segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Uma referência à ser seguida...


Uma breve retrospectiva do que aconteceu em Casimiro de Abreu, no ano de 2013, para 2014 novas conquistas para os Moradores. prefeitura de Casimiro de Abreu, Governo Antonio Marcos, sempre cuidando de você.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Essa merece estar no blog...

Prefeitura de Casimiro de Abreu concede abono de Fim de Ano aos servidores
A Prefeitura de Casimiro de Abreu concederá um abono salarial de Fim de Ano de R$ 600. A gratificação é para os servidores públicos que se dedicam no desempenho de suas funções, demonstram assiduidade, compromisso e responsabilidade com os munícipes. O projeto do Poder Executivo foi encaminhado à Câmara Municipal para votação nesta quinta-feira (26), em sessão extraordinária, e aprovado por unanimidade. A gratificação será paga no contracheque de dezembro, em folha complementar, e não servirá de base de cálculo para outras gratificações e nem para descontos previdenciários ou securitários.
O prêmio será concedido aos servidores titulares de cargos de provimento efetivo, contratados, comissionados, aposentados e pensionistas, aos cedidos em outros órgãos, à disposição ou executando trabalhos para a Prefeitura Municipal de Casimiro de Abreu, IPREV-CA, SAAE e Fundações Municipais, desde que atendem as exigências para a concessão.
“Este abono é um reconhecimento pelo trabalho dos servidores. Sem o profissionalismo e a participação direta na administração seria impossível realizar as transformações que estamos fazendo na cidade. Como havia dito anteriormente o ano ainda não acabou. Com esse dinheiro extra, todos poderão passar um Fim de Ano mais feliz com seus familiares”, disse o prefeito Antônio Marcos.
Desde 2009, este é o quinto abono salarial concedido pelo prefeito Antônio Marcos. Segundo a Secretaria de Administração, a estimativa é que mais de R$ 8 milhões passem a circular no comércio local. “O abono aquece as vendas e auxilia na quitação de dívidas adquiridas ao longo do ano”, observou Ricardo Lopes, secretário de Administração.
“O servidor público nunca foi tão valorizado com o atual governo. Em 2011 concedemos aumento de 40% no salário base dos servidores, que estava há muito tempo defasado. Hoje criamos uma comissão que está analisando o plano de cargos e salários dos servidores. Ainda teremos novidades a partir do próximo ano. Estamos cumprindo todas as promessas relacionadas ao funcionalismo público”, conclui o prefeito Antônio Marcos. 
Publicado em 26/12/2013
 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Mais um Posto de Saúde inaugurado

Prefeito Antônio Marcos inaugura unidade de saúde em Rio Dourado
O prefeito Antônio Marcos inaugurou na última segunda-feira (23) a nova unidade da Estratégia Saúde da Família, no distrito de Rio Dourado. Cerca de R$ 300 mil foram investidos no local, que foi construído sob os padrões recomendados pelo Ministério da Saúde. A solenidade contou com a presença de diversas autoridades e moradores.
O ESF de Rio Dourado Autuepson Diniz de Carvalho conta com sala de procedimentos, farmácia, consultório médico, de enfermagem, odontológico e de vacinas; sala de curativos, sala de preparo, sala de reunião, sala para os agentes comunitários de saúde, banheiros, sala de expurgo, copa e cozinha. O local é climatizado e o atendimento a população é totalmente informatizado.
A viúva do homenageado, Maria José da Rocha de Carvalho, conhecida como Dona Zezé, esteve presente na inauguração ao lado das suas seis filhas. Esta foi a terceira unidade de saúde entregue a população este ano pelo prefeito Antônio Marcos. Os ESF do Bairro Industrial e da Rosa Branca foram inaugurados no mês de agosto.
“É uma satisfação imensa poder dar continuidade aos investimentos em infraestrutura. Nossa meta é continuar trabalhando incansavelmente para realizar obras que há anos a população necessita e reivindica. Sou muito grato a esta comunidade que depositou mais uma vez confiança na continuidade do nosso trabalho. Deixamos um legado de vários investimentos como construção de creche, ponte, praça, capela mortuária e hoje voltamos para este lugar para entregar um novo posto de saúde. Isso demonstra responsabilidade e comprometimento com a população”, disse o prefeito, que anunciou que o bairro Niterói irá receber no mês de janeiro o Programa “Asfalto na Porta”, numa parceria com o Governo do Estado. “Todas as ruas que já possuem drenagem serão calçadas em Rio Dourado”, finalizou Antônio Marcos.
Para o secretário de Saúde, Armando de Nijs, o município, atualmente, oferece melhores condições de trabalho aos funcionários do serviço público de saúde, o que, consequentemente, se reflete no atendimento à população. Ele ressaltou a preocupação da Administração Municipal em garantir a excelência na prestação de serviços de saúde, começando, pela atenção básica. “Quando assumimos o governo tínhamos 20% de nossas unidades de saúde funcionando adequadamente. Hoje temos mais de 50% e até o fim do mandato todas terão 100% de condições necessárias, com farmácia e atendimento de qualidade”.
PRESENÇAS – Além do prefeito Antônio Marcos, de secretários, subsecretários, funcionários públicos e moradores do bairro, estiveram presentes à solenidade o vice-prefeito Zedequias da Costa, o presidente da Câmara Municipal Alessandro Pezão e os vereadores Odino Miranda, Juninho Piquira, Lázaro Mangifesti e Bitó.
Publicado em 26/12/2013
    

