quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Diálogos entre duas tradições...

Felipe: Não me importo com a idéia de Gautama realizando algum trabalho de preparação aqui na terra, presdispondo para a Tua Boa Nova, Mestre. Não  me sinto à vontade com a idéia de que ele possa ser considerado em outra tradição no mesmo nível do senhor, de que o Silêncio dele tenha o mesmo alcance que Tua Palavra.

Jesus: Tu colocarias limites ao amor do Pai? Gostarias que Ele se recusasse a incontáveis gerações e raças de homens, que o tem buscado com tanta sinceridade? Sem dúvida, é verdade que trago a ti e a todos os homens a Sua Palavra onipotente, mas tu me reconheces somente agora, Felipe? Há tanto tempo estou contigo, e ainda não me reconheces, exceto por essa forma tão restrita?

Felipe: Queres dizer, Mestre, que quando ouvimos Gautama devemos ser capazes de te reconhecer?

Jesus: Felipe, ouve a voz do Espírito, pois é ela que abre a mente, liberta o coração, junta o que está separado e perdido, mantém inabalável fidelidade, instila a paz, renova a confiança, conforta e tolera. Feliz de ti se ouvires essa voz!

Felipe: Ultimamente, falas com muita frequência em Gautama, a Luz da Ásia, Rabi. O que esse estrangeiro tem a ver conosco?

Jesus: Felipe, justamente pelo que dizes mostras o quanto estás precisando daquilo que ele tem para oferecer. Pergunta a ti mesmo o que ti impede de ouvir Gautama. Algum tipo de presunção ou a certeza que ele não tem qualquer verdade a oferecer que já não tenhas ouvido de meus lábios? Será o medo de que ele te leve para longe de mim, ou dê provas de que estou errado? Sentes a mesma hostilidade por Moisés ou Elias? Entretanto, tu e Simão já me viram conversando com eles.

Simão: Espera aí Senhor, Moisés e Elias fazem parte da nossa tradição. O Felipe está com razão! Eles são os pais da nossa tradição, ver-te conversando com eles foi a confirmação sagrada do que  nossos corações nos haviam segredado sobre ti. Foi como um alegre casamento entre o antigo e o novo.

Jesus: Estás vendo? Vossos corações, muito antes de vossas mentes,foram capazes de sentir a ligação entre minhas palavras, minhas ações e tudo o que fostes ensinados a crer. Confia no coração! Não estou querendo dizer para ignorar as perguntas da mente, mas apenas que deveis abrir os corações para uma experiência... Dai voz às vossas dúvidas e hesitações dialogando com eles. Se verdadeiramente os ouvirdes, e eles vos ouvirem, como poderá falhar o vosso crescimento na luz?
O Espírito que vos está sendo dado não é da espécie que pretende confinar-vos dentro de um pequeno mundo sectário.
É um Espírito que transpõe barreiras existentes entre os mundos, não mediante a destruição do que os caracteriza, mas através da comunhão entre eles. Nessa comunhão, Simão, abre-se o Caminho que fica além de todos os caminhos.

Simão: Poderão diálogos como este ser uma nova forma de oração, Rabi?

Jesus: Não apenas uma nova forma, mas aforma mais alta dessa mesma ida e volta. As preces são descritas como diálogos com Deus. Mas como poderemos conversar com algo que está além da linguagem? Mediante a linguagem, o diálogo pode levar a libertação da mente e do coração, que é a Palavra de Deus segredada a nós no silêncio. Nossa resposta muda é essa excitação que nos arrebata, o salto de alegria, o reconhecimento,  a expansão da nossa vida.

Simão: Falas, Rabi, numa palavra muda e de uma resposta não articulada. É assim, também, o segredo de Gautama?

Jesus: O sentido do silêncio de Gautama tem muitos aspectos. Gautama conta uma história a respeito de um homem que foi ferido por uma seta envenenada. Antes de permitir que a retirassem, ele quis saber que tipo de seta fora usada e de que espécie de veneno estava ela impregnada. Claro que esse homem morreu antes que essas perguntas fossem respondidas. Da mesma forma, Gautama nos ensina que, se insistirmos em compreender Deus e a alma humana, estaremos mortos por causa dos nossos muitos males, bem antes que a nossa mente atinja o conhecimento necessário.

