sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Apontaram uma saída e a turma que só olhou pro dedo não viu o caminho.



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Do mito da caverna, de Platão ao iluminismo, de Kant...
O mito da caverna conta que alguns prisioneiros vivem, desde o nascimento, acorrentados numa caverna, passando todo o tempo a olhar para a parede do fundo da caverna, que é iluminada pela luz duma fogueira. Nesta parede aparecem as sombras de estátuas de pessoas, de animais, de plantas e de objetos, mostrando cenas e situações do dia-a-dia. Os prisioneiros dão nomes a essas sombras e ficam analisando e julgando as situações.

Se um desses prisioneiros se desvencilhasse das correntes para explorar a caverna por dentro e o mundo por fora, conheceria a realidade e perceberia que passou a vida analisando e julgando apenas sombras, imagens projetadas por estátuas. Quando saísse da caverna e entrasse em contato com o mundo real, se encantaria com os seres de verdade, com a natureza real. Ao voltar para a caverna, ansioso pra passar o seu conhecimento adquirido fora da caverna para os outros prisioneiros, seria ridicularizado.


Os prisioneiros que não conheciam a realidade não acreditariam no que ele viu e sentiu, pois só eram capazes de acreditar na realidade que enxergavam na parede iluminada da caverna, só acreditavam nas sombras. Eles iriam chamá-lo de louco. Eles iriam ameaçá-lo de morte se ele não parasse de falar daquelas idéias que pareciam tão absurdas.
Transmitir conhecimento esbarra num problema conceitual grave: pra Kant, o conhecimento é uma atividade intelectiva, ele não se transmite. Ele é a produção individual de cada ser racional.

O que você transmite é apenas informação, nunca conhecimento. 

Essas informações só servem para ser refutáveis! O científico não é o verdadeiro, por ser refutável. É aquilo que alguém pode demonstrar que está errado. A postura é a de investigação permanente. Assim, toda a critica pressupõe o conhecimento profundo do objeto da crítica. Deixo isso como uma pista... Longe de tentar desenhar!

Hoje, não nos é facultado mais pensar, pois os psicólogos sociais trabalham para que outros se encarreguem dessa desagradável tarefa. Todos esses advertirão ao maior número possível o quão perigoso seria o seu passo à "maior idade", pois cada charlatão tem o seu jeito de intimidá-lo de forma subjetiva através dos meios de comunicação. Não faça isso sem a orientação desses ou daqueles, lhes dirão. Todos eles falarão sobre os riscos da sua autonomia e liberdade de pensar, como todo bom tirano manipulador. Só que não se poderá passar de uma "menor idade" para a "maior idade", sem quedas...

Com tantos "tutores midiáticos" fica dificílimo aceder à "maior idade", pois as suas mensagens são quase sempre subliminares... Com isso, a maioria com a sua mantida "menor idade" converte-se numa natureza, numa obviedade. Ou seja, você imagina desde sempre que as coisas são assim.

Incapazes de se servirem por conta própria, por seu entendimento e experiência, porque nunca os deixaram tentar, todos os da "menor idade" acomodaram-se em suas zonas de conforto, estabelecidas convenientemente por uma minoria da "maior idade" manipuladora, através dos meios de comunicação.

Vou fazer uma analogia com o que se passa aqui, no Reino, onde os Ufos se arriscaram a descer...

Observemos que todos os dias o Jornal Nacional da emissora de televisão Globo nos passa informações massificadas e sem nenhum respaldo investigativo e comprobatório sobre o que disse alguém quando interpelado sobre o escândalo do "Lava Jato" na Petrobrás. Assim, imaginamos que os fatos se superpõem uns aos outros, somando-se. Quando no dia seguinte a justiça indefere aquele depoimento por não possuir o respaldo jurídico necessário para constar nos autos do processo, o Jornal Nacional não nos informa em contra partida. Isso significa que ele atende como meio de comunicação a algum grupo interessado em manter a imagem da empresa, seus responsáveis e do governo, denegrida. Restaria a nós perguntar, caso tivéssemos a "maior idade": qual o interesse de um meio de comunicação informar de forma intencional sobre uma investigação ainda em faze preliminar, não julgada ou condenada uma empresa ou um governo? A quem serve esse modelo de enfoque sobre a pseudo- realidade ainda não averiguada a luz da justiça?Facilita-nos ter um parecer a partir daí? Porque não aguardamos o desenrolar das investigações feitas de forma isenta pela polícia federal, para que constem nos autos do processo, montado pelo procurador e julgado por um juiz do Supremo? Incomoda-nos a verdade ou a demora?Por quê? Porque somos os de "menor idade", acostumados desde pequenos a possuir um "Personal Training" que nos diga o que achar e o que fazer, quando fazer, como fazer, o que valorizar e o que desconsiderar. Tudo isso, de preferência dentro de associações, sindicatos, redes sociais, etc. Por quê? Por que precisamos nos opor aos de "maior idade" como objetivo comum, sem fazer o menor esforço possível.

 Observem que os de "maior idade" não se associam. Por quê? Suas conclusões são singulares e independentes, são motivadas pela força dos seus desejos de agir, do seu poder, nunca de reagir. Nunca se viu um sindicato dos ativos, só dos reativos. 

Isso é apenas uma analogia do que acontece com você dentro da nossa política conservadora, cheia de ovelhas arrebanhadas e tosquiadas, onde o cabresto tem mão e contra mão.

Você é um ser que busca a sua individuação e a integralidade das suas contrapartes ou é um ser arrebanhado pelo inconsciente coletivo, sujeito a vivenciar o que os meios de comunicação manipuladores oferecem para você pensar que é você que pensa?

Por último eu pergunto: quem teve a ideia de definir o justo do injusto, o forte do fraco? O ativo de "maior idade" ou o reativo de "menor idade"? Faça uma reflexão sobre o que se passa em torno de você, como faz um iogue. Observe-se!

Se não conseguir chegar a um insight, não se desespere...  Se você só usou o dedo na hora de votar, se negociou essa oportunidade na campanha, se acha que o seu voto vale muito, apesar de só valer um, tanto quanto o daquele que nunca leu nada, sobre nada,  considerando tudo isso injusto.

Que se há de fazer? Isso, é o que se chama democracia! Deve ter sido inventada pelos desfavorecidos e arrebanhados, uma turma reativa e da "menor idade". Fazer o que?

Venderam pra você que o modelo humano que você procura encontra-se nos currículos, em rótulos que justifiquem antecipadamente o valor dos conteúdos, nas obras de impacto visual, em valores estritamente profissionais, onde o conteúdo humano foi empurrado para baixo pela "persona" politicamente correta e de valor coletivo. Só que o inconsciente coletivo é sábio e não se deixa enganar pelas arrogâncias disfarçadas em competência, impermeáveis aos sentimentos e as necessidades humanas. É nessa hora que ouvimos o silêncio e o tempo, quando nenhum argumento persuasivo nos engana mais, é nessa hora que o dedo nas urnas revela o que o íntimo deseja.

Uma boa viagem fora dessa caverna que te colocaram nesses oito anos, vamos viver a vida que merece ser vivida e compartilhada. Estamos juntos, apesar dos percalços. 

José Alfredo Bião Oberg