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Cidade Negra no Pré-Réveillon


Pré-Réveillon agita Casimiro de Abreu nesta sexta-feira
A Prefeitura de Casimiro de Abreu, por meio da Secretaria de Turismo e Evento, está preparando uma grande festa para a chegada do Ano Novo. E no próximo dia 27 (sexta-feira) acontece  Pré-Réveillon 2014 com dois shows gratuitos na Praça Feliciano Sodré, no Centro, a partir das 22 horas. Quem abre a programação são os cantores Zé da Velha & Silvério Pontes. Logo em seguida quem agita o público é a banda Cidade Negra, do vocalista Toni Garrido.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fundação Municipal entrega certificados a jovens do programa agricultor orgânico


A Fundação Municipal Casimiro de Abreu entregou o certificado de conclusão do Programa Jovem Agricultor Orgânico 2013, que ocorreu na última quarta-feira (18), no Sítio Agrícola. O programa atendeu jovens de 14 a 17 anos, que aprenderam técnicas de cultivo orgânico e de educação ambiental.
Durante os 10 meses os 30 jovens que concluíram o curso participaram de atividades práticas de agricultura orgânica, compostagem, produção de mudas, entre outras. Eles cultivaram também uma horta medicinal, que foi plantada em forma de mandala. Eles prepararam uma composteira para que todo o lixo orgânico gerado por eles fosse reciclado e virasse adubo para ser utilizado na horta e no plantio de mudas para os projetos de reflorestamento na cidade.
“Espero que os jovens que aproveitaram esta oportunidade para ter conhecimento na parte agrícola, que repassem as informações adequadas para os seus pais. Nunca o município investiu tanto na agricultura familiar como nos últimos anos. Oferecemos a eles a dignidade que merecem. Temos que valorizar isso, pois os pequenos agricultores rurais dependem do seu cultivo para sobreviver”, disse o vice-prefeito Zedequias da Costa, presente na solenidade de encerramento representando o prefeito Antônio Marcos.
Para participar do projeto é necessário que o jovem esteja matriculado em escola pública da rede de ensino municipal ou estadual ou ser bolsista em escola particular. Os estudantes precisam comprovar a frequência na escola e ter boas notas, além de ter o direto a bolsa-auxílio de meio salário mínimo todo o mês, alimentação e uniformes.
“O projeto é um programa sócio-educativo que privilegia a família pequena agricultora do município. Os jovens entenderam que o homem não precisa sair do campo para se sustentar. Ele pode prosperar no campo agregando valores aos produtos. O comprometimento desta turma foi muito importante. Agradeço aos pais que confiaram a nós a responsabilidade por seus filhos, que durante meses passaram a tarde aqui no Sítio Agrícola. O mais importante não é o trabalho que vocês realizam, mas de estar no campo para aprender e levar para casa o que aprenderam aqui”, ressaltou o presidente da Fundação Municipal, Alcyr Neves.

Publicado em 19/12/2013
     

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Alem das praças...

Casimiro de Abreu recebe doação de coletivos para transporte escolar de estudantes
O município de Casimiro de Abreu recebeu a doação de um ônibus e de um micro-ônibus para o transporte escolar dos estudantes das redes municipais e estadual de ensino do Governo do Estado em cerimônia realizada na última terça-feira (17), no Rio de Janeiro. Representando o prefeito Antônio Marcos, o vice-prefeito Zedequias da Costa recebeu as chaves dos coletivos das mãos do governador Sérgio Cabral e do deputado estadual Paulo Melo.
Ao todo foram doados 197 coletivos para diversos municípios do Estado. Cada ônibus representa um investimento de mais de R$ 227 mil, enquanto cada micro-ônibus, R$ 139 mil. No total, foi investido mais de R$ 36,7 milhões. O vice-governador e coordenador de Infraestrutura, Luiz Fernando Pezão, e o secretário de Educação, Wilson Risolia, também participaram da solenidade. “A gente chega à marca de 400 ônibus entregues nos últimos quatro anos, é uma marca muito importante. Significa a mobilidade de milhares de alunos, tanto do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio. Ônibus como estes, em cidades do estado onde a locomoção é mais difícil, são a garantia da presença em sala de aula, do conforto e da dignidade. Cabe às prefeituras cuidarem destes ônibus com carinho”, afirmou o governador Sérgio Cabral.
Para o vice-prefeito de Casimiro de Abreu os ônibus doados serão fundamentais para ampliar a estrutura de atendimento aos estudantes na cidade. “São ônibus que terão muito bom uso em nossa cidade. Esta é uma grande doação para nossas crianças. Para o aluno, estes ônibus serão fundamentais, por que ele não consegue chegar à escola, dependendo de onde mora, principalmente na zona rural. Estes veículos têm conforto e segurança. É um grande presente de Natal para o município”, disse Zedequias da Costa.
Publicado em 18/12/2013
    

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Prefeito Antônio Marcos recebe a visita do deputado João Peixoto