Felipe: E concordas com ele nesse ponto, Mestre?

Jesus: Não vês que aquilo contra o qual ele nos alerta é o erro fatal dos fariseus? Mais uma vez eu já os avisei de que morrerão em pecado por se recusarem a reconhecer João Batista ou a mim. Eu disse "se recusam a reconhecer", pois os casos de cura e as obras de salvação estão aí, para que todos vejam, como o sinal certo pelo qual o Espírito Santo é reconhecido. Tivessem eles o coração sincronizado com espírito, como poderiam deixar de reconhecer-me? É por esse método que reconhecereis se Gautama está comigo ou contra mim. Mas,  porque não concordo com as idéias deles a respeito de Deus ou do Messias, eles não podem me aceitar. A obstinação de suas mentes torna estúpidos seus corações. Seus corações estão atrofiados. É contra esse perigo que Gautama nos alerta, e esse é o perigo que ele almeja eliminar com seu silêncio.

Simão: Tu também acreditas no silêncio, Rabi, do mesmo modo que Gautama, e Gautama também comunica uma palavra, do mesmo modo que tu?

Jesus: Lembra-te da história  que contei sobre o semeador e a semente?  Era preciso que a terra fosse boa - uma terra sem cardos, pedras ou urzes, uma terra que tivesse sido revolvida e arejada - e era preciso que a semente fosse boa. Gautama dá ênfase à preparação do solo, enquanto eu valorizo a dádiva da semente.Entretanto, a terra não daria frutos sem a semente, e ambas dependem do sol, da chuva e da estação do plantio, do calor do coração e da dádiva do espírito.

Simão: Então há a necessidade de ambos, do silêncio e da palavra para que o espírito cresça de algum modo. Tu nos falastes dos perigos da palavra sem o silêncio, Rabi. Há também perigo num silêncio sem palavras?

Jesus: Os perigos podem ser maiores ainda, pois são bem mais sutís. Um solo bom e rico pode ser confundido com um fim em si mesmo; mas o fazendeiro sabe que é um desperdício deixar um bom solo sem cultivo. Por isso Simão, o mesmo acontece com o silêncio e a palavra: como pode existir uma palavra silenciosa ou um silêncio loguaz? Quero que saibas, que existe um silêncio que prepara o caminho da palavra, um silêncio que é a mais alta elocução dessa palavra. Foi por isso que eu disse que o silêncio de Gautama é complexo. Quem melhor do que ele conhece a arte de aplainar, derrubar montanhas e encher vales, preparando o caminho no mundo para a minha vinda? Mas o seu silêncio ultrapassa os limites da boa vontade. Ele também conhece o silêncio da palavra que transborda, o silêncio prenhe do que está além do enunciado, o inefável gemido do Espírito.

domingo, 18 de novembro de 2012

E ai, como é que fica?...

Santayana: Julgamento da AP 470 corre o risco de ser um dos erros judiciários mais pesados da História

