Discorde-se de Lula, das suas ideias, da sua estratégia de luta. Mas, admita-se: Lula é a grande alternativa a ser abraçada para aglutinar as forças em favor do povo brasileiro, em favor da Pátria, com a vantagem de que já está, ao nível das ideias, em posição avançada no front de luta. Ninguém mais tem condições de unificar todas essas forças em torno dessa grande missão.
Desde as eleições de 2014, a direita antipatriótica brasileira, aliada aos EUA, criou um ambiente de beligerância radicalizada no Brasil - Senzala x Casa Grande. O governo Bolsonaro foi a opção burra do que já se prenunciava. A alternativa intermediária, a escadaria da Casa Grande, oferece diversas opções, desde o primeiro degrau, até o último, mas é um posicionamento temerário, sujeito ao insucesso.
Para a Senzala, a escadaria é parte da Casa Grande. Os escravos, quando desejavam falar com o “senhorzinho”, não pisavam as escadas; chamavam de baixo, não raras vezes, de joelhos. Portanto, quem optar pela escadaria estará, irredutivelmente, taxado, pelos seus pares, de covarde traidor.
Por outro lado, para o senhorio, a escadaria, mesmo sendo parte da Casa Grande, não é um território seguro. Quem lá se posiciona, pode ser útil, mas não é confiável. Então, é ilusão, dos que lá se posicionam, acreditar que serão aceitos pelo sistema. Poderão, no máximo, às custas de seus préstimos submissos de servidão voluntária, usufruir de algumas migalhas de benefício, mas não será, jamais, aceito como integrante do grande poder.
Essa questão foi muito bem abordada no filme Green Book, sob o tema exclusivo do racismo, mas que pode ser ampliado para os agravantes aspectos socioeconômicos e culturais da atualidade. O músico negro virtuoso, por seus préstimos elevados à Casa Grande, acreditou que era aceito. Descobriu que não era e, pior ainda, havia sido renegado pelos seus da Senzala.
César Cantu
25.04.2019
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Você prefere saber como ficará a decoração da sua residência para então escolher o decorador que a fez, ou escolher o decorador sem saber como ele irá decorá-la? Essa eleição está assim definindo. De um lado, Ciro Gomes mostrando o seu projeto de governo,que poderá ser executado posteriormente por quem for cumprí-lo em um novo mandato; do outro, os seus adversários polarisando quem fez ou deixou de fazer, nunca como fará. Eenquanto escolhermos pessoas por conta de promessas personalistas, com um conteúdo emocional, ou por ideologia religiosa, misturando o sagrado subjetivo com a profana materialidade, viveremos na roda das expectativas e decepções. A escolha é sua,e o voto s ó vale 1.
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