O prefeito de Casimiro de Abreu, Antônio Marcos, recebeu a visita do deputado estadual João Peixoto (PSDC), na tarde da última quinta-feira (12), em seu gabinete.
Durante o encontro o parlamentar trouxe algumas informações a respeito dos projetos em andamentos na Assembleia Legislativa do Estado do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que poderão ser desenvolvidos no estado com reflexos na região.
O vereador Odino Miranda, correligionário do mesmo partido do parlamentar, esteve presente no encontro e deu boas-vindas ao deputado. Segundo o prefeito, a visita é sempre importante, pois vem acompanhada de uma série de notícias que interessam as comunidades, e, além disso, estreitam as relações das comunidades com os seus representantes.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Esta linda praça está sendo inaugurada hoje em Barra de São João



O prefeito de Casimiro de Abreu Antônio Marcos irá entregar nesta terça-feira (10) mais uma obra no Bairro Vila Nova, no distrito de Barra de São João. Os moradores serão contemplados com uma área de lazer, que dá nome a Maria Cezar Monteiro, antiga moradora da comunidade. O espaço possui área coberta, parquinho infantil, mesas para jogos, iluminação e paisagismo.
A área de lazer fica localizada no cruzamento das ruas Jeronimo Gonçalves e Eusébio Campos, próximo ao CIEP Municipalizado 406 Ludevis Teixeira Bastos

Prêmio literário incentiva hábito de leitura


A Secretaria Municipal de Educação de Casimiro de Abreu anunciou na última sexta-feira (6) o vencedor da terceira edição do Prêmio Elias José. O grande vencedor foi o trabalho “Literatura Expressiva”, do professor Heraldo César Negreiros, da Escola Municipal Pastor Abel de Souza Lyrio, de Barra de São João. Ele foi o escolhido como o educador da rede municipal de ensino que mais se destacou em 2013 na elaboração do trabalho de incentivo à leitura dos alunos.
Para o coordenador do projeto Promotores de Leitura e um dos organizadores do evento, Adilson Araújo, o concurso literário tem a finalidade de valorizar a função do professor dentro da sala de aula, notadamente com relação ao incentivo à leitura dos estudantes. “O hábito permanente da leitura é extremamente salutar e acarreta não só benefícios culturais e cognitivos aos alunos, como também agrega valor à vida pessoal e acadêmica deles”, disse, acrescentando: “Quem não lê, não escreve bem, e isso hoje é fundamental tanto para o bom desenvolvimento profissional dos estudantes como também para a evolução social deles no futuro”, finalizou Adílson.
De acordo Heraldo Negreiros, vencedor do concurso, a prática da leitura fortalece o conhecimento universal dos estudantes, além de permitir a eles uma visão mais crítica e consciente da vida contemporânea.
Dezesseis trabalhos participaram da competição, que deu aos três primeiros colocados um tablet. O segundo colocado foi o trabalho “Vivendo a literatura através da arte”, da professora Eliane Raimundo, da Creche Municipal Gelio Alves Faria (Barra de São João) e o terceiro lugar ficou com a professora Fernanda Muniz da Rocha com o tema “A casa e o seu dono”, da Escola Municipal Christiane Siqueira Salles de Carvalho, de Rio Dourado.
ELIAS JOSÉ - Elias José nasceu em Minas Gerais e teve atuação destacada à prática da leitura para criança e adolescentes por intermédio da publicação de livros infantis e infanto-juvenis. Poeta, folclorista e professor de literatura, Elias José conquistou em 1974 um dos maiores prêmios literários do país: o Jabuti, com o livro “Inquieta Viagem ao Fundo do Poço”. Seus livros foram traduzidos, em pelo menos, 12 países. Um dos mais conhecidos conceitos era o de “que o maior legado que se pode deixar para uma geração é o hábito da leitura, pois através dele o mundo ganha um formato diferente”.
Publicado em 9/12/2013
    

Assim aqui como lá...