publicado em 16 de novembro de 2012 às 15:32
por Mauro Santayana, em seu blog
O julgamento da Ação 470, que chega ao seu fim com sentenças pesadas contra quase todos os réus, corre o risco de ser considerado como um dos erros judiciários mais pesados da História. Se, contra alguns réus, houve provas suficientes dos delitos, contra outros os juízes que os condenaram agiram por dedução. Guiaram-se pelos silogismos abengalados, para incriminar alguns dos réus.
O relator do processo não atuou como juiz imparcial: fez-se substituto da polícia e passou a engenhosas deduções, para concluir que o grande responsável fora o então Ministro da Casa Civil, José Dirceu. Podemos até admitir, para conduzir o raciocínio, que Dirceu fosse o mentor dos atos tidos como delituosos, mas faltaram provas, e sem provas, não há como se condenar ninguém.
O julgamento, por mais argumentos possam ser reunidos pelos membros do STF, foi político. Os julgamentos políticos, desde a Revolução Francesa, passaram a ser feitos na instância apropriada, que é o parlamento. Assim foi conduzido o processo contra Luis XVI. Nele, de pouco adiantaram os brilhantes argumentos de seus notáveis advogados, Guillaume Malesherbes, François Tronchet e Deseze, que se valiam da legislação penal comum.
O julgamento era político, e feito por uma instituição política, a Convenção Nacional, que representava a Nação; ali, os ritos processuais cediam lugar à vontade dos delegados da França em processo revolucionário. A tese do poder absoluto dos parlamentares para fazer justiça partira de um dos mais jovens revolucionários, Saint-Just. Ela fora aceita, entre outros, por Danton e por Robespierre, que se encarregou de expô-la de forma dura e clara, e com a sobriedade própria dos julgadores – segundo os cronistas do episódio — aos que pediam clemência e aos que exigiam o respeito ao Código Penal, já revogado juntamente com a monarquia.
– Não há um processo a fazer. Luis não é um acusado. Vocês não são juízes, vocês são homens de Estado. Vocês não têm sentenças a emitir em favor ou contra um homem, mas uma medida de segurança pública a tomar, um ato de providência nacional a exercer. Luis foi rei e a República foi fundada.
E Robespierre, implacável, explica que, em um processo normal, o Rei poderia ser considerado inocente, desde que a presunção de sua inocência permaneceria até o julgamento. E arremete:
– Mas, se Luis é absolvido, o que ocorre com a Revolução? Se Luis é inocente, todos os defensores da liberdade passam a ser caluniadores.
Os fatos posteriores são conhecidos.
O STF agiu, sob aparente ira revolucionária de alguns de seus membros, como se fosse a Convenção Nacional. Como uma Convenção Nacional tardia, mais atenta às razões da direita – da Reação Thermidoriana, que executou Robespierre, Saint Just e Danton, entre outros – do que a dos montagnards de 1789. Foi um tribunal político, mas sob o mandato de quem? Quem os elegeu? E qual deles pôde assumir, com essa grandeza, a responsabilidade do julgamento político, que assumiu o Incorruptível? E qual dos mais exacerbados poderia dizer aos outros que deviam julgar como homens de Estado, e não como juízes?
Como o Tartufo, de Molière, que via a sua razão onde a encontrasse, foram em busca da teoria do domínio do fato, doutrina que, sem essa denominação, serviu para orientar os juizes de Nurenberg, e foi atualizada mais tarde pelo jurista alemão Claus Roxin.
Só que o domínio do fato, em nome do qual incriminaram Dirceu, necessita, de acordo com o formulador da teoria, de provas concretas. Provas concretas encontradas contra os condenados de Nurenberg, e provas concretas contra o general Rafael Videla e o tiranete peruano Alberto Fujimori.
E provas concretas que haveria contra Hitler, se ele mesmo não tivesse sido seu próprio juiz, ao matar-se no bunker, depois de assassinar a mulher Eva Braun e sua mais fiel amiga, a cadela Blondi. Não havendo prova concreta que, no caso, seria uma ordem explícita do Ministro a alguém que lhe fosse subordinado (Delúbio não era, Genoíno, menos ainda), não se caracteriza o domínio do fato. Falta provar, devidamente, que ele cometeu os delitos de que é acusado, se o julgamento é jurídico. Se o julgamento é político, falta aos juízes provar a sua condição de eleitos pelo povo.
Dessa condição, dispunham os membros da Convenção Nacional Francesa e os parlamentares brasileiros que decidiram pelo impeachment do Presidente Collor. As provas contra Collor não o condenariam (como não condenaram) em um processo normal. Ali se tratou de um julgamento político, que não se pretendeu técnico, nem juridicamente perfeito, ainda que fosse presidido pelo então presidente do STF.
A nação, pelos seus representantes, foi o tribunal. O STF é o cimo do poder judiciário. Sua sentença não pode ser constitucionalmente contestada, mesmo porque ele é, também, o tribunal que decide se isso ou aquilo é constitucional, ou não. A História, mais cedo do que tarde, fará a revisão desse processo, para infirmá-lo, por não atender às exigências do due process of law, nem a legitimidade para realizar um julgamento político.
O julgamento político de Dirceu, justo ou não, já foi feito pela Câmara dos Deputados, que lhe cassou o mandato.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Seria Jesus um romântico?

