmissão] e ele, pessoalmente, está ciente do suborno. Fez a ressalva de que o Grupo Clarín, da Argentina, não pagou subornos".
 
Nos comentários, o jornalista informou que a Fox Sports, uma das mais importantes empresas de mídia esportiva, está atualmente sendo processada em um tribunal federal em Miami, EUA, em caso civil separado, mas relacionado ao tema da corrupção no futebol. "Este é um grande negócio, envolvendo algumas das mais importantes empresas de mídia esportivas da América e, no caso da Fox, no mundo". 
 
Ressaltando o que havia acabado de informar no depoimento de acusação de Burzaco, repetiu: "testemunha num caso da FIFA disse que seis das maiores companhias de comunicação, incluindo a Fox Sports, pagaram subornos para os direitos de transmissão".
 
Narrou que o antigo diretor da Fox Pan American Sports assinou um contrato "não real", em março de 2008, com a Somerton Corporation, de propriedade de Jose Margulies, argentino radicado no Brasil, para cobrir o pagamento de $ 3,7 milhões em propinas pela T&T para os direitos de transmissão de dois torneios da CONMEMBOL. 
 
"Além de acusações de suborno do Fox Sports, Burzaco hoje disse que cinco outros canais pagos subornos, mas não ainda forneceu mais detalhes sobre qualquer um deles, incluindo O Globo ou Televisa. Fique atento"
 
 
"[Julio Humberto] Grondona recebeu 'tratamento presidencial' quando viajou para Assunção, para os eventos da CONMEBOL, viajando em jato privado, e sendo recebido por três sedãs Mercedes, com Nicolas Leoz e Eugenio Figueredo aguardando-o na pista. Sem controles aduaneiros ou imigração... E a CONMEBOL foi enfeitada com umas 40 bandeiras da argentina. Quando Ricardo Teixeira chegou, ele recebeu o mesmo tratamento, disse Burzaco".
 
Após anunciar uma sequência de acusações contra Julio Humberto Grondona, argentino que foi vice-presidente Executivo e Presidente Financeiro da FIFA até 2014, de que teria recebido US$ 600 mil por ano, propina que chegou a atingir US$ 1,2 milhões em 2012, afirmou: "Fãs do futebol brasileiro, não fiquem tristes. Tenho novas informações para vocês, também, sobre Ricardo Teixeira, o ex-presidente da Confederacão Brasileira de Futebol..."
 
"De acordo com Burzaco, Teixeira recebeu subornos da T&T para a Copa Libertadores e a Copa Sul Americana também. A partir de 2006, ele recebeu US$ 600 mil a cada ano".
 
O cartola brasileiro teria solicitado formas de pagamentos que foram considerados "estranhos" por diferentes hábitos bancários que envolviam destinos "exóticos" como o Oriente Médio, Ásia e Andorra, e receptores com nomes muito comuns em cada um dos países. As orientações vinham de Teixeira, de seu assistente e outras vezes de seu tio, Marco Antonio Teixeira. Em um desses pedidos, o prazo de envio expiraria em 48 horas.
 
Por volta das 16h30 de hoje, o repórter admitiu que "muitas pessoas querem mais notícias sobre subornos alegadamente pagos pela TV Globo do Brasil. Até agora, Burzaco não adicionou testemunho adicional sobre esse ponto. Fiquem atentos".
 
Ainda entre os furos de reportagem anunciados por Bensinger, foi o primeiro a noticiar que Burzaco disse ter pago $ 4 milhões em propina para Jorge Delhon e Pablo Paladino, do Futbol Para Todos, funcionários do governo argentino entre os anos de 2011 e 2014.
 
Já ao fim da audiência, o repórter da BuzzFeed trouxe mais notícias da Globo: "Em junho de 2012, Marcelo Campos Pinto, então chefe da Globo Esporte, encontrou-se em um restaurante com Grondona, Marin, Del Nero e Burzaco para discutir propinas para a Libertadores e torneios sul americanos.
 
 
 
"O restaurante chamava-se Tomo Uno, e todos na reunião, incluindo Campos Pinto, concordaram que o dinheiro que tinha sido arrecadado para Teixeira poderia ir aos seus sucessores na CBF e CONMEBOL, Jose Maria Marin e Marco Polo del Nero. Campos Pinto deixou a Globo Esportes no final de 2015", concluiu em um de suas últimas publicações do dia. O jornalista deve seguir as informações amanhã (15).