DESPEDIDAS

No adeus a Mandela, discurso e gestos de Obama chamam a atenção

Presidente dos EUA aperta a mão de Raúl Castro, cumprimento inédito entre mandatários dos dois países desde a Revolução Cubana de 1959
por Flávio Aguiar, para a Rede Brasil Atual publicado 10/12/2013 11:59
© EFE/KIM LUDBROOK
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Barack Obama cumprimenta Raúl Castro, de Cuba, na chegada para a despedida oficial a Mandela
Para quem assistiu a primeira transmissão intercontinental, ao vivo, pela televisão, a dos funerais de Winston Churchill, em 1964, de Londres para os Estados Unidos, assistir a transmissão de alcance mundial dos funerais de Nelson Mandela – insistentemente chamado por seu apelido de Madiba – traz uma emoção de dimensões espaciais e temporais de alcance inusitado.
Primeiro, pela rotação de eixos, do hemisfério norte para o do sul. Segundo, também por uma rotação de eixos: o chamado “Norte” do mundo vem ao “Sul” em busca de um “norte” para si.
Assim li o discurso-estrela do funeral, em Soccer City, nas lindes de Soweto, na periferia de Jo’burg, como os sul-africanos chamam a sua cidade-maior, o discurso do presidente Obama. Obama está em cerrada campanha para recuperar sua imagem em nível mundial, corroída pelos desmandos da National Security Agency, de acordo com as denúncias mais que pertinentes de Edward Snowden.
Deve-se reconhecer que ele conseguiu marcar pontos. Além de ser o mais aplaudido dentre os presentes, Obama fez um discurso emocional e emocionado, de grande capacidade retórica (no bom sentido), reunindo em suas palavras o Mandela das ideias com o Mandela das ações, em nome de valores como resistência e capacidade de negociação, de manutenção de equilíbrio pessoal, durante 27 anos de encarceramento brutal, com ousadia política no momento de jogar a (re)construção de um novo país entre as ruínas – mas com forças de algemas – do apartheid.
Também marcou pontos ao se apresentar com um toque de humildade diante das lições de Mandela, incluindo-se entre os que devem se perguntar – resumindo – se estão fazendo tudo o que podem para combater a desigualdade, a discriminação, o preconceito e a injustiça.
Decididamente, Obama foi o “herói vivo” do dia – em todos os sentidos – este dia dedicado a prantear e fazer a celebração de um herói morto.
Nossa presidenta saiu-se bem, embora com o relativo azar de fazer um discurso corretamente protocolar (não lhe cabia fazer outra coisa na ocasião) logo depois do discurso carregado de magnetismo de Obama.
Um aspecto interessante de seu discurso foi que ela falou não apenas em nome do povo brasileiro, mas também se colocando como representante dos sentimentos de condolência dos “sul-americanos”.  Havia uma razão igualmente protocolar: ela foi a única autoridade sul-americana presente a fazer uso da palavra. Mas ao bom leitor meia-palavra não só basta, como sugere: a presidenta Dilma estava fazendo recurso a uma condição que mais e mais vem sendo reconhecida mundialmente. O Brasil, em que pese o rezingar da sua direita, vem ocupando esta posição de representatividade ao lado de uma condição de liderança diplomática que lhe é atribuída mundialmente, em relação aos países emergentes daquele “Sul” do mundo.

Pela paz?

No momento da chegada de Barack Obama em meio aos líderes convidados a falar, dois gestos de sua parte chamaram a atenção e mereceram comentários da mídia internacional presente. Na sequência, o  primeiro foi o aperto de mão com Raul Castro, o presidente de Cuba (que depois fez também um discurso de alta voltagem emocional, lembrando o papel de Cuba nas lutas de libertação da África, que, entre suas consequências, apressou o fim do apartheid na África do Sul).
Foi o primeiro gesto desta natureza desde a Revolução Cubana de 1959. A seguir, o segundo gesto que chamou a atenção foi seu beijo na bochecha de Dilma Rousseff, que pode ser interpretado como um  convite para “fumar o cachimbo da paz” depois dos desmandos de espionagem norte-americana em relação à presidenta.
Para finalizar, um reparo. Obama disse em seu discurso que com Mandela desaparecia o último “libertador” do século XX. Isto, para um latino-americano, passa por cima de Fidel Castro. Mas estender este elogio ao líder cubano seria demais para um presidente dos EUA. Contentemo-nos com o aperto de mão com Raul Castro.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Nova área de lazer será inaugura nesta terça-feira em Barra de São João



O prefeito de Casimiro de Abreu Antônio Marcos irá entregar nesta terça-feira (10) mais uma obra no Bairro Vila Nova, no distrito de Barra de São João. Os moradores serão contemplados com uma área de lazer, que dá nome a Maria Cezar Monteiro, antiga moradora da comunidade. O espaço possui área coberta, parquinho infantil, mesas para jogos, iluminação e paisagismo.
A área de lazer fica localizada no cruzamento das ruas Jeronimo Gonçalves e Eusébio Campos, próximo ao CIEP Municipalizado 406 Ludevis Teixeira Bastos. O local vai proporcionar mais lazer e qualidade de vida para os moradores do bairro. O conceito arquitetônico e paisagístico segue os padrões de qualidade das obras realizadas pela Prefeitura de Casimiro de Abreu.
“Esta é a quarta obra que iremos inaugurar neste bairro em Barra de São João. Este espaço era um desejo antigo da comunidade que sempre nos pediu um local adequado de lazer para os seus filhos. Isso significa investir na qualidade de vida das pessoas, em socialização e lazer. Tenho certeza que esta área de lazer representa muito para esta comunidade”, disse o prefeito Antônio Marcos.
A Prefeitura de Casimiro de Abreu ainda irá entregar outra obra que está sendo realizada no distrito de Barra de São João em breve. Trata-se da urbanização e calçamento da Rua Silvio Medeiros, conhecida popularmente como “Beco dos Velhacos”.

Publicado em 9/12/2013
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

NELSON MANDELA (1918-2013)


“O “Madiba”, cuja vida é inspiração de dias melhores, morreu aos 95 anos em sua casa, em Joanesburgo “

Conversa Afiada reproduz texto de José Antonio Lima, extraído da Carta Capital:

NELSON MANDELA (1918-2013)



O “Madiba”, cuja vida é inspiração de dias melhores, morreu aos 95 anos em sua casa, em Joanesburgo 



“Durante a minha vida, me dediquei à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca, e lutei contra a dominação negra. Eu defendi o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para o qual espero viver e conseguir realizar. Mas, se preciso for, é um ideal para o qual estou disposto a morrer.”