Vale a pena!
SERIA JESUS UM ROMÂNTICO? 

Há quem julgue o ensino de Jesus muito romântico e sem senso de realidade. Afinal, o que Ele manda fazer e ser é completamente contrário àquilo que o fluxo deste mundo chama de realidade e objetividade.

Quem ganha guerras amando o inimigo? Quem vai a qualquer lugar se perdoa sempre? Quem lucrará de modo capitalista se fizer aos outros antes aquilo mesmo que deseja que os outros façam a ele? Em que sociedade o maior deve ser o menor, e o último o primeiro? Em que filosofia o caminho do ser é o de se fazer como uma criança? Quem prosperará se não se inquietar com o dia de amanhã? Quem sobrevive sendo verdadeiro sempre? Quem vai a qualquer lugar se não aliar-se aos poderes vigentes? Quem se satisfaz sendo tão discreto que a mão direita não pode nem se gabar do que fez a esquerda? Quem consegue ser tão livre, que simplesmente não reconheça fronteiras, e que se sinta bem-vindo em qualquer lugar onde for bem-vindo, pois, não conhece o preconceito? Quem não se amargurará também ao não ser recebido pelos seus próprios? Quem tendo todo o poder decide não usa-lo? Quem podendo se impor apenas deixa “chegar a hora”? Quem podendo esmagar se deixa antes executar? Quem podendo dar um show que agilize o caminho, preferirá ao invés andar nos desertos, e associar-se a gente pequena, e dedicar a sua vida à cura dos doentes de corpo e alma? Quem podendo curar, curando proíbe os curados de falarem que foi dele que veio o benefício? Quem sacrificaria um jantar com amigos ricos para oferecer uma ceia para mendigos e desconhecidos probretões? Quem faz do amor um caminho de transgressão ante os olhos dos juizes da moral, e, ainda assim, jamais não negocia o que sabe ser verdade e bom? Quem confia ao Pai a própria vida, e aceita todo e qualquer absurdo, e, ainda assim, sabe morrer entregando ao Pai o espírito?

Sim, para muitos, senão para todos, o Evangelho é insuportável, e, por isto, mesmo quando todos dizem que ele está certo, ainda assim ninguém se aventura a leva-lo à sério.

Jesus, todavia, não era romântico. Se Ele come carne é porque animais morrem. Se bebe vinho é porque sabe que vides precisam ser plantadas. Se fala de casas que não sucumbem ao tempo é porque sabe que casas precisam ser construídas. Se transforma água em vinho é porque sabe que a frustração pode acabar a alegria de uma casamento. Se multiplica alimentos é porque sabe que o homem não vive somente da Palavra que sai da boca de Deus, mas também de pão. Se entra em barcos é porque reconhece a gravidade da Lei da Gravidade. Se dorme é porque sabe que sem descanso não se vive. Se chora a morte de um amigo é porque reconhece que não existe vida sem emoção.

Entretanto, Jesus estabelece limites. Ele deixa claro que a cobiça, os excessos, as luxurias, e todas as ambições tornariam a vida impossível na Terra.

Hoje, quem se atreve a dizer que nosso senso de realidade e de objetividade são de fato reais e objetivos?

Sim, diante de tudo o que nossa realidade e nossa objetividade produziram como morte em proporções globais, quem se atreve a dizer que o romântico é Jesus?

Não amigos! Digamos que não suportamos, que não agüentamos viver diferente, que nosso egoísmo e nosso imediatismo nos governam, qualquer coisa... mas não digamos que Jesus é romântico.

Românticos e idiotas somos nós, os insaciáveis, os implacavelmente cobiçosos, os senhores e sujeitos de seus próprios medíocres destinos, os poderosos que não têm nem mesmo os senso de realidade que assume que nós próprios, quais idiotas incuráveis, somos aqueles que por ambição, omissão, ou mero comodismo, estamos tratando real e objetivamente de nos auto-destruirmos.

Sim, digamos antes que o Evangelho é insuportável, mas não digamos que ele é romântico, pois, nada há mais verdadeiro, nem tampouco mais real e chocantemente profilático quanto a indicar o caminho da vida, e não da morte, quanto o Evangelho de Jesus.

Mas Ele perguntou: “Quando vier o Filho do Homem, porventura achará fé na Terra?”


Caio


Há quem julgue o ensino de Jesus muito romântico e sem senso de realidade. Afinal, o que Ele manda fazer e ser é completamente contr
ário àquilo que o fluxo deste mundo chama de realidade e objetividade.

Quem ganha guerras amando o inimigo? Quem vai a qualquer lugar se perdoa sempre? Quem lucrará de modo capitalista se fizer aos outros antes aquilo mesmo que deseja que os outros façam a ele? Em que sociedade o maior deve ser o menor, e o último o primeiro? Em que filosofia o caminho do ser é o de se fazer como uma criança? Quem prosperará se não se inquietar com o dia de amanhã? Quem sobrevive sendo verdadeiro sempre? Quem vai a qualquer lugar se não aliar-se aos poderes vigentes? Quem se satisfaz sendo tão discreto que a mão direita não pode nem se gabar do que fez a esquerda? Quem consegue ser tão livre, que simplesmente não reconheça fronteiras, e que se sinta bem-vindo em qualquer lugar onde for bem-vindo, pois, não conhece o preconceito? Quem não se amargurará também ao não ser recebido pelos seus próprios? Quem tendo todo o poder decide não usa-lo? Quem podendo se impor apenas deixa “chegar a hora”? Quem podendo esmagar se deixa antes executar? Quem podendo dar um show que agilize o caminho, preferirá ao invés andar nos desertos, e associar-se a gente pequena, e dedicar a sua vida à cura dos doentes de corpo e alma? Quem podendo curar, curando proíbe os curados de falarem que foi dele que veio o benefício? Quem sacrificaria um jantar com amigos ricos para oferecer uma ceia para mendigos e desconhecidos probretões? Quem faz do amor um caminho de transgressão ante os olhos dos juizes da moral, e, ainda assim, jamais não negocia o que sabe ser verdade e bom? Quem confia ao Pai a própria vida, e aceita todo e qualquer absurdo, e, ainda assim, sabe morrer entregando ao Pai o espírito?

Sim, para muitos, senão para todos, o Evangelho é insuportável, e, por isto, mesmo quando todos dizem que ele está certo, ainda assim ninguém se aventura a leva-lo à sério.

Jesus, todavia, não era romântico. Se Ele come carne é porque animais morrem. Se bebe vinho é porque sabe que vides precisam ser plantadas. Se fala de casas que não sucumbem ao tempo é porque sabe que casas precisam ser construídas. Se transforma água em vinho é porque sabe que a frustração pode acabar a alegria de uma casamento. Se multiplica alimentos é porque sabe que o homem não vive somente da Palavra que sai da boca de Deus, mas também de pão. Se entra em barcos é porque reconhece a gravidade da Lei da Gravidade. Se dorme é porque sabe que sem descanso não se vive. Se chora a morte de um amigo é porque reconhece que não existe vida sem emoção.

Entretanto, Jesus estabelece limites. Ele deixa claro que a cobiça, os excessos, as luxurias, e todas as ambições tornariam a vida impossível na Terra.

Hoje, quem se atreve a dizer que nosso senso de realidade e de objetividade são de fato reais e objetivos?

Sim, diante de tudo o que nossa realidade e nossa objetividade produziram como morte em proporções globais, quem se atreve a dizer que o romântico é Jesus?

Não amigos! Digamos que não suportamos, que não agüentamos viver diferente, que nosso egoísmo e nosso imediatismo nos governam, qualquer coisa... mas não digamos que Jesus é romântico.