Nelson Mandela, na abertura de sua declaração de defesa no Julgamento de Rivonia, em Pretória, em 20 de abril de 1964

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Em 12 de fevereiro de 1990, quando Nelson Mandela foi solto, após 27 anos encarcerado, a África do Sul estava à beira de uma guerra civil entre brancos e negros. A libertação de Mandela era fruto de negociações entre o regime segregacionista do Apartheid e a resistência negra, mantidas em segredo para não estimular ainda mais violência por parte dos extremistas de ambos os lados. Havia uma imensa desconfiança a respeito das intenções de Mandela, mas mesmo após séculos de opressão e de seu sofrimento pessoal, Mandela tomou as decisões que fazem muitos considerá-lo o maior líder político de todos os tempos. Ao levar a todo o país uma mensagem em defesa da democracia e da igualdade, o Madiba, como é conhecido no país, se tornou o artífice da reconciliação entre brancos e negros sul-africanos, evitando o que poderia ser uma sangrenta guerra civil. Foi esse homem que a humanidade perdeu decorrente de uma infecção pulmonar, nesta quinta-feira 5. O anúncio oficial foi feito em rede nacional pelo presidente da África do Sul, Jacob Zuma.

A morte de Mandela era a má notícia que os sul-africanos esperavam há anos, desde que a saúde debilitada do ex-presidente começou a preocupar. A cada internação, o país entrava em apreensão, inúmeros boatos circulavam, o governo divulgava notas oficiais, até que vinha a notícia da alta. Desta vez, foi diferente. A morte de Mandela deve jogar boa parte do país em depressão.

Violência e o fim do Apartheid

O luto não se dá à toa. Após anos lutando contra o regime da supremacia branca de forma institucional, Mandela ajudou a fundar, em 1961, o Umkhonto weSizwe, braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA). Dois anos depois de entrar na luta armada, Mandela foi preso e condenado à prisão perpétua no famigerado Julgamento de Rivonia. Ele deixaria a prisão apenas nos anos 1990, quando se juntaria a algumas poucas figuras que tentariam colocar fim ao Apartheid.

Como o regime beneficiava diversos grupos, a resistência às mudanças seria ferrenha. Logo após a soltura de Mandela, uma onda de violência tomou conta da África do Sul. Chacinas foram cometidas várias vezes por dia em trens e outros locais públicos. Líderes comunitários e outras figuras públicas foram executados. Massacres nos guetos negros se tornaram comuns. A execução do “colar”, por meio da qual um pneu com gasolina era colocado no pescoço da vítima e incendiado, se tornou a horrenda face da violência no país. Isso sem contar a repressão violenta da polícia contra as manifestações de populações negras. Era uma época que os sul-africanos “morriam como moscas”, nas palavras do arcebispo anglicano Desmond Tutu, Nobel da Paz.

A violência daquele período era atribuída a uma guerra entre o Congresso Nacional Africano, grupo liderado por Mandela, que pregava a igualdade entre brancos e negros, e o Inkatha, movimento nacionalista zulu, um dos diversos povos sul-africanos. Essa era apenas parte da explicação. A violência generalizada era uma ação orquestrada pelas forças de seguranças do regime e pelos extremistas de direita do Inkatha. Milhares de membros da facção zulu foram treinados em campos secretos e receberam armas e dinheiro das forças de segurança do regime e de líderes brancos de extrema-direita. Alguns policiais, brancos e negros, chegavam a coordenar e participar dos massacres. Quando não havia gente do Inkatha, mercenários de países como Angola e Namíbia eram contratados. Em silêncio, para não serem identificados como estrangeiros pelo sotaque, matavam sul-africanos a esmo.

Para o Inkatha, aquela era uma luta para manter a autonomia da terra KwaZulu e buscar a independência. Para os extremistas brancos, era uma estratégia dupla: primeiro manter a argumentação de que os negros eram incapazes de se autogovernar. Caso isso não desse certo, o CNA, de Mandela, ao menos ficaria enfraquecido para a eleição presidencial que se seguiria, a primeira na qual brancos e negros poderiam votar e ser votados livremente.

A estratégia de desestabilização não deu resultados graças à força de caráter de inúmeras pessoas, entre elas o então presidente sul-africano, Frederik Willem de Klerk, e de Mandela. Entre 1990 e 1993, a África do Sul revogou leis que davam amparo jurídico ao Apartheid, desmantelou seu arsenal nuclear e convocou eleições livres para 1994. Ao contrário do que pensavam os extremistas, o CNA não estava enfraquecido por conta da violência. Nas urnas, o partido obteve uma vitória massacrante, e Mandela se tornou o primeiro presidente negro na história do país.

“Nação Arco-Íris”

No poder, Mandela operou um milagre político. O Madiba fez os sul-africanos acreditarem no seu sonho, o de que a África do Sul poderia ser mesmo uma “Nação Arco-Íris”, na qual todas as “cores” poderiam conviver de forma harmônica. Mandela conseguiu contemplar os anseios das minorias brancas e conter a ânsia por justiça de líderes negros, muitos dos quais desejavam vingança após décadas de abusos e arbitrariedade.