Românticos e idiotas somos nós, os insaciáveis, os implacavelmente cobiçosos, os senhores e sujeitos de seus próprios medíocres destinos, os poderosos que não têm nem mesmo os senso de realidade que assume que nós próprios, quais idiotas incuráveis, somos aqueles que por ambição, omissão, ou mero comodismo, estamos tratando real e objetivamente de nos auto-destruirmos.

Sim, digamos antes que o Evangelho é insuportável, mas não digamos que ele é romântico, pois, nada há mais verdadeiro, nem tampouco mais real e chocantemente profilático quanto a indicar o caminho da vida, e não da morte, quanto o Evangelho de Jesus.

Mas Ele perguntou: “Quando vier o Filho do Homem, porventura achará fé na Terra?”


Caio
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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Temporada de caça ao petróleo brasileiro




BY
ADMIN

 – 2 DE NOVEMBRO DE 2012POSTED IN: GERAL

Pistas para compreender o estranho linguajar da mídia no debate sobre o futuro do Pré-Sal

Por Paulo Metri, no Democracia & Política

“Nos dias atuais, proliferam veículos, na mídia brasileira, que utilizam a desinformação. Como

exemplo, surgem artigos, editoriais, notícias e entrevistas dizendo que ‘as rodadas de leilão

de áreas para produzir petróleo devem ser realizadas’, ’a Petrobras não tem capacidade

para explorar sozinha o Pré-Sal devido a suas limitações financeira, gerencial e tecnológica’

e, para ‘ajudar o Brasil’ a vencer essa dificuldade, ‘as empresas petrolíferas estrangeiras

precisam ser convidadas’.

Nessas mensagens [afirmam que], para atraí-las, é necessário que as concessões do Pré-

Sal sejam firmadas sob as regras da [dadivosa para estrangeiros] lei nº 9.478 [de FHC/

PSDB/DEM], o que significa revogar no Congresso a lei 12.351 [de 2010], recém-aprovada,

devolvendo o Pré-Sal à antiga lei 9.478 [de FHC].

Trata-se de arrogância sem igual, típica de quem se acha imbatível. Para tentar convencer

os leitores ou espectadores, supondo todos desatentos, lançou-se mão de inverdades,

acreditando que ninguém vai contestar um grande jornal, revista semanal, rádio ou televisão.

Arquitetaram, com grande esmero, o que pode ser chamado de a “temporada de caça ao

petróleo brasileiro”. Felizmente, existem alguns sites, blogs e veículos digitais que estão

dispostos a conscientizar a população e publicam novos dados e análises.

Contudo, a mídia do capital, aquela que não prioriza a sociedade [nacional], às vezes comete

erros, por partir do princípio de que o povo tem um baixo nível de compreensão política.

Durante dez anos seguidos (de 1999 a 2008), existiram rodadas de leilões de áreas para

exploração de petróleo. Nunca trouxeram para seus veículos uma voz que advogasse a

não realização dessas rodadas. Em compensação, disseminaram matérias contando as

supostas ’maravilhas das rodadas’. Os leitores ou espectadores atentos devem pensar: “Que

estranho insistirem tanto em um mesmo ponto!”

Neste instante, eles querem ter acesso a algo, não necessariamente divergente, mas com

diferente ângulo de visão, e não encontram, porque essas matérias só existem na imprensa

alternativa. Mais cedo ou mais tarde, eles conhecerão os veículos livres, comprometidos

com as causas sociais, e entenderão que a grande mídia é um braço camuflado do capital,

principalmente o internacional.

Na atual temporada de caça ao nosso petróleo, inúmeras matérias de comunicação satisfazem,

sem serem explícitas, aos interesses estrangeiros sobre nosso petróleo. Se fosse rebater cada

material divulgado, este artigo iria ficar longo e cansativo; então, comento a seguir as principais

acusações dos detratores.

Começo pela que diz que, “depois da descoberta do Pré-Sal, o Brasil, em vez de começar

a exportar petróleo, está se distanciando da autossuficiência”. Para explicar o que ocorre, é

preciso desenvolver um raciocínio preliminar.