A face mais visível do esforço de reconciliação feita por Mandela foi o apoio à seleção de rúgbi da África do Sul, os Springboks, na Copa do Mundo de 1995. Mandela não permitiu a mudança de nome e uniforme da equipe e tornou a seleção, símbolo de orgulho dos brancos, em orgulho nacional. A empreitada teve um fim épico com a improvável vitória da África do Sul sobre a Nova Zelândia, no hoje mítico Ellis Park, em Johannesburgo. A história foi registrada de forma magistral no livro Conquistando o Inimigo, de John Carlin, e no filme Invictus, de Clint Eastwood.

O apoio aos Springboks era parte da estratégia de Mandela de liderar pelo exemplo. Para o sul-africano comum, branco ou negro, era inevitável se questionar: como pode um homem que ficou encarcerado por 28 anos deixar a prisão sem qualquer resquício de rancor e adotar um tom tão reconciliatório? Se Mandela podia, todos podiam.

O milagre da Nação Arco-Íris foi também institucionalizado. Sob Mandela, a África do Sul passou a ter programas de habitação, educação e desenvolvimento econômico para a população negra; instalou a Comissão da Verdade e da Reconciliação, que serviu como catarse coletiva para o país; e aprovou uma nova Constituição, vista até hoje como ponto central de estabilidade na África do Sul.

O legado de Mandela


Desde que assumiu a presidência, Mandela deixou claro que gostaria de ser apenas o responsável pela transição da África do Sul, e não o guia eterno do país. Ele fez isso pois desejava uma África do Sul independente, inclusive dele próprio. A África do Sul que Mandela imaginou, no entanto, não conseguiu completar o sonho do líder visionário durante sua vida. Contra a vontade de Mandela, e de sua família, sua imagem é usada persistentemente de forma política, às vezes por líderes que dilapidam seu legado. Esse processo foi agravado pelo silêncio ao qual Mandela foi obrigado a se recolher devido ao agravamento de sua doença.

Nos governos de Thabo Mbeki (1999-2007) e do atual presidente, Jacob Zuma, ambos do CNA, a África do Sul teve grande crescimento econômico, mas a desigualdade social é maior que a existente no fim do Apartheid. O CNA, por sua vez, deixou de ser o partido da liberdade para se tornar um amontoado de políticos acusados de corrupção e de agir em benefício próprio. A Liga Jovem do ANC, fundada por Mandela, passou a ser conhecida pelos atos e palavras de intolerância de seus líderes, um perigo para uma país onde a violência racial está contida, mas a tensão entre brancos e negros, não.

Apesar do uso político de sua imagem, Mandela continua sendo o bastião da democracia na África do Sul. Talvez, o distanciamento entre seu legado e a condição atual do país tenha servido para, nos últimos anos, tornar mais agudo o sofrimento da população a cada nova internação. Hoje, finalmente, chegou o dia de deixar Mandela descansar, e dos sul-africanos colocarem o país no rumo sem um exemplo vivo para guiá-los.

Já que o gato morreu, tem rato escondido com o rabo de fora...

CAFEZINHO E TIJOLAÇO
ACHAM A GLOBO NO PANAMÁ

Dois filhos estão lá. O Velho sabia ? O outro irmão sabia ?
O Conversa Afiada reproduz do Tijolaço trabalho impecável do Miguel do Rosário, no Cafezinho.

(Rosário, sozinho, vale mais do que todos os “investigativos” do jornal nacional – aquele que, na praça de São Paulo, dá mais dez do que vinte).

DOIS FILHOS DE MARINHO E UM DO GENERAL NO PANAMÁ? E O OUTRO IRMÃO? O VELHO SABIA?



O Miguel do Rosário, parceiro deste Tijolaço, não descansa.

Aceitou a provocação da polêmica sobre o emprego oferecido ao ex-ministro Jose Dirceu por um empresário com negócios no Panamá – um paraíso fiscal – e foi buscar os documentos que provam que também os irmãos Marinho também andaram fazendo seus negócios por lá – e na época em que o velho Roberto ainda estava vivo e mandando muito.

Você vai ler a história, mas, como sou mais velho e conheço esta turma, dou logo uma informação: neste ano da Graça de 1984 em que a empresa foi registrada no Panamá, o executivo de confiança de Marinho na área financeira – com poder até sobre o Boni – era Miguel Pires Gonçalves, cujo pai, Leônidas, era o poderoso Ministro do Exército do Governo Sarney.

Miguel era o homem que cuidava da grana e achei estranhíssimo que José Roberto – o mais low-profile dos três Marinhos – estar fora do negócio. O velho não era de fazer isso: o dinheiro era igual, embora o poder não fosse repartido por igual entre os três.

Leia a reportagem de Rosário.

A EMPRESA DA GLOBO NO PANAMÁ!


Já que a Globo, por causa do hotel onde Dirceu irá trabalhar, está tão interessada nas empresas do Panamá, seria bom aproveitar a viagem e explicar ao distinto público porque os irmãos Marinho figuraram como diretores de uma firma naquele país. Trata-se da Chibcha Investment Corporation, presidida por José Manuel Aleixo.

Antena da Raça

19/10/2011 4:06 pm

Por Marco Frenette 


A África é um horizonte sem fim. São mais de 30 milhões de metros quadrados. São 53 países. São 850 milhões de pessoas. A África também é um poço infindável de sofrimento
A África é um horizonte sem fim. São mais de 30 milhões de metros quadrados. São 53 países. São 850 milhões de pessoas. A África também é um poço infindável de sofrimento. São mais de 800 milhões de africanos vivendo com menos de um dólar por dia. Doenças, fome, subnutrição, guerras civis e analfabetismo imperam largamente. Em meio ao caos político e social, o continente consegue responder por apenas 2% do PIB mundial. A África é o coração das trevas. E para o imaginário europeu e sul-americano, a escuridão negra revelou-se em todas as suas nuances políticas, culturais e sociais não a partir da exposição midiática das crianças famélicas da Nigéria ou das guerras civis na Somália, mas sim a partir da luta obstinada e metódica do sul-africano Nelson Mandela contra o regime de segregação racial de seu país.
Filho de um chefe tribal, Mandela nasceu em 1918 e formou-se em direito em 1944, quatro anos antes do início do regime do apartheid, que direcionaria todos os esforços do Estado para a segregação baseada nas leis. Sua preocupação com os rumos de seu país e as condições dos negros são antigas, pois no mesmo ano em que se tornava advogado, ajudava a fundar a liga juvenil do Congresso Nacional Africano (CNA), partido da maioria negra do país. Praticamente todo o movimento negro de combate ao racismo apostava em estratégias de não-violência para protestar. Boicotes, manifestações e demonstrações públicas pacíficas davam a tônica das ações do movimento negro.
No dia 21 de março de 1960, a história do povo negro sul-africano mudou. Entre 5 e 7 mil pessoas, na melhor tradição de não-violência, se agrupam diante da delegacia de polícia da cidade de Sharpeville. Nos planos dos líderes, era o primeiro dia de uma série de cinco de manifestações pacifistas contra a Lei do Passe, que restringia a circulação dos negros a certas áreas das cidades e horários do dia. A população foi convocada a deixar seus passes em casa e se deslocarem até a delegacia de polícia para se entregar. Com prisões superlotadas e nenhuma força de trabalho nas fábricas, a economia minguaria, forçando governo a ceder.
O que se seguiu entrou para a sangrenta e triste história do país como o Massacre de Sharpeville. Mais de 50 pessoas foram mortas por tiros disparados aleatoriamente por 300 policiais. A covardia dos oficiais, os 154 dias de estado de emergência declarado nove dias depois e a cassação do registro do CNA e de outros partidos mudaram os rumos da militância de Mandela. Cansado dos meios pacíficos para a libertação de seu povo, ele radicaliza, passando à clandestinidade para fundar o braço armado da CNA, a Umkhonto weSizwe (“Lança da Nação”). Em 1961, viaja para vários países africanos, como Etiópia, Marrocos e Argélia, para pedir apoio à Umkhonto. Mas já no ano seguinte, após participar de uma greve, vai preso e é condenado (em um processo arrastado até 1964) à prisão perpétua.
O batismo de fogo
A condenação foi o batismo de fogo, o rito de iniciação e o desvio do caminho de um arremedo de guerrilheiro para o de um futuro líder pacifista. Foram 27 anos de reclusão, período em que demonstrou uma fibra e uma firmeza de caráter e propósito ímpares. Ironicamente, o governo sul-africano deu-lhe algo precioso: tempo de sobra para pensar.
E pensou bem, e cada vez melhor. A partir em 1986 – em seu cárcere na prisão da ilha de Robben, na Cidade do Cabo – inicia as conversações com o governo branco do Partido Nacional, e vai conquistando rapidamente mais posições na negociação. Pressionado pela comunidade internacional cada vez mais intensamente, o governo sul-africano oferece a Mandela a liberdade no exílio. Ele recusa, levando a público sua frase moral e taticamente brilhante: “Minha liberdade é indissociável da liberdade de meu povo”.
Os movimentos de consciência negra vinham tornando a situação cada vez mais tensa, especialmente em Soweto, distrito de Joanesburgo, onde quase toda a população negra da cidade vivia. A partir de 1976, com o levante dos estudantes contra a determinação de que as aulas fossem dadas em afrikaner (idioma dos brancos do país, que consiste de uma mistura de alemão e holandês), que terminou com jovens mortos pela polícia, os confrontamentos beiravam a explosão.
O líder daquele povo estava preso. Ele sempre fora um político, mas agora era um político da paz e da reconciliação. Pregava contra o ódio. Criticava as divisões tribais de seu país, com os intermináveis – e muitas vezes sangrentos – desentendimentos entre zulus, chosas, pedis, nebebelis e suazis, que obliteravam a verdade maior da opressão branca. O notável, porém, era sua postura contra o apartheid, mas não contra os brancos. Em certos momentos, ao falar com sinceridade da importância do perdão para a África do Sul achar seu caminho de prosperidade e justiça social, assemelhava-se a um Cristo negro. Ou a um Buda de ébano. Era um vingador sem vontade de ferir, que oferecia a outra face para não ter que ver mais derramado o sangue do negro. Sabia das pressões do outro lado da mesa e negociava com inteligência.