A velocidade que o governo brasileiro impôs à exploração no setor de petróleo, com uma

rodada de leilões por ano, de 1999 até 2008, foi do interesse único das empresas estrangeiras,

que não têm petróleo em seus países de origem, e dos países desenvolvidos, que precisam

do petróleo para mover suas economias. Se não forçassem a Petrobras a ter que participar de

tantos leilões, mais recursos sobrariam para o desenvolvimento de campos e a autossuficiência

estaria garantida há mais tempo. Por outro lado, em cada leilão que a Petrobras não participa

e não ganha, há uma perda enorme para o país. Além disso, é preciso saber que, entre

a declaração de comercialidade de um campo marítimo e o início da sua produção, são

necessários, em média, cinco anos.

Entretanto, estamos hoje bem próximos da autossuficiência, o que não ocorreria, com absoluta

certeza, se em 1953 [com Getúlio Vargas] o projeto de interesse das petrolíferas estrangeiras

tivesse sido aprovado. No nosso país, hoje, não existiria a Petrobras e a produção nacional

seria mínima. As empresas estrangeiras não iriam para a plataforma continental quando a

Petrobras foi, em 1974, pois a lógica do capital as levaria para a Arábia Saudita, o Iraque, o

Cazaquistão e outros lugares promissores para o petróleo, como de fato ocorreu. Também,

certamente ninguém saberia, hoje, da existência do Pré-Sal.

É interessante que não se conta, para garantir a autossuficiência, com o petróleo produzido

no país pelas empresas estrangeiras. De forma pouco soberana, raciocina-se que esse

petróleo é delas e elas não têm a obrigação de abastecer o Brasil. Essa falta de lógica

social é resguardada pela [antinacional] lei 9.478 de 1997 [de FHC/PSDB/DEM] e é parte

do pensamento subserviente da década de 1990, que imaginava o Brasil como economia

complementar à dos desenvolvidos, mero exportador de minerais e produtos agrícolas.

Como boas críticas neoliberais, as matérias lembram sempre “os prejuízos da Petrobras no

segundo trimestre de 2012″. Ela teve prejuízo porque o governo determinou que segurasse

o preço dos derivados, uma vez que os aumentos desses preços repercutem muito no

índice de inflação. Não se pode beneficiar o cidadão brasileiro em detrimento dos dividendos

maravilhosos que seriam dados aos acionistas? Não se pode fazer isso eternamente, mas, de

vez em quando, se pode. Além disso, os acionistas [muitos estrangeiros] não vão ficar sem

dividendos. Só não vão ter aqueles maravilhosos.

Acusam gratuitamente as mudanças do setor porque “modificaram o sistema de royalties”, fato

catastrófico, porque desencadeou no Congresso disputa entre os parlamentares dos diferentes

estados sobre a distribuição dos mesmos. É verdade que discutir o sistema de royalties foi

catastrófico, mas o que os autores não percebem é que, mesmo que a lei 9.478 [de FHC] fosse

utilizada para o Pré-Sal, os parlamentares iriam querer modificar seus artigos que estabelecem

a distribuição dos royalties arrecadados. O que atraiu esses parlamentares a buscarem mudar

essa distribuição foi a perspectiva de arrecadações milionárias desse tributo, quando o Pré-Sal

entrasse em operação.

Criticam a lei 12.351 [de 2010] por atribuir à Petrobras participação obrigatória de 30% em

cada consórcio e por essa empresa ser a operadora única dos novos contratos do Pré-Sal,

determinações essas que “seriam desnecessárias”, além de outros adjetivos pesados. Assim,

transmitem a visão que nos desejam impingir, a qual favorece as empresas estrangeiras.

A Petrobras ser a operadora dos consórcios é primordial, pois quem compra bens e serviços

para as fases de exploração, desenvolvimento e produção é a operadora. E, dentre as

empresas que atuam no Brasil, só a Petrobras compra aqui. As empresas estrangeiras

ganharam áreas para explorar petróleo desde 1999 e, até hoje, 14 anos depois, nenhuma

delas comprou uma plataforma no Brasil. Os 30% são explicados porque nenhuma empresa

consegue ser a operadora com menos de 30% de participação no consórcio.