Libertado em 1990, já septuagenário, com a pele enrugada, cabelos brancos e postura um tanto encurvada, trazia no rosto a simpatia e a aura dos sábios. Para os negros sul-africanos, deve mesmo ter parecido que ele viera dos céus para conduzir a “nação arco-íris”, como o país passou a se definir mais tarde na embriaguez esperançosa do pós-apartheid.
Como vice-presidente do CNA, visita diversos países para propagar e defender a causa anti-apartheid, pedindo a manutenção das sanções econômicas à África do Sul. No ano seguinte, está à frente da delegação da CNA para as primeiras negociações multipartidárias da África do Sul. Em 1993, Mandela participa ativamente da criação do Conselho Executivo Transitório, um organismo multirracial de ajuda ao governo, e de negociações tensas e delicadas para a transição que ocorreria com as eleições marcadas para 1994. É em 1993 que Mandela recebe, juntamente com Frederik de Klerk, então presidente da África do Sul, o Prêmio Nobel da Paz. No ano seguinte, a luta constante e quase sobre-humana de Mandela é recompensada: torna-se o primeiro presidente negro da África do Sul, na primeira eleição multirracial depois de 350 anos de dominação branca.
A vitória da realidade
Com uma trajetória tão espantosa, não se admira que Mandela tenha sido alçado à condição de um semideus. Nunca houve na África Negra um nome tão forte e tão carregado de simbolismos como o dele. Mesmo os que criticam a falta de mudanças mais profundas, a remediação da pobreza e das crises sociais não ignoram a importância do líder. Mandela é uma verdadeira instituição.
No momento em que ele é transformado em uma espécie de Salvador, obscurece-se uma realidade de lutas intermináveis do povo negro sul-africano, envolvendo inúmeros líderes e inúmeras ações políticas que varreram o país no mesmo período em que Mandela se fortalecia como líder negro (ver box). A rigor, poderíamos dizer, que não foi Mandela quem livrou a África do Sul da vergonha do apartheid. Ele fez muito mais: não se tornou, como queria em um período de desespero, a “lança da nação”, tornou-se a “antena da raça”, para transferir para o plano político a expressão literária do poeta Erza Pound. Com sua fibra, capacidade de liderança, inteligência política e amor, catalisou de modo admirável o sentimento negro e as lutas que se travavam para a queda do apartheid. Mandela foi a cabeça do dragão.
Porém, ao abandonar o terreno dos simbolismos e esperanças, os fatos se mostram aterradores. Uma década após a queda do regime segregacionista, a África do Sul continua a sofrer de males terríveis (ver pág. 10). Como presidente, Mandela não conseguiu implementar todas as mudanças que o país precisava para acabar com a relação entre a cor da pele e a pobreza. Cansado, desiste de disputar a reeleição em 1999, deixando espaço para seu vice, Thabo Mbeki assumir o cargo.
Mesmo tendo desiludido parte da população, Mandiba (avozinho) Mandela ainda é querido pelo povo e respeitado mesmo pelos críticos de seu governo. Depois de ter anunciado sua aposentadoria e passado a evitar a imprensa para preservar a saúde aos 85 anos, permaneceu como um dos principais líderes mundiais do século. E não há na África do Sul sucessores com sonhos e estratégias de ação à altura dos dele.
Mais de um negro
A queda do regime racista sul-africano teve Mandela como figura máxima, mas a militância de tantos outros líderes negros não foi menos importante
Onde há opressão, há reação. Mas nem sempre ela torna-se mundialmente conhecida ou devidamente famosa. Quando Mandela co-fundou a Liga Juvenil da CNA, por exemplo, estava acompanhado por dois outros importantes líderes negros, Walter Sisulu e Oliver Tambo. Sisulu (1912-2003) teve papel de destaque nas atuações do grupo militante Lança da Nação, e foi também secretário geral do CNA. Ele foi libertado em 1989, após 26 anos de prisão. Tambo (1917-1993) também foi secretário geral do CNA, e militante incansável da causa negra. Mesmo antes da fundação da Liga Juvenil, ambos já se mostraram importantes na vida política de Mandela.
A primeira atividade política de Mandela ocorreu por ter conhecido Tambo – em 1940 foram expulsos da Fort Hare University por participarem de uma greve estudantil. Mais tarde Mandela conhece Sisulu, que é quem conseguirá para ele um trabalho em uma firma de advocacia, garantindo um rendimento financeiro, fundamental para seu engajamento nas lutas políticas. Bem mais jovem que Mandela, e com a vida e um histórico de lutas mais curtos, foi Steve Biko (1946-1977), assassinado numa prisão, e por isso mesmo transformado em mártir do povo negro sul-africano. Biko foi o fundador e o primeiro presidente da South African Student´s Organisation e presidente honorário, em 1972, da Black People´s Convention. Quem discursou durante o funeral de Biko, foi o bispo Desmond Tutu, outro importante líder negro, e este com relativa proeminência internacional. Foi a morte de Biko que fez Tutu perceber a importância do engajamento político da Igreja Anglicana para combater o apartheid. Primeiro negro a ocupar o posto de bispo anglicano em Joanesburgo e prêmio Nobel da Paz em 1984, Tutu também teve papel de destaque na campanha para o boicote econômico internacional ao regime racista sul-africano, além de presidir a famosa Comissão Verdade e Reconciliação da África Sul organizada por Mandela. Vê-se que a luta incomparável do grande líder negro, Madela, foi árdua, mas ele nunca esteve sozinho.