Criar nova empresa estatal para gerir o programa, que também é motivo de crítica, é na

verdade muito importante para, dentre outros objetivos, fiscalizar as contas de todos os

consórcios.

Finalizando, os autores invariavelmente criticam o governo por procurar “viabilizar uma

exploração do Pré-Sal que visa satisfazer a sociedade”. Neste momento, dizem que “o governo

tenta ressuscitar a ideologia nacionalista de outros tempos”.

Buscam impor o conceito de que “nacionalismo é ruim”. E trazem, como única crítica ao

nacionalismo, o fato de ser “de outros tempos”. Além de ser um preconceito contra o velho,

chega a ser engraçado, porque princípios liberais estão nos [antigos] textos de Adam Smith

(1723-1790).

Aliás, seria bom reconhecermos que, graças ao nacionalismo, o Pré-Sal é nosso. Em

primeiro lugar, porque o nacionalismo o descobriu. Em segundo lugar, porque foram visões

nacionalistas de órgãos do governo brasileiro que lutaram para o estabelecimento da “Zona

Econômica Exclusiva de 200 milhas”, onde se encontra mais de 90% do nosso Pré-Sal. E a

conquistaram junto às Nações Unidas.”

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Caminho de volta...



Posted: 31 Oct 2012 06:31 PM PDT
O ser humano pode viver de duas maneiras: a natural e a não-natural. A não-natural exerce grande atração, pois é nova, não-familiar e aventureira. Daí, toda criança deve deixar sua natureza e penetrar na não-natureza.

Nenhuma criança pode resistir a esta tentação; resistir a ela é impossível. O paraíso deve ser perdido, e a sua perda está embutida; ela não pode ser evitada, ela é inevitável

E, é claro, somente o ser humano pode perdê-la. Este é o êxtase e a agonia do ser humano, o seu privilégio, a sua liberdade — e a sua queda. 

Jean-Paul Sartre está certo quando diz: "O ser humano está condenado a ser livre". Por que "condenado"? Porque, com a liberdade, surge a escolha — a escolha de ser natural ou não.

Quando não há liberdade, não há escolha. Os animais ainda existem no paraíso; eles nunca o perderam, mas, devido a isso nunca ter acontecido, eles não podem estar conscientes dele e não podem saber onde estão.

Para saber onde se está, primeiro deve-se perder o lugar. É assim que o saber se torna possível — ao se perder. 

Conhece-se uma coisa somente quando ela é perdida. Se ela nunca foi perdida, se ela sempre esteve presente, naturalmente ela é tomada como garantida; ela se torna tão óbvia que a pessoa se esquece dela.

As árvores, as montanhas e as estrelas ainda estão no paraíso, mas elas não sabem onde estão; somente o ser humano pode saber.. Uma árvore não pode se tornar um Buda — não que haja alguma diferença entre a natureza interior de um Buda e a de uma árvore, mas uma árvore não pode se tornar um Buda. A árvore já é um Buda! Para se tornar um Buda, a árvore primeiro deve perder a sua natureza, deve se afastar dela.

Você pode ver as coisas somente de uma certa perspectiva. Se você estiver muito próximo delas, você não pode vê-las. Aquilo que Buda viu nenhuma árvore jamais viu... está disponível às árvores e aos animais, mas somente Buda fica consciente dele — o paraíso é recuperado. 

O paraíso existe somente quando ele é recuperado. As belezas e os mistérios da natureza são revelados somente quando você retorna ao lar. Quando você vai contra sua natureza, quando você se distancia de você mesmo, somente então um dia a jornada de volta principia.

Quando você fica sedento pela natureza, quando você começa a morrer sem ela, você começa a retornar

Esta é a queda original. A consciência do ser humano é a sua queda original, seu pecado original. Mas sem o pecado original não há possibilidade de um Buda ou de um Cristo. 

Osho, em "Vá Com Calma: Discursos Sobre o Zen-Budismo"

Deus É, só passa a existir quando o conscientizamos!...